quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Fp 3: Os cães, os maus obreiros e os legalistas

Terceiro capítulo de Filipenses. E aqui, o Apóstolo amigo de seus destinatários lhes faz uma advertência contra três grupos de pessoas, que ele classifica como cães, maus obreiros e os da "falsa circuncisão". Devido à advertência específica contra o legalismo presente no mérito dos que se gloriavam por terem a circuncisão na carne, conclui-se que o último grupo refere-se a um grupo legalista.

Devemos ser extremamente cautelosos com esses três grupos, pela orientação de Paulo. E cada um por uma razão específica. O primeiro grupo, dos "cães", é composto por homens de coração maligno, que fecharam seus ouvidos e entendimento para o evangelho. O próprio Jesus usou o mesmo tratamento para estes sujeitos, no sermão do monte (Mt 7.6). Ele disse para não jogarmos pérolas aos porcos ou darmos aos cães as coisas santas, referindo-se à pregação do evangelho. Há um grupo de pessoas com o coração tão fechado, que a orientação do Senhor é para que não lhe preguemos o evangelho. Parece muito duro, mas é assim mesmo.

O segundo grupo surpreende já pela sua existência. Existem obreiros, pessoas que estão dentro da igreja mas que possuem um coração maligno, e devem ser evitados. Considero que o pior tipo de pessoa para se conviver é alguém que se passa por religioso, ou o é apenas no discurso. Esses aparentam piedade, devoção e sinceridade; entendem ou deixam entender que possuem a verdade na sua prática, estando muitas vezes certos disso, mas estão mais perdidos que qualquer outro pecador não religioso. Muitos desse grupo usam a religião para alcançar seus objetivos egoístas. Se há uma forma de garantir a perdição é perder-se pensando estar achado. E um falso religioso cai nesse sério e contagioso engano.

O terceiro grupo, a quem Paulo dedica a maior parte do capítulo, assemelha-se ao segundo. São pessoas que pensam ser dignas de algum mérito diante de Deus através de suas obras. Se foram circuncidados, marcaram um ponto. Se praticaram boas obras, outro. E assim, mérito por mérito, esforço por esforço, boa obra por boa obra, anulam a cruz de Cristo. A graça presente no evangelho é justamente pelo fato de não merecermos o que nos é oferecido. Se nos achamos capazes de tornarmo-nos dignos de algo diante de Deus, estamos dizendo que o sacrifício de Jesus foi desnecessário. E não queremos cometer tal erro grosseiro.

Dois de três grupos de pessoas com as quais devemos ser cautelosos são religiosos. Isso deve nos advertir e provocar uma reflexão pessoal. Será que em algum ponto nos assemelhamos com qualquer deles? Ao fazermos algo bom, como por exemplo prestar assistência social ou evangelizar alguém, pensamos que temos crédito com Deus e logo nos sentimos confiantes o suficiente para lhe pedir algo? Ou temos sustentado uma imagem religiosa, mas nosso coração está voltado para os benefícios que essa imagem pode nos oferecer em vida? Se em qualquer desses erros, temos sido achados indignos do reino de Deus.

Uma vez que conhecemos a Cristo, devemos nos sujeitar a ele, reconhecendo sua soberania, nossa indignidade, seu senhorio sobre nós e nossa dependência dele. Assim, construiremos uma fé verdadeira e sadia. Caso contrário, corremos o risco de passar do estado de salvação para o perdição, mesmo achando estarmos na luz.

Que o Senhor nos preserve e aumente a fé diariamente. Que nos esforcemos para isso. E, se identificarmos em nosso meio alguém que se encaixa em qualquer dos grupos citados pelo Apóstolo, que tenhamos amor suficiente para orarmos por essas pessoas e lhes prestar ajuda para encontrarem o caminho certo. Mas, como fomos advertidos, com os olhos abertos e atentos.

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