sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

I Tm 3: O que preciso para servir a Deus?

Neste capítulo, Paulo dá claras e diretas instruções sobre a instituição dos diáconos e sobre as características que devem preceder a vocação ou o desejo pelo "episcopado", que podemos entender num contexto mais comum como ministério pastoral.

Já concluí há muito que, para servir a Deus, não é necessária qualquer habilidade específica. Para ser um matemático é preciso habilidade lógica, da mesma forma que não se faz um advogado sem um poder argumentativo. Já para servir a Deus, não há exigências de habilidades. Diferentemente de um matemático ou de um advogado, de quem se exige tais características, o servo de Deus precisa corresponder a exigências éticas e morais, o que aqueles dois não precisam. É possível haver um matemático e um advogado corrupto, mas não um servo de Deus. No reino de Deus, portanto, o que se é tem muito mais valor do que o que se faz.

Essas exigências a serem correspondidas ditam um padrão de caráter, que tem como modelo o próprio Cristo e como objetivo o estado de irrepreensibilidade, como Paulo diz a Timóteo (3.10). É uma exigência altíssima e, não fosse a ajuda do Espírito Santo, poderíamos desistir desde já.

Dentre todos os requisitos, que são muitos, alguns chamam a atenção pela forma como são tão facilmente negligenciados hoje em muitas situações. Ser preciso ter boa aceitação dos de fora, por exemplo, é algo que muitos não se preocupam em cultivar. Pastores se atacam em rede nacional, na tv aberta, aparentemente sem a mínima preocupação com aquele não-cristão que pode estar assistindo-o. Muitos mantém seus programas chamados evangélicos, falando todo o "crentês" comum ao seu meio e o telespectador que o entenda. A preocupação com "os de fora" é mínima ou nenhuma, nesses casos.

As instruções desse capítulo são voltadas principalmente a pastores e diáconos, mas obviamente não somente a eles. Tudo é recomendável e aplicável a todo cristão sério. E indispensável a quem exerce tais funções. Contextualizando um pouco, podemos entender que tais recomendações são válidas a todo o que pretende servir a Deus, principalmente. Afinal, pastores e diáconos naquele tempo, englobavam todos os cargos que exisitiam na igreja organizada. Portanto se hoje queremos exercer qualquer atividade eclesiástica e com ela servir a Deus, vale atentar para este capítulo.

E gostaria que nos voltássemos para uma direção específica de Paulo ali. A de que os dois grupos ou, no nosso contexto e entendimento, todos os que servem ao Senhor, devem governar bem as suas casas. É uma orientação que se repete (3.4 e 12). Não ter a sua casa em ordem e querer cuidar da igreja é tratado como incoerência, e de fato o é (3.5). Mas como isso se aplica a quem é jovem, solteiro e deseja servir a Deus?

O princípio é que nossos relacionamentos familiares estejam em ordem. Se não sou o governante da minha casa hoje, preciso entender que a recomendação para mim enquanto servo de Deus é ter de forma bem tranquila um bom relacionamento com meus pais, irmãos, família. Isso é inegociável. Afinal, se a minha casa não está em ordem, como posso querer ordenar as coisas na casa de Deus? É esse o princípio claro em 3.5.

Preocupemo-nos com isso. É hipocrisia a nossa casa estar uma bagunça e querermos consertar a casa do Senhor. Nossos relacionamentos familiares estarem frustrados e nos dispormos a ajudar os irmãos na igreja. Se esse for o caso, primeiro precisamos de ajuda. A não ser que algum conflito ou qualquer situação ruim já tenha recebido todo cuidado e preocupação nossa e, ainda assim, a situação persiste - por responsabilidade real de outro, devemos primeiro resolver isso. Então com coerência e autoridade, livres desse embaraço, serviremos com excelência.

Que Deus nos abençoe, direcione e capacite para termos em ordem a nossa própria vida e depois sermos usados plena e excelentemente por ele.

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