quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

Ef 3: O que eu faço com a minha dificuldade?

O terceiro capítulo de Efésios dá continuidade ao que Paulo disse nos iniciais sobre a salvação pela graça e fé manifestada a todos, judeus e gentios, falando sobre a razão de sua prisão, que é justamente a mensagem do evangelho levada a todos. Antes de ir ao nosso ponto principal aqui, quero destacar uma fala do Apóstolo.

Já ouviu alguém falar que determinada "revelação" dada por Deus a alguém, seja durante o culto ou noutro momento de oração ou leitura da Bíblia, era um "mistério"? Pois bem, aqui em Efésios 3 temos o principal texto que carrega essa expressão no Novo Testamento, de onde os irmãos que assim se referem à determinada palavra de Deus tiram essa expressão. Mas vejam que Paulo faz uso diferente do contemporâneo desses termos. Ele deixa claríssimo que o "mistério" de Deus "é que os gentios são co-herdeiros e membros do mesmo corpo e co-participantes da promessa em Cristo Jesus pelo evangelho" (3.6). E a revelação é justamente a revelação do que antes era um mistério dito pelos profetas: que Deus estendera a salvação a todos, além dos judeus, e por causa dessa revelação o Apóstolo exercia seu ministério.

Percebam que não há nada de "misterioso nesse mistério". Não é algo místico, encoberto, que somente os mais espirituais ou os detentores de determinada revelação ou visão possuem. O mistério está ali escrito claramente e a revelação, que também é muito clara e detalhadamente explicada, está acessível a todos. É importante compreendermos isso, pois o uso indevido dessas expressões acabam gerando um pensamento errado de que há verdades misteriosas nas Escrituras que não são para entendermos agora. É claro que há profecias ainda não cumpridas e peculiaridades dessas, principalmente no Apocalipse e relacionados, que não estarão claras até que ocorram. Mas isso não significa que não é possível compreendermos alguma parte do texto sagrado. Pelo contrário, ali a revelação é exposta e o mistério revelado. Graças a Deus, que se preocupa em nos ensinar tão bem!

Agora sim, indo ao ponto principal (puxa, depois de falar isso tudo???), a condição na qual Paulo está me chama a atenção. O capítulo começa com ele dizendo que por causa dessa revelação, da extensão da mensagem do evangelho aos gentios, ele é prisioneiro. A carta foi escrita durante sua prisão em Roma, por volta de 60-62. Há a possibilidade menor de ter sido quando estava preso em Cesaréia, em torno de 57-59, mas a de Roma é mais apoiada pela história. O Apóstolo está preso, e isso é dito três vezes na carta (3.1; 4.1; 6.20). Sua prisão é devido mesmo à pregação do evangelho, que causava acusações diversas naquela época, como por exemplo, de desrespeito à figura do imperador.

Mais uma informação interessante: começamos a Jesus de Senhor por causa de uma expressão grega de uso comum na época do Império Romano. O Imperador era referenciado como Kyrios, que quer dizer Senhor em grego. Quando os cristãos começam a pregar o evangelho, dizem que esse título não é digno do Imperador, mas que só Jesus é Kyrios, só Jesus é o Senhor. Claro, isso não agradava às autoridades romanas...

Voltando à Paulo, o homem está preso, e o que isso acarreta ao seu caminho? Ele escreve, na prisão, as cartas aos Efésios, Filipenses, Colossenses e Filemon. E na carta aos Filipenses, também escrita da prisão, ele diz: "alegrai-vos sempre no Senhor. Outra vez digo: alegrai-vos!" (Fp 4.4). A postura de Paulo me envergonha ao lembrar de como me portei diante de determinados problemas em minha caminhada. E serve de lição para nós, pois da tribulação ele tirou algo de valor para a igreja do seu tempo e para Deus.

Nossas dificuldades não podem servir apenas para nos deixar mais pacientes, o que já é um propósito nobre. Mas, assim como Paulo também fez com Silas em outro período na prisão, devemos tirar dela um louvor a Deus (At 16). Certamente a dificuldade sofrida por nós, que temos fé em Cristo, é capaz de produzir um testemunho de esperança àquele que ainda não o conhece.

Portanto, assim como Paulo, confiemos em Deus e tiremos da nossa dificuldade bons frutos. Se conseguirmos agradar a Deus enquanto passamos por momentos difíceis, quando não o conseguiremos fazer? Que o Senhor nos fortaleça e nos veja oferecer sempre algo de valor a ele, inclusive na nossa dificuldade.

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