terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Fp 2: Servindo, como Jesus o fez

No segundo capítulo desta carta, Paulo mantém o tom pessoal. No seu final fala da esperança que tem de ainda ver os filipenses, do desejo de receber Timóteo, que lhe levaria notícias daquele povo e ainda justifica ter enviado Epafrodito a Filipos. A sinceridade que dá o tom da carta é bem demonstrada aqui. Paulo escreve mesmo como que a amigos.

O princípio do capítulo contém um dos trechos que mais admiro no Novo Testamento. Se precisarmos de um texto básico para afirmarmos que devemos servir ao próximo e que nossa vida cristã em muito está pautada nesse serviço, o texto de Fp 2.1-11 é perfeitamente cabível. Não irei transcrevê-lo aqui, mas como sempre, escrevo pressupondo que você, amigo leitor, tem seguido a leitura bíblica proposta aqui no blog. Se não for o caso, leia a referência acima e depois termine este texto.

Os versos citados dizem que devemos ter o mesmo modo de pensar, amor e ânimo, vivendo em unidade. E nos orienta a servirmos ao próximo, honrando-o e visando não somente nossos interesses pessoais, mas os interesses dos outros. E a vida de Jesus é o exemplo usado para nós. O texto diz que ele, sendo Deus, não teve isso como algo a que deveria se apegar, mas esvaziou-se da sua glória e obedeceu ao seu propósito até a cruz, em prol da nossa salvação. Jesus abriu mão de si mesmo por nossa causa e nós devemos fazer o mesmo por nossos irmãos.

A orientação bíblica, só para variar, vai na contramão do que estamos acostumados a ver nos contextos mais comuns. Diria que vai na contramão do mundo, mas é fato que em muitas (para não dizer na maioria) das nossas igrejas, a realidade é a mesma, nesse sentido. A maioria busca o que é seu e não se preocupa o mínimo com o próximo. Entre sofrer ou causar um prejuízo, muitos preferem causá-lo. Entre honrar ou ser honrado, o mesmo. E assim vamos vivendo um "cristianismo" que mais está para um conjunto de padrões morais e/ou normas que devemos seguir, mas que não reflete de fato o ensinamento do evangelho e de Cristo.

Não há vida cristã sem serviço. E não há vida cristã sem abrir mão de si mesmo, como Jesus fez nos dando o exemplo. Servir exercita em nós a humildade, essa virtude rara e difícil de ser alcançada. Servir nos disciplina a reconhecer o senhorio de Cristo, pois nos lembramos que ele se fez o menor, mas que foi assim, pelo Pai, feito o maior. O Senhor nos lavou os pés. Serviu-nos à mesa. Morreu em nosso lugar, pois merecíamos a condenação. E o que temos feito pelo nosso irmão?

Se a cruz de Cristo nos traz uma mensagem clara, é a de que nossa vida não deve ser tão preciosa para nós mesmos. A cruz nos diz que a vida de Cristo foi totalmente dada em nosso favor e nos remete à responsabilidade de também entregar a nossa vida por amor dele. E isso faremos através do amor e do serviço àqueles que, assim como nós, são alvos do amor de Deus.

Este é o segundo texto sobre Filipenses. E seu teor me leva a concluí-lo da mesma forma que o primeiro: "Ele morreu por todos, para que os que vivem não vivam mais para si, mas para aquele que por eles morreu e ressuscitou" (II Cor 5.15).

3 comentários:

Anônimo disse...

Nivton,quanto a famosa passagem que diz que Deus realiza tanto o querer quanto o efetuar,eu sempre fiquei meio confuso em relação a ele..Já ouvi muitas coisas diferentes em pregações,do grego como funciona a semântica dessas duas palavras : 'querer e efetuar' ..valeu..!
Túlio Borel

Anônimo disse...

Nivton,quanto a famosa passagem que diz que Deus realiza tanto o querer quanto o efetuar,eu sempre fiquei meio confuso em relação a ela..Já ouvi muitas coisas diferentes em pregações,do grego como funciona a semântica dessas duas palavras : 'querer e efetuar'?! ..valeu..!
Túlio Borel

Nivton Campos disse...

Grande Túlio!

Cara, me perdoe a demora para responder. Marquei seu comentário como não lido e demorei mto para re-acessá-lo.

A tradução do grego é a mais simples e direta mesmo. As palavras são "thelo" para querer e "energeo" para efetuar. As traduções mais comuns estão corretas ao usarem querer e efetuar. Entendo que o texto quer dizer que tanto a intenção que nasce em nosso coração de fazer a obra de Deus, assim como o fazê-lo, ambos dependem da iniciativa divina em nós.

Valeu pela visita. Espero que tenha ajudado, apesar de não ter tido muito o que explicar.

Abração!