sexta-feira, 9 de março de 2012

Tito 2: Lembrando um pouco da graça

Que capítulo bíblico agradável de se ler! É um trecho pequeno, apenas 15 versos. Nos primeiros 10, Paulo recomenda que Tito exorte a grupos específicos de pessoas: velhos, mulheres, jovens, servos, e que também fosse atento com a sua própria conduta, de forma que pudesse ser exemplo aos demais. Os últimos cinco versos devem ser lidos tendo em mente os anteriores. Vejamos os dois primeiros, 11-12:

"Pois a graça de Deus se manifestou, trazendo salvação  todos os homens. Ela nos ensina a abandonar a impiedade e as paixões mundanas, para que vivamos neste presente século sóbria, justa e piedosamente"


Após orientar diferentes grupos de pessoas, de forma que essa orientação contempla quase todos os grupos da igreja, Paulo diz o que está nesses versos. E a beleza que vejo no texto é o conteúdo do verso 12, relacionado ao restante. É a graça de Deus, a graça salvadora de Deus, que nos ensina a vivermos separados do que não agrada a Deus e mais próximos à uma vida santa.

É importante que seja claro em nossa mente a dependência da graça para a nossa santidade. Uma santidade que não reconhece que é Deus quem a sustenta, por sua graça e misericórdia, através do Espírito Santo, se torna uma ação supostamente digna de méritos - o que anula a graça. Se qualquer atitude nossa fosse capaz de causar em Deus qualquer agrado, Cristo não precisaria ter morrido por nós. Seu sacrifício nos reconcilia com o Pai, pois somos pecadores por natureza e não conseguiríamos ser santos  ponto de não sermos condenados. Portanto, até aquilo que conseguimos fazer para agradar a Deus, deve ter seu crédito tributado ao Espírito Santo, que nos capacita a tal.

Sempre me lembro de uma oração de Agostinho de Hipona que ficou registrada e dizia: "concede-nos o que nos ordenas". O mesmo Senhor que exige de nós a santidade, usa de graça conosco e nos concede seu Espírito para que alcancemos o que ele deseja. O texto que lemos diz que devemos viver "sóbria, justa e piedosamente". Ou seja, devemos ser moderados, praticar e promover a justiça no nosso meio e ter uma vida que se compadece da necessidade do próximo, uma vida altruísta.

O problema é que somos justamente o contrário, por natureza: somos mais preocupados com nossos próprios interesses do que com os dos outros, e muitas vezes acabamos desprezando a sobriedade e até sendo injustos. Mas o Espírito Santo, instrumento da graça salvadora de Deus, nos ensina a fazer o que é correto.

Se queremos caminhar com Cristo, precisamos entender essas verdades. Caso contrário, ou cultivaremos uma santidade que, a qualquer momento, será lembrada como algo que nos faz dignos de receber qualquer coisa de Deus, ou justificaremos nossos pecados na nossa incapacidade natural de acertar. Mas graças a Deus por Jesus Cristo. Graciosamente, ele foi entregue no nosso lugar, seu sacrifício foi aceito por Deus Pai e seu Espírito foi enviado para fazer morada em nós. Façamos jus à tanta graça, aprendendo a viver de forma que agrade ao nosso Deus.

quinta-feira, 8 de março de 2012

Tito 1: Uma boa razão para todo cristão conhecer a Bíblia

Paulo escreve a Tito, seu companheiro e ajudador no ministério, com o objetivo de lhe transmitir orientações a serem praticadas nas igrejas de Creta, para onde ele havia sido enviado pelo Apóstolo. Além disso, há dois objetivos secundários: insistir para que Tito se encontrasse com Paulo logo (3.12); e encaminhar a ele Zenas e Apolo (3.13).

