sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

II Ts 2: A principal arma do diabo contra o crente

Neste capítulo da segunda carta aos tessalonicenses, Paulo revela sua principal motivação parar escrever àqueles irmãos. Um erro escatológico (a respeito das últimas coisas) rondava a mente dos de Tessalônica. Sua compreensão dizia que Jesus voltaria muito rapidamente, o que o próprio Paulo quer ali combater.

Essa impressão não era rara naquele tempo. Quando Jesus subiu aos céus, muitos imaginavam que suas palavras de que voltaria diziam respeito a um tempo muito próximo. Talvez alguns até tenham confundido sua fala em Mc 9, que disse que muitos daquela geração não morreriam sem terem visto chegar o reino de Deus. O reino, porém, era chegado com a pregação, morte e ressurreição de Cristo. Também é possível que uma escatologia exageradamente antecipada tenha motivado os irmãos da igreja de Jerusalém a se desfazerem de seus bens materiais em prol do bem comum. Isso não anula sua voluntariedade, abnegação e solidariedade, mas explica um pouco a má administração daqules recursos. Algum tempo após as doações relatadas no início de Atos, uma fome assolou aquela região e suas proviões não lhes foram suficientes. Mais adiante, ainda em Atos, vemos Paulo colhendo ofertas para aquela igreja que em outro momento tinha recursos em abundância.

Compreender a fé da maneira correta é fundamental. Esse pequeno erro doutrinário poderia produzir sérios prejuízos à vida daquele povo, por isso Paulo os exorta. Tento resistir a citar mais exemplos, pois o parágrafo anterior já foi maior que o pretendido. Mas cedo a falar sobre mais dois: em 70 d.C., Jerusalém foi totalmente destruída pelo exército romano comandado por Tito. Muitos acreditaram que aquele era o tempo da perdição e apostasia que Jesus e os apóstolos preveram, e acharam que a volta do mestre era iminente. Desde 64 d.C., com o imperador Nero, a igreja já sofria grande perseguição. O máximo de paz que se experimentou dali até o século IV, foram alguns intervalos de até 10 anos, seguidos de novas e intensas dificuldades. Em 313, com a conversão do Imperador Constantino, o cristianismo é aceito em todo o Império, através do Edito de Milão. Para muitos cristãos daquele tempo Jesus estava mesmo às portas, pois o fim da perseguição era quase o paraíso.

Enfim, o esclarecimento feito por Paulo neste texto é bem pertinente. Ele diz que a volta de Cristo deveria ser precedida por uma grande apostasia e pela manifestação de um "homem do pecado ou filho da perdição", o anticristo. E isso será um evento claro, como entendemos pelo restante das Escrituras. Principalmente nos versos 2.1-12, Paulo explica sobre isso e tenta acalmar os ânimos escatológicos dos tessalonicenses.

Os versos 2.1-2 justificam em boa parte sua motivação para prestar tais esclarecimentos. Dizem:

"Ora, irmãos, quanto à vinda de nosso Senhor Jesus Cristo e à nossa reunião com ele, rogamo-vos que não vos demovais facilmente do vosso modo de pensar, nem vos perturbeis, quer por espírito, quer por palavra, quer por epistola, como se procedesse de nós, como se o dia de Cristo já tivesse cheegado".

Para ser bem breve, entendamos que os termos espírito/palavra/epístola, referem-se respectivamente a falsas profecias, ensinos de falsos mestres e cartas falsas escritas em nome de Paulo e/ou de outros apóstolos. Para combater essa última possibilidade, notem que Paulo deixa uma marca pessoal facilmente reconhecível por seus destinatários, mostrada em 3.17. E tudo isso chama a atenção para o tamanho esforço feito por alguma entidade para que o povo de Deus fosse enganado. Percebam que qualquer que tenha sido o meio, o fim era o mesmo: uma deturpação doutrinária sutil na mente daquele povo. E que arma poderosa isso é!

É bem mais fácil pregarmos o evangelho a um incrédulo do que a um crente enganado. Se alguém julga conhecer a Deus, mas está no engano, seu coração está mais fechado do que nunca. Afinal, julga conhecer a verdade, não sendo necessário que se lhe pregue ou ensine nada novo. Não foi assim que pensaram e nessa pauta agiram os fariseus e demais religiosos judeus na época de Jesus encarnado?

O engano na nossa mente é uma empreitada para a qual Satanás não deixa de dar atenção. Afinal, ao nos tornarmos cristãos, via de regra, fechamos as portas da nossa vida para os principais pecados. O adultério, o roubo, a fornicação, a desonestidade, o engano, etc., são males tão claros para nós que passam a ser evitados com intensidade. Mas algo disfarçado de um bom ensino, ainda que com conteúdo prejudicial, pode ser fatal à nossa fé. E é por aí que somos facilmente minados. Por essa porta entrou a teologia da prosperidade, o exagero sobre a batalha espiritual, a confissão positiva, o "tomar posse" ou "determinar" isso ou aquilo. E tudo disfarçado de boa doutrina, sob as peles de um ensinamento cristão. Mas que na verdade mais afasta-nos da Palavra de Deus do que dele nos aproxima.

Você quer pensar em batalha espiritual? Pense nessas investidas de Satanás. Logicamente, não estou te incentivando a desconsiderar a ação de demônios. Mas ao menos na vida da igreja, não vejo haver outra possível porta de entrada mais acessível que esta. E como combatê-la? Oração e jejum, sim, mas principalmente estudo e dedicação ao conhecimento sólido da Palavra de Deus. Com ela, fortalecemos nossa fé e nos preparamos para resistir às flechas inflamadas do maligno. Flechas essas que podem incendiar nossa boa doutrina e plantar outra coisa estranha no lugar, caso não estejamos seguros.

Esforcemo-nos por conhecer a Deus. E reconheçamos que isso se dá por meio de sua palavra. As profecias podem ser falsas. Assim como muitos escritos, livros e até a pregação que pode ser feita em nossas igrejas vez ou outra. Mas a Palavra de Deus não muda e é 100% confiável. Dediquemo-nos diaraiamente a ela, e certas investidas de Satanás contra nós jamais acharão lugar.

Graças a Deus.

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