segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

I Tm 5: Quais cargos devem existir na igreja?

As cartas de I e II Tm e Tt são chamadas de cartas pastorais, pois são escritas a líderes de igrejas e contém orientações sobre como presidir suas congregações. No caso de I Tm, o destinatário da carta estava em Éfeso e ali era um jovem pastor comissionado pelo próprio Ap. Paulo para, inicialmente, resovler algumas questões doutrinárias controversas (1.1-4).

No capítulo 3 dessa primeira carta, o autor fez uma descrição de quais são as qualidades para que alguém exerça a função de bispo ou diácono na igreja. E agora, no cap. 5, ele instrui sobre a postura que a igreja deveria ter ao cuidar de um grupo de algumas pessoas em necessidades, na primeira parte (5.1-16), e dá conselhos diretos sobre os presbíteros da igreja. A esta altura, vale a pena voltarmos nosso olhar para a forma de organização da igreja primitva, pois assim compreenderemos melhor este e outros textos.

Apesar de vermos um padrão de liderança eclesiástica no Novo Testamento, não podemos inferir que não seja permitido instituir outros cargos diferentes dos que ali aparecem. Como veremos agora, há apenas 3 cargos na igreja primitiva, sendo que a maioria dos que conhecemos hoje poderiam se encaixar em 2 deles.

O primeiro desses cargos é o de Apóstolo. E nesse caso, é uma nomeação que não mais deve ser feita, pois os pré-requisitos para se exercer tal ministério já não podem ser preenchidos. Os Apóstolos eram assim considerados caso tivessem visto Jesus ressurreto em pessoa e fossem diretamente comissionados por ele. Portanto, não há mais legalidade bíblica para que ninguém se denomine apóstolo hoje. Os que o fazem, mais estão manifestando seu orgulho, ao reivindicarem para si uma autoridade tão grande quanto a do Apóstolo Paulo, por exemplo (!!!), do que se prestando a um serviço em prol do evangelho. Algumas referências básicas para fundamentar isso: At 1.22; 1.2-3; 4.33; Mt 10.7.

O segundo cargo, e em ordem hierárquica, é o dos presbíteros. Esse nome também pode ser entendido como bispo ou pastores, e designa alguém que governava a igreja, a presidia. Os requisitos para se exercer tal tarefa estão relacionados na própria carta a Timóteo, no capítulo 3. Várias referências fundamentam que os presbíteros poderiam exercer as tarefas de liderança e de ensino, que estão intimamente ligadas no Novo Testamento. Seguem algumas: I Tm 5.17; I Pe 5.2-5; I Tm 3.2-7; Ef 4.11; Tt 1.9.

O terceiro cargo é o de diácono. A palavra diácono significa servo e não é um termo exclusivamente cristão. Alguém com boas condições financeiras na época dos apóstolos poderia ter um diácono contratado, dentre outros servos. Eles têm sua instituição narrada em At 6, apesar de uma pequena polêmica que cerca a tradução daquele texto. Ele não usa o termo diácono para se referir aos que foram eleitos para servirem às mesas, mas sim um verbo relacionado, que designa serviço mesmo. Sua função ali atribuída é muito coerente com as responsabilidades que são sugeridas em I Tm 3.8-13, portanto parece correto entender que o texto tratava mesmo de diáconos nesse sentido, ainda que eles possam não ter recebido tal título num primeiro momento.

O Novo Testamento difere claramente o presbítero/bispo do diácono, mas não especifica com tanta clareza qual a função desse segundo servo. Pelas qualificações que lhe são exigidas no texto I Tm 3, podemos inferir que eles ocupavam cargos de confiança nos quais serviam. Possivelmente tivessem alguma função administrativa, podiam lidar com o dinheiro da igreja e ainda trabalhar aconselhando os irmãos, além de executar o cuidado material ao qual a igreja se prestava a prover.

Na igreja primitiva, estes são os cargos oficiais encontrados no Novo Testamento. Há uma longa lista de ministérios em Ef 4 e ainda em Rm 12.6-8 e I Co 12.1-11, mas esses não são considerados oficiais da igreja. Por oficiais, entendo em concordância com Wayne Grudem, autor de uma Teologia Sistemática muito respeitada (a qual consultei muito para escrever este texto), que se trata de "alguém publicamente reconhecido como detentor do direito e da responsabilidade de desempenhar certas funções para o benefício de toda a igreja". Estes cargos deveriam ser confiados com responsabilidade (I Tm 5.22) e hoje não deve ser diferente.

Entendendo isso, exerceremos nosso serviço ao Senhor com mais consciência e saberemos discernir o que é bíblico e o que é invenção de moda ou soberba. Sobre outros ministérios, escrevi um texto que pode ser útil (clique aqui). Não é necessário que nos sejam confiados cargos/títulos para servirmos a Deus. Porém, caso isso tenha acontecido, saibamos que as responsabilidades dos que recebem tal confiança é maior. E que o Senhor nos abençoe para o servirmos e à nossa igreja com responsabilidade, dedicação e excelência.

Nenhum comentário: