quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

I Tm 1: Paulo, Timóteo e os seminaristas

Primeira carta do Apóstolo Paulo ao seu possível discípulo mais jovem, Timóteo. Cuja juventude, inclusive, não era empecilho para um bom empenho e desempenho na obra de Deus, pois o jovem pastoreava a comunidade de Éfeso e era instruído de perto por Paulo.

A temática da carta é comum a tantas outras: Paulo está combatendo falsas doutrinas que surgiram naquela igreja. Dessa vez porém, as mazelas não são externas. Surgiram no próprio seio da comunidade e os que a propoagavam, que não são muitos (I Tm 1.3 diz que alguns a disseminavam), eram os próprios líderes presentes naquela cidade. O Apóstolo adverte quanto à sua doutrina e incentiva Timóteo a ser duro para com eles. Afinal, uma falsa doutrina para as ovelhas é veneno dado ao rebanho por alguém que não é pastor delas.

A doutrina corrompida que passava por ali tinha características judaizantes e gnósticas. Em outro momento falamos em detalhes sobre o gnosticismo. Caso sinta-se a curioso, o incentivo a fazer uma breve busca e ler um pouco. Essa mistura doutrinária estava levando características legalistas e místicas ao evangelho dos efésios. À medida que essas características forem sendo trabalhadas pelo texto, as abordaremos. Por hora, quero focar em outro ponto.

Você já se deparou com alguém que gosta de discutir minúcias (chatas e irrelevantes) da fé? Eu já. E como! Certa vez, um grupo de amigos estava preocupado em concluir se o corpo glorificado de Jesus era capaz de processar alimentos. Acho que, em outras palavras, eles queriam saber se Jesus tinha que fazer o número 2 depois de ter sido glorificado. Isso porque ele comeu peixe com os discípulos após a ressurreição. Então, para onde ia aquele alimento. Pode isso? E esse é um de muitos outros exemplos. Lembro-me de uma discussão que dizem ter sido pauta na época da escolástica, que buscava descorbrir quantos anjos caberiam na cabeça de um alfinete.

Há pessoas que tendem a se inclinar a esse tipo de discussão estéril. E eu gostaria de entender o motivo, sinceramente. Não vou especular aqui, mas de fato me intriga. Os versos 3-4 do primeiro capítulo dessa carta nos deixam claro qeu Timóteo também precisava lidar com essa característica naquela igreja:

"Como te roguei, quando partia para a Macedônia, que ficasses em Éfeso, para advertires a alguns que não ensinassem outra doutrina, nem se ocupassem com fábulas ou com genealogias intermináveis, que antes produzem controvérsias do que o serviço de Deus, na fé".

Ainda diz o verso 6: "Alguns se desviaram destas coisas (elementos básicos da fé) e se entregaram a discursos vãos".

Tentei fotografar uma anotação da minha Bíblia sobre os versos acima, mas a foto não ficou boa. Perguntei a mim mesmo, ironicamente, se havia seminaristas em Éfeso. Lembrando que eu já fui um e sempre serei um estudante de Teologia, se o Senhor o permitir. Mas, já percebeu como muitos estudantes de Teologia gostam de se deedicar a polêmicas, como o povo daquela igreja estava fazendo? Não poucas vezes adverti a amigos queridos que não entrassem em determinados méritos no meio teologicamente leigo, pois apenas produziriam discussões vazias e divisões.

Sinceramente, qual a finalidade de se discutir sobre o poder ou não poder fazer isso ou aquilo? Voltamos à lei, por acaso? Qual o fim da discussão sobre Gênesis 6, sobre os gigantes/anjos/filhos de Deus/etc.? Para quê se dedicar a entender toda a hierarquia do inferno, sob a justificativa ridícula de que isso é importante para se "batalhar espiritualmente"? Entender que no nome de Jesus, segundo a Palavra de Deus, todo demônio deve obedecer, me é suficiente. Enfim.

Como bem disse o Apóstolo Paulo, tais coisas mais dividem que produzem algo bom. Mais espalham do que ajuntam. Já vi pequenas discussões dessas, às vezes até sobre temas mais coerentes, como a eleição, terminarem em brigas e divisões. E com qual propósito? De se provar um ponto de vista, de ganhar a razão num debate tolo? Há mais com o que nos preocuparmos no reino de Deus.

Ainda seguindo o raciocínio de Paulo, ele diz que muitos que se arriscavam a fazer interpretações erradas da lei sequer entendiam o que de fato ela dizia. Quando levantamos algumas dessas discussões, será que o fazemos com um conhecimento bíblico relevante? Já sabemos tudo o que precisamos, a ponto de termos tempo disponível para gastar com isso? Acredito que não.

Há muito para se fazer para o Senhore em prol do seu reino. Há muitas discussões relevantes sim, mas que devem ser feitas da maneira e no momento/lugar certos. Por hora, preocupemo-nos em edificar a nossa fé e a do nosso próximo. Pois o fim daquelas coisas, como nos mostra o exemplo dado por Paulo no final deste capítulo, é o naufrágio na fé. Não nos percamos em meio a tolices, mas busquemos a Deus, produzamos bem para o crescimento do reino e nos informemos sobre o que precisamos entender de fato: Deus, sua revelação a nós e sua Palavra.

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