domingo, 26 de fevereiro de 2012

I Tm 4: Hipocrisia, doutrinas de demônios e o caminho correto

Os primeiros 5 versos deste capítulo tratam de um tema que é comum a Paulo (I Tm 4 e II Tm 3) e coerente com outros trechos do Novo Testamento: o de que nos dias que antecedem a segunda vinda de Cristo, o amor de muitos se esfriaria e a impiedade, diretamente associada à corrupção do homem aumentaria. A impressão é a de que quando Jesus buscar o seu povo, a humanidade se encontrará em seu momento mais corrompido de toda a história, deixando aqueles que gritaram "crucifica-o" no chinelo.

O que se destaca, ao menos aos meus olhos, nessa advertência de Paulo, são os seus personagens principais: líderes religiosos corrompidos. Paulo classifica esses homens como "espíritos enganadores" e as suas doutrinas como "doutrinas de demônios". Sua conduta, ainda segundo o Apóstolo, é uma conduta hipócrita, por ensinarem mentiras com consciência do que fazem, mas com essa consciência cauterizada, ou seja, sendo incapazes de sentir o peso de seu erro.

Paulo diz que suas doutrinas proibiriam o casamento e ordenariam a abstinência de determinados alimentos "que Deus criou para os fiéis, e para os que conhecem a verdade, a fim de usarem deles com ação de graças" (4.3). Esses são problemas que já eram conhecidos de Paulo naquela época e foram tratados, por exemplo, na igreja de Corinto. Mas, no final dos tempos, tudo se agravaria ainda mais.

Muito me dói, mas muito mesmo, ver como determinados líderes religiosos tem seguido esse padrão hoje. Pessoas discaradamente enganam o povo com objetivos egoístas, mesquinhos, gananciosos. Outro dia um vídeo me deixou pasmo, e reproduzo o mesmo logo abaixo. Aliás, o que contém nele é o mais próximo que eu já ouvi falar de "doutrina de demônios". Veja:


No caso dos dois líderes que protagonizam essa briga aí, um é dissidente da igreja do outro. E, para falar com toda a sinceridade, essa mulher deve estar possessa sim. Mas não pelo demônio que supostamente fala ali através dela, mas por outro que poderia concorrer ao oscar. Na minha opinião, e sei que julgo a outro e, por consequência, me coloco sob o mesmo peso de julgamento (Mt 7.1-2), isso aí é a "hipocrisia de homens que falam mentiras e têm cauterizada a própria consciência" (3.2).

E como reagimos a isso tudo? Fazendo exatamente o que Paulo também recomenda a Timóteo no decorrer do capítulo 4. Perseverar na doutrina correta, bíblica e sadia; perseverar no aprendizado, na exortação aos irmãos e no seu ensino, o que, também segundo este texto, salvará a nós mesmos e aos que nos ouvem. A reação correta à apostasia demonstrada por aqueles que se dizem líderes cristãos não é a decepção com a igreja seguida do afastamento dela. Mas o exercício religioso/cristão sincero e verdadeiro.

Ainda como aprendemos com o Apóstolo Paulo, há melhor maneira de combater a mentira do que pregando e vivendo a verdade? Não acredito. Portanto, a despeito da apostasia de muitos - e até por causa dela, persistamos em viver um evangelho verdadeiro. O Senhor nos prosperará e abençoará nessa caminhada, pois é ele quem se agradará de nossa postura.

Um comentário:

Anônimo disse...

Muito bom texto, seria cômico se fosse trágico.Alguns "líderes" envergonham a igreja, mas Deus não desiste dela e tem gente boa por ai.Graças a Deus.
Abraços
Greize