quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

Predestinação ou livre arbítrio? Uma introdução aos dois pensamentos e seus pensadores

Amigos, abaixo faço uma compilação de três pequenos resumos sobre o tema, que havia usado na Escola Bíblica da Mocidade da Getsêmani. Muitos já haviam me pedido tais resumos/informações, então decido publicar aqui.


Amanhã continuamos com o devocional sobre II Tessalonicenses. Bom proveito!

Armínio

Jacob Hermann, nascido em Oudewater, na Holanda em 1560, tendo vivido até 1609, era um teólogo conhecido por Arminius, forma de seu nome em Latim.

Armínio era de uma família muito pobre, que não teve condições de criá-lo ao nascer. Por isso, sua mãe o entregou aos cuidados de um sacerdote católico, que o criou e, no momento possível, enviou-o a um internato em Utrecht. Passado algum tempo de seu ingresso, seu pai adotivo veio a falecer. Então, um professor de sua escola lhe assumiu os cuidados e enviou-o à Universidade Luterana.

Numa invasão espanhola à cidade de Oudewater, a família de Armínio foi morta por apresentar resistência ao catolicismo. Este fato desencadeia uma revolta muito grande em Armínio contra a igreja e a contra a política.

Durante seus estudos na Universidade Luterana, Armínio conheceu o Rev. Pedro Bertius, pastor da Igreja Reformada de Roterdã. O Rev.. Bertius acolheu Armínio quando da perda de sua família em sua casa, tendo ingressado com a ajuda deles na Universidade de Leiden, na Alemanha. Armínio era um estudante excepcional e seu destaque fez com que a igreja tivesse interesse que ele ingressasse no trabalho ministerial. Com a condição de envolver-se ministerialmente em sua obra, a Igreja Reformada de Amsterdã financia os estudos teológicos de Armínio. Seu envolvimento foi de fato consumado, tendo se tornado um excelente pregador e exegeta.

Durante sua formação, Armínio apegou-se aos ensinos de Calvino. A teologia Calvinista era seu norte nas formulações teológicas.

Em determinado momento, quando do estudo do livro de Romanos para uma apologética dos decretos divinos, teoria também calvinista, Armínio convenceu-se de que Calvino teria se excedido ao tentar refutar a soberania da Igreja Católica da Reforma, fazendo com que o papel da soberania divina ficasse demasiadamente destacado e super-valorizado, a ponto de ocultar o papel fundamental do homem no processo salvífico, não dando ênfase ao seu livre-arbítrio.

Certo disso, depois de muito estudo, Armínio torna-se um opositor da Teologia Calvinista. Defendeu o ponto de vista da liberdade humana durante o resto de sua vida de estudos. Após sua morte, seus discípulos sintetizaram seu pensamento em 05 pontos, que ficaram conhecidos como os 5 pontos do Arminianismo.

Tendo dado forma à Teologia Arminiana, seus seguidores apresentaram suas idéias ao Estado afim de que o catecismo de Heidelberg e a Confissão Belga desse lugar aos ensinos de seu professor. Em 1618, um sínodo é convocado na cidade de Dort para discutir as idéias dos Cinco Pontos do Arminianismo. Este contava com 84 teólogos e 18 delegados seculares, tendo sido composto por 154 sessões, que atravessaram de novembro de 1618 à maio de 1619. a conclusão do exame destes pontos apontou para uma natureza herética dos ensinos de Armínio. Para refutar ainda estes ensinos, fora formulado no Sínodo de Dort os Cinco Pontos do Calvinismo.

Apesar de ganhar forma com os discípulos de Armínio e os defensores de Calvino, sabe-se que nenhuma das idéias é nova no mundo teológico.  No século V, um teólogo chamado Pelágio defendia que a natureza humana não estava totalmente corrompida pelo pecado e que o homem era capaz de decidir-se por Cristo. Suas idéias foram combatidas por Agostinho, que disse não ter a vontade do homem a menor liberdade no processo de salvação, ensinando que o homem é escravo de Satanás e que está morto em seus pecados. À época da Reforma, Erasmo de Roterdã, grande humanista e teólogo, que muito influenciou a Calvino e tantos outros, defendeu a graça soberana de Deus, mas argumentava que o homem poderia aceitar ou não a obra de Cristo em sua vida.


