terça-feira, 6 de março de 2012

II Tm 4: A pregação da Palavra X as fábulas desejadas

A última orientação doutrinária de II Tm encontra-se nos versos 4.1-5. O restante do último capítulo, dos versso 6-22, vemos o Apóstolo Paulo demonstrar a ciência de que o tempo de sua morte se aproxima e também comunicar algumas coisas pessoais a Timóteo.

Essa última orientação fala sobre a forma como Timóteo deveria pregar a Palavra de Deus. Diz:

"Conjuro-te, pois, diante de Deus e de Cristo Jesus, que há de julgar os vivos e os mortos, na sua vinda e no seu reino; prega a palavra, insta a tempo e fora de tempo, admoesta, repreende, exorta, com toda a longanimidade e ensino".


Sistematizando o que é dito nestes versos, vemos que a Palavra deve ser pregada em todo o tempo e que as características dessa pregação são: a admoestação, que é a advertência sobre o que pode estar errado; a exortação, que é a denúncia do erro acompanhada de uma palavra de ânimo, incentivo; e a repreensão, que é uma espécie de exortação ou admoestação, porém mais dura. Os três primeiros aspectos dessa pregação são semelhantes, dizem praticamente uma coisa só: a Palavra de Deus denuncia os nossos erros e nos conduz ao caminho correto.

Por fim, tudo isso deve ser feito com longanimidade, que pode ser definida como uma atitude de paciência para suportar os sofrimentos próprios ou o dos outros, e com ensino.Todo esse processo precisa ser regado com paciência e com ensino, pois não se trata de algo fácil de se fazer e a falta do ensino condenaria a pregação a tornar-se cíclica: sempre se denunciaria o erro de outrem, sem que esse sujeito aprendesse a não cometê-lo ou a razão de não cometê-lo novamente.

Exposto isso, Paulo diz que na contramão da pregação bíblica, havia de chegar um tempo que a sã doutrina não seria suportada. Diz o texto:

"Porque haverá tempo em que não suportarão a sã doutrina; mas, tendo coceira nos ouvidos, cercar-se-ão de mestres, segundo as suas próprias cobiças; e se recusarão a dar ouvidos à verdade, voltando às fábulas".


Lendo este texto fica clara a razão de não suportarem a doutrina correta: ela não se conforma com os nossos erros, antes os denuncia e nos guia ao caminho correto. E muitos se acham já detentores da verdade, não aceitando serem repreendidos. Então, buscando o que lhes agrada, acabam por dar ouvidos "às fábulas", a ensinamentos que nada possuem de verdadeiros, mas que dizem aquilo que o povo quer ouvir. Como já bem disse o profeta Jeremias em seu livro, os pregadores de fábulas "curam superficialmente a ferida do povo, dizendo: paz, paz, quando não há paz!" (Jr 8.11).

A mensagem que devemos pregar deve conter o evangelho em sua plenitude. E esse evangelho de Cristo não se conforma com os nossos pecados, mas chama-nos ao arrependimento. Lembrou muito bem disso o meu amigo Marcus "Kiko", num texto muito bom (link). Se a nossa pregação do evangelho não denunciar o pecado e conduzir ao arrependimento e à cruz, estamos pregando fábulas. A pregação da teologia da prosperidade e da confissão positiva, por exemplo, são boas representantes dessas fábulas: o arrependimento e a denúncia passam longe de sua mensagem, e elas trazem ao sujeito tudo o que ele deseja, mas não o que precisa.

A orientação de Paulo a Timóteo no último verso desse bloco é para que ele mesmo seja sóbrio em tudo, sofrendo as aflições causadas pela pregação do evangelho verdadeiro, fazendo o trabalho de um evangelista e cumprindo assim o seu ministério. Sigamos essa orientação, que vale para nós. Ainda que seja duro o caminho, preguemos o evangelho puro e simples, que traz, sim, a mensagem do arrependimento e denuncia o erro, mas também apresenta a graça salvadora e reconciliadora de Cristo, que nos garante vitória sobre o pecado por meio de seu sacrifício.

Um comentário:

Ana Cristina(ex conselheira da Get) disse...

Maravilhosa reflexão!!!!!! Nunca pare de postar a verdade sobre a palavra de Deus, são poucos os que tem coragem.
Abraços,
Ana (ex conselheira da Get)