No primeiro capítulo, temos uma grande sessão que coincide com as orientações de I Tm 3, sobre as qualidades que os líderes das igrejas deveriam possuir para exercerem fielmente seu ministério. Os últimos versos dessa orientação dizem o seguinte:

"Deve reter firme a fiel palavra (o bispo), que é conforme a doutrina, para que seja poderoso, tanto para admoestar na sã doutrina, como para convencer os contradizentes. Pois há muitos insubordinados, faladores vãos, e enganadores, especialmente os da circuncisão. É preciso tapar-lhes a boca, porque transtornam casas inteiras ensinando o que não convém, por torpe ganância".
(1.9-11)

Paulo justifica, com estes versos, parte da necessidade de o cristão conhecer bem a Palavra de Deus. Mas essa justificativa é para aqueles que têm um compromisso sério e verdadeiro com Cristo, pois já não diz respeito à edificação e ao conhecimento a nível pessoal das Escrituras, mas sobre conhecê-la para abençoar outros. Essa justificativa já passou daquele primeiro momento da nossa vida cristã, no qual estamos acessando as Escrituras para formar a nossa cosmovisão e firmar os fundamentos. Agora, falamos sobre usar o que conhecemos para que a obra de Deus seja executada e com excelência.

Essa orientação é originalmente destinada aos bispos das igrejas com as quais Tito trabalhava e trabalharia, mas certamente podemos aplicá-la a qualquer cristão verdadeiro. Para todos, ela é muito importante. Para o bispo/pastor/presbítero, indispensável. Encaixando-nos em qualquer dos dois grupos, atentemos para o seguinte: é parte da nossa missão garantir que a Palavra de Deus seja pregada fielmente. Paulo diz que é preciso fechar a boca daqueles que pregam por ganância, usando a palavra de Deus para alcançar seus objetivos pessoais e sujos.

Para isso, não precisamos ser acusadores, pessoas que vivem para falar mal de igreja, de pastor, de pregador, movimento, etc. Antes, precisamos conhecer a Bíblia suficiente para sermos "poderosos", como diz o texto, para advertirmos quem estiver errado e convencer os que opõem às Escrituras. Lembremo-nos de que admoestar significa repreender de forma pacífica e visando o bem de quem ouve. Admoestar e acusar não se confundem em significado e não devem fazê-lo na nossa prática.

Sou tentado a escrever páginas sobre isso... Mas vou encerrar por aqui, atendo-me por enquanto à mensagem do texto. Conheçamos a Bíblia para nos embasarmos, desenvolvermos a nossa fé pessoal, nossa cosmovisão cristã. E então, firmados, aprofundemo-nos ainda mais para sermos usados por Deus como instrumentos que promovem uma pregação verdadeira e fiel à boa doutrina.

terça-feira, 6 de março de 2012

II Tm 4: A pregação da Palavra X as fábulas desejadas

A última orientação doutrinária de II Tm encontra-se nos versos 4.1-5. O restante do último capítulo, dos versso 6-22, vemos o Apóstolo Paulo demonstrar a ciência de que o tempo de sua morte se aproxima e também comunicar algumas coisas pessoais a Timóteo.

Essa última orientação fala sobre a forma como Timóteo deveria pregar a Palavra de Deus. Diz:

"Conjuro-te, pois, diante de Deus e de Cristo Jesus, que há de julgar os vivos e os mortos, na sua vinda e no seu reino; prega a palavra, insta a tempo e fora de tempo, admoesta, repreende, exorta, com toda a longanimidade e ensino".


Sistematizando o que é dito nestes versos, vemos que a Palavra deve ser pregada em todo o tempo e que as características dessa pregação são: a admoestação, que é a advertência sobre o que pode estar errado; a exortação, que é a denúncia do erro acompanhada de uma palavra de ânimo, incentivo; e a repreensão, que é uma espécie de exortação ou admoestação, porém mais dura. Os três primeiros aspectos dessa pregação são semelhantes, dizem praticamente uma coisa só: a Palavra de Deus denuncia os nossos erros e nos conduz ao caminho correto.

Por fim, tudo isso deve ser feito com longanimidade, que pode ser definida como uma atitude de paciência para suportar os sofrimentos próprios ou o dos outros, e com ensino.Todo esse processo precisa ser regado com paciência e com ensino, pois não se trata de algo fácil de se fazer e a falta do ensino condenaria a pregação a tornar-se cíclica: sempre se denunciaria o erro de outrem, sem que esse sujeito aprendesse a não cometê-lo ou a razão de não cometê-lo novamente.

Exposto isso, Paulo diz que na contramão da pregação bíblica, havia de chegar um tempo que a sã doutrina não seria suportada. Diz o texto:

"Porque haverá tempo em que não suportarão a sã doutrina; mas, tendo coceira nos ouvidos, cercar-se-ão de mestres, segundo as suas próprias cobiças; e se recusarão a dar ouvidos à verdade, voltando às fábulas".


Lendo este texto fica clara a razão de não suportarem a doutrina correta: ela não se conforma com os nossos erros, antes os denuncia e nos guia ao caminho correto. E muitos se acham já detentores da verdade, não aceitando serem repreendidos. Então, buscando o que lhes agrada, acabam por dar ouvidos "às fábulas", a ensinamentos que nada possuem de verdadeiros, mas que dizem aquilo que o povo quer ouvir. Como já bem disse o profeta Jeremias em seu livro, os pregadores de fábulas "curam superficialmente a ferida do povo, dizendo: paz, paz, quando não há paz!" (Jr 8.11).

A mensagem que devemos pregar deve conter o evangelho em sua plenitude. E esse evangelho de Cristo não se conforma com os nossos pecados, mas chama-nos ao arrependimento. Lembrou muito bem disso o meu amigo Marcus "Kiko", num texto muito bom (link). Se a nossa pregação do evangelho não denunciar o pecado e conduzir ao arrependimento e à cruz, estamos pregando fábulas. A pregação da teologia da prosperidade e da confissão positiva, por exemplo, são boas representantes dessas fábulas: o arrependimento e a denúncia passam longe de sua mensagem, e elas trazem ao sujeito tudo o que ele deseja, mas não o que precisa.

A orientação de Paulo a Timóteo no último verso desse bloco é para que ele mesmo seja sóbrio em tudo, sofrendo as aflições causadas pela pregação do evangelho verdadeiro, fazendo o trabalho de um evangelista e cumprindo assim o seu ministério. Sigamos essa orientação, que vale para nós. Ainda que seja duro o caminho, preguemos o evangelho puro e simples, que traz, sim, a mensagem do arrependimento e denuncia o erro, mas também apresenta a graça salvadora e reconciliadora de Cristo, que nos garante vitória sobre o pecado por meio de seu sacrifício.

segunda-feira, 5 de março de 2012

II Tm 3: Quando o problema sofre crise de identidade

A Bíblia sabe fazer uma coisa que lhe é muito própria e interessante: inverter a lógica de algumas coisas. Como dar para receber, por exemplo. Não é interessante Jó ter sido abençoado enquanto orava por seus amigos? E o salmista Davi, que tinha uma vida conturbadíssima, escrever o Salmo 23? É muito intrigante ver como o coração de Davi não obedecia as circunstâncias ao redor.O seu país podia estar em guerra, que mesmo assim ele sentia seu coração deitado em pastos verdes e guiado mansamente a águas tranquilas...

Este capítulo de II Tm também faz uma inversão, traçando um paralelo muito interessante. Os versos 1-9 dizem como os últimos tempos seriam trabalhosos, pois os homens estariam mais interessados em si mesmos do que em Deus e no próximo. E o segundo bloco, que fecha o capítulo, de 10-17, contém uma palavra de incentivo de Paulo a Timóteo, para que ele perseverasse na sã doutrina. E a inversão está nos versos 12-13:

"E na verdade, todos os que desejam viver piamente em Cristo jesus padecerão perseguições. Mas os homens maus e enganadores irão de mal a pior, enganando e sendo enganados".


Confesso que achei graça do texto na leitura atual. Segundo o Apóstolo Paulo, Timóteo era alguém que estava observando atentamente o que lhe era ensinado e também a forma como Paulo vivia, o que lhe servia de exemplo. O Apóstolo diz que sofrera perseguições em Antioquia, Icônio e Listra, mas foi livre de todas pelo Senhor. E desenvolve seu argumento através dos versos acima. Sua fala afirma que todos os que caminham com Cristo serão por isso perseguidos, terão dificuldades, passarão por maus bocados nas mãos de pessoas más. E o que me chama a atenção é o "mas" logo depois dessa afirmação.

É como dizer que aqueles que andam com Cristo estarão em dificuldades, mas quem não anda com Cristo é que tem problemas de fato. Os cristãos serão perseguidos, mas os enganadores irão de mal a pior. Quem anda honestamente com Deus sofrerá por isso, mas quem engana está com um grande problema para resolver.

Se há algo com o que devemos de fato nos preocupar é com a nossa caminhada com Cristo. Como estou desenvolvendo meu relacionamento com Deus? Tenho seguido o exemplo de Timóteo, que andava nos passos de Paulo, seu mestre, observando atentamente e seguindo bem o que lhe era ensinado? Ou engano a mim mesmo e àqueles que estão à minha volta, aparentando uma devoção a Cristo que não passa da aparência?

Se estou caminhando com Cristo, ainda que seja perseguido, não sou eu quem tem um problema. Se caminho com Cristo, estou com minhas questões mais importantes resolvidas, pois o cuidado da minha vida está nas mãos do Senhor. Se ando com Cristo, quem tem problema é outro, não eu. Ainda que sofra, estarei bem. Mas, se em algum momento enganar a mim mesmo, vivendo um cristianismo medíocre e/ou aparente, posso saber que ganhei um problema verdadeiro.

Que Deus nos ajude a sermos sinceros e autênticos, com um coração entregue à ele. Sendo por ele fortalecidos, a maior das dificuldades se torna plenamente administrável. O que não podemos é a sua companhia e bênção conosco.

sexta-feira, 2 de março de 2012

II Tm 2: Conhecer e ensinar, não discutir


"Continue a lembrar essas coisas a todos, advertindo-os solenemente diante de Deus, para que não se envolvam em discussões acerca de palavras; isso não tem proveito, e serve apenas para perverter os ouvintes".

"Evite as conversas inúteis e profanas, pois os que se dão a isso prosseguem cada vez mais para a impiedade".

"Evite as controvérsias tolas e fúteis, pois você sabe que acabam em brigas".
2 Timóteo 2:14; 16; 23
  
Na primeira carta que Paulo escreve a Timóteo, esse jovem pastor na cidade de Éfeso, ele o advertiu acerca de alguns "falatórios vãos" que circundavam sua cidade e igreja. Veja I Tm 1.3-7; 4.7; 6.3-10. Paulo combatia o discurso tolo acerca de umas genealogias que alguns julgavam trazer algum mérito e ainda o uso de argumentação sobre qualquer que fosse a controvérsia.  Seu ensino era o de que muitas discussões eram improdutivas, enquanto que o ensino da Palavra de Deus era ao que Timóteo deveria se ater.

Agora ele está retomando essa temática no capítulo 2 da segunda carta. No primeiro bloco, compreendido entre 1.-13, o Apóstolo ensina que o ensino da Palavra de Deus é produtivo e útil, enquanto no segundo, de 14-26, ele diz que as discussões fúteis não têm utilidade alguma. Os recortes no início do texto exaltam essa ênfase de Paulo.

O paralelo entre o primeiro e o segundo bloco é claro. Enquanto 1.2 diz: "estas coisas confiem a homens fiéis, os quais sejam capazes de ensinar a outros", o verso 14, primeiro da lista acima, diz a Timóteo para orientar os seus não se envolverem em certas discussões. A preocupação do jovem pastor Timóteo deve ser a que lhe é dita no verso 2.15: "apresentar-se a Deus aprovado, como obreiro que não tem do que envergonhar, que maneja bem a palavra da verdade".

As discussões às quais Paulo se referia, as "genealogias intermináveis" e as conversas de "velhas caducas" compreendiam também algumas distorções da Palavra de Deus, como foi o caso de Himeneu e Fileto. E o caminho contrário dessas discussões inúteis é justamente conhecer e conhecer bem as Escrituras, para combater com o bom ensino essas coisas improdutivas.

Percebamos que o ensino de Paulo não é para que não se estude. Não é para que não se conheça a Bíblia, a história, a Teologia, as minúcias da fé. Mas para que nada se torne motivo para discussões e por elas se alcancem brigas, que de fato serão improdutivas. O ensino de Paulo me lembra que devemos nos preocupar com o que convém, esquecendo-nos de polêmicas inúteis, como muitas com as quais já me deparei na igreja e provavelmente você também, leitor.

Ater-se a discussões fúteis é um erro. Conhecer e ensinar a palavra de Deus, por outro lado, um acerto e um mandamento. E o que já vi (e vivi) e que também não pode ser tido como comum nas nossas vidas, é quando alguma dúvida séria sobre as Escrituras ou a respeito de algum ponto importante da nossa fé é tachado de discussão inútil. Paulo tratava como improdutivas as discussões que estavam buscando conferir méritos ou créditos a um e outro, através da identificação de árvores genealógicas e a ensinos que pervertiam a palavra de Deus. Mas o mandamento do final do capítulo é claro e nos faz discernir bem uma coisa da outra:

"Ao servo do Senhor não convém brigar mas, sim, ser amável para com todos, apto para ensinar, paciente. Deve corrigir com mansidão os que se lhe opõem, na esperança de que Deus lhes conceda o arrependimento, levando-os ao conhecimento da verdade, para que assim voltem à sobriedade e escapem da armadilha do diabo que os aprisionou para fazerem a sua vontade".