Calvino

Calvino foi um dos teólogos mais importantes, marcantes e motivadores de discussões diversas na história da igreja. Seu pensamento mudou, formou e dividiu opiniões de sua época à nossa.

Karl Barth, um dos maiores teólogos da história, de origem alemã, disse em uma carta a um amigo, citada por Timothy George:

"Calvino é uma catarata, uma floresta primitiva, um poder demoníaco, algo vindo diretamente do Himalaia, absolutamente chinês, estranho, mitológico; perco completamente o meio, as ventosas, mesmo para assimilar esse fenômeno, sem falar para apresentá-lo satisfatoriamente. O que recebo é apenas um pequeno e tênue jorro e o que posso dar em retorno, então, é apenas uma porção ainda menor desse pequeno jorro. Eu poderia feliz e proveitosamente assentar-me e passar o resto de minha vida somente com Calvino".

João Calvino nasceu na França, no ano de 1509. Nesta época, Lutero já ensinava na Universidade de Erfurt. Também em 1509, o Rei Henrique VII falecia, dando lugar a seu filho, que se tornou o Rei Henrique VIII. O então Papa, Júlio II, promulgava uma indulgência para a construção da Catedral de São Pedro.

Calvino era filho de Gérard Cauvin, um também francês influente inclusive eclesiasticamente. Seu pai era assistente administrativo do bispo de Noyon, que concedeu um benefício (financeiro) a Calvino quando este tinha 12 anos. Foi através deste benefício que Calvino concluiu seus estudos.

Vale lembrar que a concessão de benefícios a parentes e amigos era prática comum no clero contemporâneo à reforma de Lutero. Este era apenas um dos vários abusos adotados pelos clérigos e um que favoreceu Calvino em sua formação.

Calvino converteu-se em meados da década de 1530, pegando carona nas tradições e teologias já quase formadas por aproximadamente 20 anos de discussões sobre os princípios levantados por Lutero.

Quando Calvino começa seu movimento reformador, a reforma de Lutero já vinha perdendo espaço e experimentando frustrações, principalmente se vista à luz dos objetivos luteranos: Lutero acreditava que em pouco tempo o papado cairia, seria convocado um verdadeiro concílio reformador (lembrando que Lutero esperava uma reforma dentro da igreja, não uma divisão ou destruição da Igreja Católica), os judeus e turcos seriam evangelizados e convertidos e Jesus voltaria, derrotando o diabo.

A esperança escatológica eminente de Lutero frustrou-se. Zuínglio havia falecido, Erasmo de Roterdã estava sendo cada vez mais consumido pela sua enfermidade, Lutero já não estava tão em foco, muito pelo contrário, a igreja romana começava a retomar suas forças, a reforma radical estava fragmentada. Neste contexto, Calvino emerge como líder de um movimento e reformulador de uma nova teologia.

Calvino começou seus estudos formalmente em agosto de 1523, em Paris, na maior universidade da Europa. Deste ano até 1541, Calvino se transformaria no reformador que conhecemos. Timothy George, no clássico “Teologia dos Reformadores” (que principalmente nos tem servido de guia até aqui), divide a vida de Calvino nestes anos em três partes: preparação, conversão e vocação de Calvino.

Erudito por natureza, nos seus primeiros anos de estudos teológicos, dedicava-se mais que todos os companheiros de sala, de forma que o tempo que alguns tinham de recreação contrastava-se com a oportunidade que Calvino via de estudar um pouco mais.

Por sua disciplina nos estudos, Calvino destacou-se facilmente e passou a freqüentar os círculos do humanismo francês, o qual criticou em alguns aspectos.

Em 1528 Calvino abandonou o curso de Teologia em Paris para cursar direito em
Orléans. Seu pai já não tinha os benefícios da catedral de Noyon e estava em idade avançada. Receando pelo futuro financeiro do filho, Gérard Cauvin ordenou que Calvino buscasse oportunidades mais promissoras como advogado (história totalmente contrastante com a de Lutero).

O estudo do Direito foi útil para ligar Calvino às questões práticas que lhe seriam úteis na formulação das instituições de Genebra, cidade na qual residiu a maior parte de seu tempo após começar os estudos e onde exerceu muita influência. Estes estudos também foram benéficos, falando de nosso ponto de vista, por aproximar Calvino dos estudos da literatura clássica, grande influenciadora de seu pensamento.

“Contrariado com a novidade, eu ouvia com muita má vontade e, no início, confesso, resisti com energia e irritação; por que (tal é a firmeza ou descaramento com os quais é natural aos homens persistir no caminho que outrora tomaram) foi com a maior dificuldade que fui induzido a confessar que, por toda minha vida, eu estivera na ignorância e no erro”.

Não é possível precisar uma data para a conversão de Calvino, mas possivelmente tenha ocorrido por volta de 1530.Calvino não se converteu com facilidade. Ao contrário disso, ele próprio afirma que sua conversão fora duramente aceita e que acontecera da forma súbita, apesar de ter sido um processo marcado por lutas, dúvidas e inquietações. O súbito reconhecido por Calvino pode ser justificado em sua certeza de que Deus mudara o seu coração em determinado momento, conduzindo-o à salvação. Calvino diz não ter feito nada para sua salvação, mas ter sido efeito de uma ação causada por Deus através de sua Palavra. Ele não imaginava a possibilidade de ter sido salvo sem que Deus tivesse tido uma atitude inicial, a despeito de sua dureza. Aqui está, possivelmente, o gênesis da discussão sobre a predestinação.

Calvino era um homem tímido e recluso. Confessava ter vontade de passar a vida em algum lugar isolado, longe do convívio social e dedicado apenas aos estudos. Calvino jamais intentara ser um reformador ou alguém de significativa expressão, especialmente após sua conversão. A convicção de Calvino de que a glória pertencia a Deus e que ele deveria ser cada vez mais invisível, apesar de ativo, no processo divino, também favorecia seu desejado anonimato. O papel de reformador foi atribuído a Calvino não de acordo com seu desejo mais profundo. Pode-se dizer que o desejo por mudança e a inconformidade com o sistema de sua época o impulsionaram a fazer além do que desejava, tornando-o quem foi.

Em 31 de outubro de 1533, exatos 16 anos após a fixação das 95 teses de Lutero na catedral de Wittenberg, Calvino ouviu um sermão proferido pelo reitor da Universidade de Paris, Nicolas Cop, que possuía conteúdo baseado no evangelho suficiente para insultar os católicos ortodoxos. Seu discurso chocou os que o ouviam. Na data, Dia de Todos os Santos, Nicolas Cop pregou a Cristo como único mediador entre Deus e o homem. Para continuar vivo, Cop precisou fugir de Paris.

Como Calvino também estava envolvido de alguma forma no discurso de Cop, a perseguição estendeu-se a ele. Seus escritos foram confiscados e ele não mais podia permanecer em Paris. Refugiou-se em Basiléia, cidade natal de Cop, que também estava lá e lugar escolhido por Erasmo de Roterdã, o maior dos humanistas, para passar seus últimos dias.

Em 1536, ainda na Basiléia, Calvino publica a primeira edição das Institutas. Em 1542, este, dentre outros de seus escritos, foram condenados pela inquisição espanhola, sendo queimados em praça pública.

Durante sua estadia em Basiléia, Calvino ficou nas sombras. Segundo ele, ficara ali escondido, num lugar onde pouquíssimas pessoas o conheciam. Escreveu ali, porém, o que foi considerado o principal documento da teologia protestante do século XVI, as Institutas. Estas eram um tratado sobre o ensino básico da religião cristã, um escrito catequético. As Institutas tiveram sua primeira publicação em 1536 e, após várias revisões, alcançou sua versão definitiva em 1559. Esta publicação foi um sucesso absoluto de vendas. Sua primeira edição esgotou-se no primeiro ano, fazendo com que Calvino ficasse muito conhecido.

Ainda em 1536, buscando seu objetivo de refugiar-se do tumulto para descansar e estudar, Calvino ruma com sua irmã, Marie e seu irmão, Antoine, para Estrasburgo. Devido a uma manobra militar no caminho, Calvino e seus irmãos desviaram o caminho e pretenderam passar uma noite em Genebra, cidade suíça localizada na fronteira com a França.

Pouco antes da chegada deles em Genebra, a cidade havia abraçado a Reforma e decidido viver de acordo com a evangelho a despeito das ordens e dos abusos papais, através de Guilhaume Farel. Quando este tomou conhecimento de que Calvino estava na cidade, o insistiu com ele para que ficasse na cidade e o ajudasse a completar a recente reforma. O desejo de Calvino ainda era rumar para um lugar tranqüilo e dedicar-se aos estudos. Diante de sua veemente negação, Farel amaldiçoou Calvino para o caso de ele não atender à sua necessidade. Calvino cita este episódio da seguinte forma:

"A essa altura, Farel
(Ardendo com um zelo assombroso
Pela proclamação do evangelho)
Repentinamente uniu todos os seus esforços
Para manter-me ali.
Depois de ouvir
Que eu estava decidido
A prosseguir meus estudos particulares –
Quando percebeu
Que não chegaria a lugar algum com súplicas –
Chegou a ponto de amaldiçoar-me:
Que agradaria a Deus
Amaldiçoar meu lazer
E a tranqüilidade para meus estudos
Que eu estava buscando
Se em tão grave emergência
Eu me retirasse e me recusasse
A prestar auxílio e socorro?
Essa palavra arrasou-me tanto,
Que desisti da viagem
Que havia começado".
Desde então, apesar de nunca ter se sentido a vontade em Genebra, Calvino abraçou sua causa. Exerceu, basicamente, o pastoreio e o ensino. Seu catecismo e uma confissão de fé foram adotados pela cidade. Em Genebra, a vocação de Calvino ficou claramente exposta aos seus olhos e ele abraçou com todas as forças e temor que pôde.

Em abril de 1538, porém, Calvino e Farel foram expulsos de Genebra. Uma discordância acirrada com o conselho da cidade a respeito da disciplina adequada da igreja causou esta confusão.

Expulso de Genebra, Calvino retomou seu curso para Estrasburgo. Ali, viveu anos com os quais ele ficou muito grato. Exerceu o pastoreio, lecionou numa escola fundada por John Sturm, erudito francês da universidade de Paris, revisou as Institutas e editou uma versão três vezes maior que a primeira. Calvino ainda foi atuante nas tentativas de união entre as igrejas protestante e católica, que parecia ainda viável até certo ponto. Calvino deparou-se com uma cristandade tão fragmentada, que disse: “Entre os maiores males de nosso século deve ser contato o fato de que as igrejas encontram-se tão divididas entre si e de que mal há um relacionamento humano entre nós”. Finalmente, em Estrasburgo Calvino casou-se com Idelette de Bure, uma viúva anabatista convertida à fé reformada através de Calvino. Após sofrerem a morte de um filho ainda bebê, tiveram mais dois filhos. Idelette faleceu 15 anos antes de Calvino.

Após passar três anos em Estrasburgo, o povo de Genebra implorou pela volta de Calvino, pois as coisas na igreja haviam ido muito mal durante sua ausência. Relutante, devido à realização pessoal encontrada na cidade em que estava, Calvino cedeu e voltou a Genebra em 13 de setembro de 1541.

Sua volta foi marcada por dois pontos importantes: primeiro, apresentou ao conselho da cidade um plano para a ordem e o governo da igreja, que foi aceito por eles. Instituía os ofícios de pastor, doutor ou professor, ancião e diácono. Segundo, quando voltou ao púlpito que havia deixado, ao invés de fazer qualquer discurso que responsabilizasse seus ouvintes pelas mazelas criadas durante sua ausência, Calvino retomou seus sermões exatamente do último versículo e capítulo que havia parado há três anos. Esta atitude mostrava que a prioridade em seu ministério e vida era um compromisso responsável e verdadeiro com a Palavra de Deus.

Calvino permaneceu em Genebra até a sua morte, em 27 de maio de 1564. Sua saúde nunca fora estavelmente boa e seus últimos anos o marcaram com muito sofrimento por causa dela. Uma carta escrita por ele endereçada a médicos franceses que lhe prestavam cuidado dizia que ele sofria de artrite, pedra nos rins, hemorróidas, febre, nefrite, indigestão severa, cólicas, úlceras, emissão de sangue no lugar da urina.

