quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Ef. 6: A armadura de Deus

Texto publicado originalmente em 13/02/2008.


Outra noite estive pensando sobre a Armadura de Deus, sobre a qual o Senhor nos fala através do Apóstolo Paulo em Efésios 6:10:17. Lembrei-me de quantas vezes já ouvi pregadores levando os irmãos a orarem, vestindo-se com a Armadura de Deus. “Coloque agora, pela fé, o capacete da salvação!”. Como se a orientação do Apóstolo fosse para realizarmos diariamente este ritual (e há quem o faça), para nos protegermos do Diabo.


Se fosse dessa forma, essa seria uma prática muito destoante do restante do Novo Testamento. Não vemos nenhuma orientação da parte do Senhor sobre nenhum ritual, com exceção de dois bem específicos, que carregam em si símbolos, não místicas. São a ceia do Senhor e o batismo. O primeiro, fala da presença de Cristo conosco e da esperança de sua volta, e o segundo é um símbolo da transformação que ocorreu conosco internamente, sendo manifestado externamente.

Vejo que o que o Senhor quer de nós neste sentido é muito mais simples e nobre, mais válido que praticarmos matinalmente esta "reza". Você consegue se imaginar tendo, em um dia, posse do capacete da salvação e da Espada do Espírito, e acordar no dia posterior sem a salvação e as bênçãos do conhecimento e da observância da Palavra? Seria possível estar com os lombos cingidos com a verdade hoje, e amanhã ser um mentiroso? Vestir a couraça da justiça, praticando o que é correto e depois tornar-se injusto sem motivo algum? Estar em um dia pronto para anunciar o Evangelho por onde for e se acovardar depois? Ser resistente a Satanás num momento, com o escudo da fé, e estar desprotegido em outro, sem nenhum motivo? Não, amigos!

Devemos ouvir tudo, como nos orienta a Palavra de Deus, e reter o que é bom. Muito do que tem chegado para nós da Teologia da Batalha Espiritual e da Teologia da Prosperidade deve ser muito bem filtrado. É claro que a orientação de Deus para nós sobre a sua armadura diz respeito a resistirmos ao Diabo sendo cristãos verdadeiros, não dando espaço para a sua atuação em nossas vidas. Ou pensaremos que praticar a justiça, ser autêntico, pregar o evangelho, ter a certeza da salvação, ser cheio do Espírito Santo e conhecer e obedecer a Palavra de Deus é uma necessidade só daqueles que “batalham espiritualmente”?

É claro que todos nós batalhamos espiritualmente. Não só aqueles que dizem expulsar demônios, desfazerem trabalhos, chutarem macumbas, etc. E todos nós enfrentamos o “dia mau”. O revestimento da armadura de Deus é uma característica de cada cristão verdadeiro. Nenhum de nós pode dar-se ao luxo de abrir mão de qualquer daquelas peças, fundamentais para um viver cristão genuíno. Ninguém pode vestir a couraça da justiça e troca-la pelos trapos do engano a qualquer momento. E o mesmo com as outras partes da armadura. Cristo ordena que sejamos vigilantes (I Pe 5:8), perseverantes (Ef 6:18), constantes (Ap 3:15-16). Faça das características de um soldado, como o da metáfora que Paulo usou para os Efésios, parte indissociável da sua vida cristã.

Sejamos cristãos autênticos, revestidos com toda a armadura de Deus, cheios da autoridade que o Senhor nos garantiu, e que o próprio Senhor nos dê sabedoria e discernimento para ler e ouvir a sua Palavra.
Que Deus nos fortaleça, em nome de Jesus.

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