Muitos que questionam estão carentes de um conhecimento correto da palavra de Deus, e nós somos responsáveis por lhes esclarecer tais pontos de forma que eles sejam conduzidos novamente à sobriedade e conheçam a verdade, ficando livres do mal. Portanto, assumamos a responsabilidade de conhecer e ensinar a palavra de Deus com um propósito útil, desviando-nos das questões inúteis. Porém, com honestidade e consciência, que nos permitirá tratar sabiamente cada questionamento como convém.

quinta-feira, 1 de março de 2012

II Tm 1: Certezas de Paulo que precisamos ter

O Apóstolo Paulo era alguém que tinha muitas certezas e consequente segurança sobre o que fazia. Um sinal disso é que todo início de carta que ele escreveu o identifica como apóstolo de Cristo pela vontade de Deus. Não lhe faltava a certeza de que era Deus quem o havia chamado e também que direcionava cada passo de sua vida e ministério. Com isso, vemos a segurança e autoridade que o acompanhou, claramente demonstrados em seus escritos.

Chama-me a atenção também a forma como Paulo demonstra tal segurança e muitas certezas no primeiro capítulo de II Tm. E ele está certo sobre coisas que, caso também estejamos, estaremos mais seguros e confiantes para colocarmos em prática o que o Senhor quer que coloquemos.

Primeiro, ele tem certeza de que foi Deus quem o comissionou. Como já disse acima, a carta começa com a sua introdução clássica, falando sobre a sua posição no corpo de Cristo pela vontade de Deus (1.1). Segundo, Paulo sabia que suas aflições presentes eram por causa do evangelho: tanto a prisão quanto as demais adversidades (1.8). Não seria diferente com ele, pois a pregação do evangelho, o exercício do seu ministério, era tão central em sua vida, que lhe garantia segurança do controle do Senhor sobre qualquer situação.

Então, no verso 1.9, o Apóstolo demonstra consciência de que foi salvo por Cristo, vocacionado por Deus e isso devido à sua graça. Consciência de sua salvação, de seu papel no reino e de sua condição diante de Deus. Entendo que tais certezas demonstram grande maturidade na caminhada cristã. Não tenho dúvidas sobre a comunhão com Deus, estou seguro do meu chamado e conheço quem sou - assim como Deus é. Sendo assim, já tenho boa parte do caminho seguramente traçado.

O verso 1.11 nos diz que ele foi constituído apóstolo, pregador e mestre. Além de todas as certezas acima, ainda há a da especificidade de seu ministério. Paulo sabia exatamente o que deveria fazer, qual papel, exatamente, deveria desempenhar. Gostaria que todos na igreja tivessem essa certeza e consciência. Não sei quantas pessoas já vi que procuram se envolver em todos os ministérios possíveis, pensando que assim, trabalhando em tudo e como um louco, agradará a Deus. Uma certeza como essa de Paulo nos dá foco e faz com que nos envolvamos com aquilo que irá colaborar com o propósito de Deus para nós. Sei que trabalharei na igreja com música? Me envolverei nessa área. Serei mestre? Estudarei. Percebam que os três papéis que Paulo diz desempenhar estão intimamente relacionados, ou seja, ele tinha muito foco no que fazia, de forma que sua atenção e dedicação era centrada, focada, não fragmentada.

Essas são as conclusões que podemos tirar de forma clara do texto, sem inferir praticamente, olhando só para o que salta aos olhos. E já são certezas preciosas, que precisamos buscar para servirmos melhor e com mais eficácia ao Senhor. Conheçamos bem a nós mesmos e ao nosso Deus, bem como seu propósito para nós. Alcançaremos tudo isso através de uma vida de oração relevante e do conhecimento da sua Palavra, disciplinas que devemos cultivar diariamente.

Sirvamos ao Senhor da melhor maneira: com segurança, foco, dedicação e disciplina.