Calvino morreu declarando a consciência de que não havia feito nada para o Reino de Deus. Por tudo o que fizera e considerava que tenha sido útil para a igreja, esperava por sua recompensa no céu. Disse: “é suficiente para mim viver e morrer para Cristo, que é, para todos os seus seguidores, um ganho tanto na vida quanto na morte”.


Chegar a uma síntese baseada no confronto destas tese e antítese não é tarefa fácil. A oposição é tamanha que as idéias parecem não encontrarem um ponto comum. Cabe a nós analisarmos os dois lados à luz das Escrituras e refletirmos sobre os mesmos, cientes de que as duas linhas de pensamento foram formuladas por homens piedosos e zelosos pela Palavra de Deus e pela reta doutrina, seja qual for a opção doutrinária que fizermos.

Vejamos um contraste entre o arminianismo e o calvinismo, baseado nos cinco pontos de cada doutrina.

Arminianismo: Livre Vontade
A teoria da Livre vontade do homem defende que este não perdeu a sua capacidade de inclinar-se a Deus e à sua boa vontade. Para os defensores desta idéia, o arrependimento e a fé de alguém é de sua própria autoria, atitude entendida como uma cooperação livre com o Espírito Santo.
Assim, os defensores da Livre Vontade pregam uma depravação parcial: o homem é inclinado ao pecado, porém não foi depravado a ponto não poder resolver inclinar-se a Deus.

Referências:

Jo 3.16
At 2.38
At 16.31
Rm 10.9


Calvinismo: Depravação Total

O homem não possui a mínima capacidade de inclinar-se a Deus, pois foi totalmente corrompido, depravado na queda, a ponto de perder a sua faculdade de autodeterminação em relação a Deus.
Quem prega a depravação total acredita que o homem nasce escravo de Satanás, inclinado para sua vontade, morto espiritualmente e cego para a instrução sobre as coisas de Deus

Referências

Rm 3.11-12
Sl 58.3
Jo 3.3
2Tm 2.25-26
Ef 2.2-3
ICo 2.14


Armianismo: Eleição CondicionalPara os arminianos, a eleição depende do arrependimento e da fé por parte do homem. A eleição estaria baseada no pré-conhecimento que Deus possui daquele que ouve a mensagem do evangelho. Deus sabe com antecedência que o indivíduo atenderá ao chamado divino e usará seu poder de decisão para a salvação para fazê-lo. Para eles, Deus não viola a condição de liberdade do homem, efetuando a obra da regeneração em sua vida apenas após este abrir para ele o coração e arrepender-se de seus pecados, crendo em Deus. A decisão do homem é ponto fundamental para a salvação.

Referências:

I Pe 1.2
Rm. 11.2
Pv 3.5
Mc 1.15


Calvinismo: Eleição IncondicionalA principal diferença neste pensamento é a idéia de que o homem não possui a capacidade de arrepender-se e gerar fé no próprio coração. O ato de gerar arrependimento e fé no coração de alguém é de iniciativa divina, que abre o coração do eleito e cria nele a capacidade de querer fazer a vontade de Deus; vontade esta que seria indesejável ao homem natural.
Quem defende este pensamento, diz que a eleição está baseada na soberania e livre vontade de Deus. Ele escolheu a quem quis, segundo o seu propósito, antes da fundação do mundo. Nesta teoria, a regeneração precede o arrependimento e a fé. Deus regenera o homem, capacitando-o a crer e a se arrepender para ser salvo. Assim, estes dois atos são inteiramente obra de Deus no homem.

Referências:

Jo 15.16
At 13.48
Ef 1.11
Rm 8.28
Jo 6.44
At 16.14
Is 55.11


Arminianismo: Expiação UniversalEste conceito diz que a expiação feita por Cristo alcança a toda a humanidade, tendo Jesus morrido por todos, sem exceção. O sangue de Jesus tornou-se a base para a oferta do perdão.

Referências:

Jo 3.16
1Pe 3.9
Jo 1.29
At 10.43
Jo 1.12


Calvinismo: Expiação LimitadaDiz que a salvação é somente para os eleitos. Ela não seria ofertada ao homem, uma vez que ele não é capaz de escolher ou não atender ao chamado divino. O principal norte deste raciocínio é o de se Cristo morreu por todos, todos serão salvos. Se somente os eleitos serão salvos, então Cristo morreu somente pelos eleitos. Para os adeptos da expiação limitada, somente os escolhidos são alvo da graça de Deus. Argumentam que somente é dito nas Escrituras que são amados de Deus os santos/eleitos.

Referências:

Jo 6.37
Jo 17.9
2Ts 2.13
1Ts 1.3-4
Cl 3.12


Arminianismo: A graça pode ser obstruídaOs arminianos defendem que Deus deseja salvar a todos, porém, este desejo pode ser obstruído pela vontade do homem, uma vez que este é capaz de decidir-se a favor ou contra (!) o chamado divino. A chamada ao evangelho é acompanhada pela graça suficiente (não eficiente) e universal, porém resistível.

Referências:

Jo 1.12
Jo 3.36
Jo 3.18-21
Jo 5.40
Jo 8.45


Calvinismo: Graça IrresistívelComo crêem que Deus elegeu os seus desde a eternidade, o chamado da graça soberana será feito de tal forma que o eleito incondicional e irresistivelmente se voltará para Deus. Deus dá a vida aos filhos, não força-os a crerem nele, segundo os calvinistas.

Referências:

Is 46.9-10
Is 55.11
Jo 6.37
Tg 1.18
Jo 5.21
At 11.18
Tt 3.5


Arminianismo: O homem pode decair da graçaO arminianismo defende que, já que o homem é responsável por escolher ser salvo, é a sua autodeterminação usada par escolher a Cristo, ele também é responsável por conservar-se salvo, mantendo a fé e a obediência. Neste pensamento, o homem pode ter aceitado a Cristo, sido também aceito e salvo por ele, mas por algum motivo desistir da caminhada cristã, decaindo da graça, perdendo-se novamente.

Referências:

Gl 5.4
Hb 6.4-6
Hb 10.26-27


Calvinismo: A Perseverança dos SantosComo para os calvinistas a salvação é um processo que depende totalmente de Deus, sem a intervenção do homem em qualquer parte, ela nunca poderá ser perdida. Os santos perseverarão até o fim, pois é Deus quem quer que eles perseverem. Nenhum eleito poderá ser arrebatado da salvação ou das mãos do Senhor. O contrário poderia ser uma afronta à soberania divina.

Referências:

Jd 24
2Tm 4.18
Sl 37.28
Jo 10.27-28
Rm 8.37-39


Vale ressaltar que o maior número de referências ao calvinismo em alguns pontos não se dá por preferência ou algo do tipo, mas por maior abundância delas no texto bíblico.

O calvinismo foi sustentado ao longo da história por grandes homens. Teólogos, pastores, missionários e até políticos. Já o arminianismo, foi a base do modelo de evangelização em massa do século XX, tendo achado também sustentação em muitos nomes de relevância no meio cristão/teológico, inclusive dos irmãos Wesley.

Fato é que as duas doutrinas merecem um exame cuidadoso e carecem de responsabilidade da parte do estudante em sua abordagem. Ambas podem conduzir a extremos perigosos e apesar do imenso desafio, deve-se buscar um equilíbrio sadio entre as duas.

Um dos maiores exemplos que podemos citar sobre uma opção saudável, responsável e sensata por uma das duas doutrinas é a de William Carey, um revolucionário missionário, que inaugurou o que entendemos hoje de missão transcultural. Carey enfatizou determinadamente a predestinação. Isso, porém, não foi empecilho para que chamasse a todos para o arrependimento e a fé em Cristo, revolucionando o mundo com sua evangelização e com suas obras, certo de que o fato de Deus escolher previamente os seus, conforme concordava, não o eximia da responsabilidade de pregar o evangelho. Assim como também o apóstolo Paulo, no qual se encontra grandes bases para a defesa da doutrina da predestinação e que disse reconhecer imensa responsabilidade com a pregação do evangelho.

