sexta-feira, 2 de março de 2012

II Tm 2: Conhecer e ensinar, não discutir


"Continue a lembrar essas coisas a todos, advertindo-os solenemente diante de Deus, para que não se envolvam em discussões acerca de palavras; isso não tem proveito, e serve apenas para perverter os ouvintes".

"Evite as conversas inúteis e profanas, pois os que se dão a isso prosseguem cada vez mais para a impiedade".

"Evite as controvérsias tolas e fúteis, pois você sabe que acabam em brigas".
2 Timóteo 2:14; 16; 23
  
Na primeira carta que Paulo escreve a Timóteo, esse jovem pastor na cidade de Éfeso, ele o advertiu acerca de alguns "falatórios vãos" que circundavam sua cidade e igreja. Veja I Tm 1.3-7; 4.7; 6.3-10. Paulo combatia o discurso tolo acerca de umas genealogias que alguns julgavam trazer algum mérito e ainda o uso de argumentação sobre qualquer que fosse a controvérsia.  Seu ensino era o de que muitas discussões eram improdutivas, enquanto que o ensino da Palavra de Deus era ao que Timóteo deveria se ater.

Agora ele está retomando essa temática no capítulo 2 da segunda carta. No primeiro bloco, compreendido entre 1.-13, o Apóstolo ensina que o ensino da Palavra de Deus é produtivo e útil, enquanto no segundo, de 14-26, ele diz que as discussões fúteis não têm utilidade alguma. Os recortes no início do texto exaltam essa ênfase de Paulo.

O paralelo entre o primeiro e o segundo bloco é claro. Enquanto 1.2 diz: "estas coisas confiem a homens fiéis, os quais sejam capazes de ensinar a outros", o verso 14, primeiro da lista acima, diz a Timóteo para orientar os seus não se envolverem em certas discussões. A preocupação do jovem pastor Timóteo deve ser a que lhe é dita no verso 2.15: "apresentar-se a Deus aprovado, como obreiro que não tem do que envergonhar, que maneja bem a palavra da verdade".

As discussões às quais Paulo se referia, as "genealogias intermináveis" e as conversas de "velhas caducas" compreendiam também algumas distorções da Palavra de Deus, como foi o caso de Himeneu e Fileto. E o caminho contrário dessas discussões inúteis é justamente conhecer e conhecer bem as Escrituras, para combater com o bom ensino essas coisas improdutivas.

Percebamos que o ensino de Paulo não é para que não se estude. Não é para que não se conheça a Bíblia, a história, a Teologia, as minúcias da fé. Mas para que nada se torne motivo para discussões e por elas se alcancem brigas, que de fato serão improdutivas. O ensino de Paulo me lembra que devemos nos preocupar com o que convém, esquecendo-nos de polêmicas inúteis, como muitas com as quais já me deparei na igreja e provavelmente você também, leitor.

Ater-se a discussões fúteis é um erro. Conhecer e ensinar a palavra de Deus, por outro lado, um acerto e um mandamento. E o que já vi (e vivi) e que também não pode ser tido como comum nas nossas vidas, é quando alguma dúvida séria sobre as Escrituras ou a respeito de algum ponto importante da nossa fé é tachado de discussão inútil. Paulo tratava como improdutivas as discussões que estavam buscando conferir méritos ou créditos a um e outro, através da identificação de árvores genealógicas e a ensinos que pervertiam a palavra de Deus. Mas o mandamento do final do capítulo é claro e nos faz discernir bem uma coisa da outra:

"Ao servo do Senhor não convém brigar mas, sim, ser amável para com todos, apto para ensinar, paciente. Deve corrigir com mansidão os que se lhe opõem, na esperança de que Deus lhes conceda o arrependimento, levando-os ao conhecimento da verdade, para que assim voltem à sobriedade e escapem da armadilha do diabo que os aprisionou para fazerem a sua vontade".

Muitos que questionam estão carentes de um conhecimento correto da palavra de Deus, e nós somos responsáveis por lhes esclarecer tais pontos de forma que eles sejam conduzidos novamente à sobriedade e conheçam a verdade, ficando livres do mal. Portanto, assumamos a responsabilidade de conhecer e ensinar a palavra de Deus com um propósito útil, desviando-nos das questões inúteis. Porém, com honestidade e consciência, que nos permitirá tratar sabiamente cada questionamento como convém.