sábado, 7 de janeiro de 2012

Ef 4.17-32: Cristianismo profundo X religiosidade fútil

O versos 17-32 deste capítulo merecem um destaque diferente. Portanto, uma exceção na rotina de postagem aqui no blog faz com que tenhamos dois textos sobre Ef 4. Neles, Paulo fala sobre a postura que o cristão deve ter a partir de sua conversão, em relação ao seu comportamento moral e nos relacionamentos em geral. Alguns pontos são destacados, como a valorização da verdade dita ao próximo, por sermos "membros uns dos outros"; a recomendação de, ao fica irado, não deixar passar sequer um dia sem que a ira se tenha passado ou resolvido. Dentre outros.

Ao ditar um padrão para nosso comportamento e relacionamento nos termos que faz, Paulo não está impondo uma nova lei ou divulgando um novo conjunto de regras. Antes, os pontos que ele valoriza demonstram que o cristão deve agir de forma respeitosa com o seu próximo (lembrando do que disse o trecho anterior do capítulo), promovendo a autenticidade e a paz nos relacionamentos, além de dever valorizar um comportamento íntegro.

Essas posturas nos conduzem a um cristianismo e uma vida de profundidade, contrários a algumas posturas e comportamentos fúteis. Quando somos incentivados a dizer somente aquilo que é bom para a edificação, por exemplo, no verso 29, e também somente o que for necessário, de forma que beneficie o ouvinte, estamos sendo convidados à profundidade. A futilidade passa longe do que deve ser nosso discurso ideal. Não quer dizer que não teremos em nossas conversas brincadeiras, momentos de descontração, etc. O mesmo verso 29 começa dizendo que não devemos dizer nenhuma palavra torpe, mas antes ter o discurso como exposto acima. Portanto, a relevância do discurso é contraposta à um tipo de fala suja, manchada pelo pecado e por palavras ou temas de baixa moral.

O fato de muitos darem espaço a futilidades que, sutilmente passam a fazer parte do nosso cotidiano, contribui muito para isso. Algumas vezes já disse o quanto não me conformo com alguém que se diz cristão assistir alguns programas como o Pânico na TV, por exemplo. Ter um discurso e uma vida relevantes, livres de uma carga imoral e fútil de referências, é totalmente contrário à postura de abrir espaço para tais influências em nós.  Não estou sendo moralista, basta olhar com um mínimo olhar crítico para o besteirol que compõe o humor desse programa e de outros do gênero. Um humor baixo, que explora e banaliza a sexualidade e a sensualidade, que lança mão de recursos e discursos para o humor que seriam impraticáveis num ambiente familiar e/ou religioso. E quando temos um padrão de relevância como ideal, a não possibilidade do uso desse discurso em família ou num ambiente onde Deus tem o destaque, é um bom padrão de referência.

O texto encerra tendo incentivado, além do supracitado, o trabalho honesto no lugar do roubo que poderia ocorrer anteriormente à conversão; o não-uso da amargura, ira, cólera, gritaria, blasfêmias e malícia; o incentivo à bondade, à compaixão e ao perdão mútuo. Agindo assim, preocupando-nos em sermos pessoas relevantes e fazendo do nosso discurso e prática da mesma forma - por consequência, até, estaremos cultivando um cristianismo verdadeiro e profundo. Mas, se nos dizemos cristãos, mas estamos carregados de todo o contrário ao que foi dito neste capítulo, vivemos uma religiosidade hipócrita e fútil, que ainda está arraigada numa vida antiga, na qual reinava a nossa carnalidade e prazeres. E esses ainda o fazem, ainda que por baixo de uma capa de religião.

Encerro lembrando de um trecho do sermão da montanha, em Mateus 6, no qual Jesus diz que se a luz que há em nós for trevas, quão grande são tais trevas! Se aquilo que há de "religião" na nossa vida for coberto do que não é "religioso", se vivermos uma hipocrisia, referenciando-nos na futilidade, mas tentando passar a aparência de relevância, estamos em trevas dignas de espanto da parte do Senhor. Sejamos verdadeiros, sinceros, profundos e coerentes. Tiremos do nosso meio e cotidiano o que não agrada ao Senhor, o que, como disse o verso 4.30 de Efésios, entristece o Espírito Santo. Agrademos ao Senhor e vivamos um cristianismo que vale a pena.

Um comentário:

Túlio Borel disse...

Amém! Glória a Deus por mais um dia desses devocionais que tem nos abençoado e partilho disso,porque quando me converti de fato,'misteriosamente' sem nenhum tipo de recomendação específica ou 'cartilha',o Senhor muito me incomodou a respeito de algumas futilidades que não edificam,programas como Pãnico e entre outros que pouco acrescentam e a respeito de músicas seculares,apesar de isso ser uma grande polêmica,e não sei se minha posição a respeito disso é neutra dmais,pois o próprio Espírito me trouxe naturalmente a 'não-vontade' de ouvir mais e encontrar no meio Cristão a música de qualidade que me 'satisfaz'.
Glória a Deus!