Recentemente ouvi o Rev. Augustus Nicodemus Lopes, chancheller da Universidade Mackenzie e pastor presbiteriano, detentor de um currículo acadêmico invejável, explicar a um grupo pequeno de irmãos sobre esses dois pontos discordantes. Em tom de descontração, ele disse que todo crente de joelhos é calvinista. Afinal, ninguém ora a Deus e dá graças a si mesmo por ter se decidido por Cristo, aceitado a salvação e agora, tendo feito bom uso de seu livre arbítrio, poder adentrar aos céus. Antes, agradecemos a Deus e o louvamos por ter nos escolhido e revelado seu filho em nós. Já de pé, esse mesmo crente calvinista prega o evangelho ao seu colega de trabalho, convidando-o ao arrependimento e à conversão, mostrando-lhe como é responsável diante de Deus por seus pecados. Portanto, todo crente em pé é um arminiano!

Devemos de fato buscar o equilíbrio que nos garanta uma doutrina bíblica e também uma prática bíblica e responsável para com o não-cristão, alvo do amor de Deus. Que o Senhor ilumine a cada um de seus filhos que, zelosa e responsavelmente aventurarem-se a investigar sobre estes ensinamentos. Que os moldes nos quais a igreja brasileira e latino-americana foram formadas não sirvam de “gesso” para o pensamento de nenhum de nós e que da mesma forma, a isenção do envolvimento humano no processo de salvação defendido por Calvino não seja usado de guia ou motivador à libertinagem de ninguém. Isso certamente seria irresponsável, insensato e infiel ao que Calvino tanto esforçou-se por ensinar e ao que as Escrituras nos convidam a fazer.

4 comentários:

Gama ribeiro disse...

eu só não entendo como que esses pastores, que fizeram teologia e outros doutorados, não conseguem harmonizar predestinação com livre arbítrio.

Gama ribeiro disse...

como eu falei antes, eles não conseguem harmonizar estas doutrinas, e certo que há um contraste muito grande entre ambas doutrinas.
Mas é justamente isso que nos leva a entender, que há uma forma das duas se harmonizarem.
Primeiro tanto Armínio, como Calvino. Estão errados, isso é difícil de muitos aceitarem, porque para os homens esses grandes teólogos são donos da verdades. Tanto é que o que eles fazem é aumentar o contraste que há.
Qualquer evangélico que venha falar o que estou falando, é bobagem para muitos.
Mas o que digo é; A predestinação que há na bíblia jamais, anulou o livre arbítrio do homem.
E Deus não predestinou ninguém para vida eterna, antes da fundação do mundo. Isso é falta de espiritualidade.
Deus predestinou antes dos tempos eternos,uma nação para vida eterna
Mas ele não predestinou indivíduos antes da fundação do mundo,
Por Isso eles não veem e ficam sem entender, Predestinação, livre arbítrio, eleição, e graça. Pois todas estão unanime no mesmo propósito.

Gama ribeiro disse...

Deus, Predestinou seu povo antes da fundação do mundo. Porém, não predestinou indivíduos.
Ele mesmo disse que seus filhos nasceram todos de uma só vez. Ou seja a terça parte da humanidade esta destinada para vida eterna. E diz que; Todos nós que estamos sendo chamados para sermos de Cristo, desse numero fazemos parte.
Agora, hoje pela eleição de sua graça, os indivíduos que formam essa nação estão sendo eleitos, recebendo em si, o espirito de adoção.
estas coisas estão ocultas dos grandes mestres, que buscaram o que é de Deus, nas universidades, por isso não alcançaram a sabedoria que vem de Deus.

gilsontaf disse...

Deus predestinou toda humanidade e todos oa anjos para salvação. Predestinar na Sagrada Escritura não quer dizer fatalismo, mas sim q no seu projeto de amor fomos feitos para. viver na comunhão. Só q somos livres para viver ou negar essa predestinação. A predestinação só existe para salcação e nela todos estão inclusos. A negaçãoé fruto do livre arbitri, atitude deliberada e não uma vontade Divina, q pelo contrário quer a salvação de todos. Calvino é perdido nas ideias, confuso e cai com isso em heresia, não entendendo o inefável designio de Deus. Tenta ele ao contraruo de Pedro o qual o Espirito Santo revela verdade, tirar conclusões oriundas do sangue e da carne. Conclusões pessoais e equivocadas.