quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

Ef 2: O Evangelho Inclusivo, de fato

Não dá pra dizer que essa expressão, "evangelho inclusivo" ou "inclusivista" é nova. Podemos inferir que Paulo já usava o termo ou, no mínimo, já aplicava o seu significado no tempo em que escreveu suas cartas. E o segundo capítulo de Efésios gira justamente em torno disso: como Deus incluiu, através de Cristo, todos os homens na família de Deus. Isso começa com a ideia de que, antes de Cristo, nem todos estavam incluídos. Deus escolheu revelar-se à Israel e quem dele não fazia parte não tinha relacionamento com Deus. O verso 12 desse capítulo deixa isso bem claro:

"naquele tempo estáveis sem Cristo, separados da comunidade de Israel, e estranhos às alianças da promessa, não tendo esperança, e sem Deus no mundo."
Ef 2.12


Se ainda não está claro para você a diferença entre judeu e gentios e o porquê dela, espero que isso fique claro com esse texto. E que também entendamos em que sentido podemos falar de evangelho inclusivo. Pois há significados atribuídos a essa expressão hoje que não correspondem a nenhum sentido bíblico coerente.

Voltando ao último verso, vejam que quem não fazia parte de Israel era considerado "estranho" à comunhão que aquele povo tinha com Deus. Pelo fato de Deus ter chamado a Abraão e dado a Israel o pacto da circuncisão e a lei de Moisés, para os guiar, somente aquele povo tinha o acesso possível ao Senhor. Visto que o pecado imperava, somente através dos sacrifícios feitos em Israel se poderia ter uma expiação, perdão dos pecados. E todo esse processo de sacrifício, lei, circuncisão, etc., era chato até...

O Apóstolo Paulo entende, juntamente com os demais autores do Novo Testamento, que Jesus incluiu com seu sacrifício todos aqueles que não eram parte da aliança de Deus com Israel, os que são chamados gentios e dos quais nós fazemos parte  - a não ser que você, leitor, seja um judeu nascido em Israel e circuncidado ao oitavo dia (#difícil!).

Essa inclusão feita pelo sacrifício de Cristo tem algumas peculiaridades que o nosso texto de hoje trabalha bem. Veja os versos seguintes:

"Ele vos vivificou, estando vós ainda mortos nos vossos delitos e pecados, nos quais andastes outrora, segundo o curso deste mundo, segundo o  príncipe das potestades do ar, do espírito que agora opera nos filhos da desobediência (...). Mas Deus, que é riquíssimo em misericórdia, pelo seu muito amor com que nos amou, (...) nos vivificou juntamente com Cristo."
Ef 2.1-2; 4-5

"Pois ele é a nossa paz, o qual de ambos os povos (judeus e gentios) fez um, e destruiu a parede de separação, a barreira de inimizade que estava no meio, desfazendo na sua carne a lei dos mandamentos, que consistia em ordenanças, para criar em si mesmo dos dois um novo homem, fazendo a paz, e pela cruz reconciliar ambos com Deus em um só corpo, matando com ela a inimizade."
Ef 2.14-15


Fala-se em evangelho inclusivo hoje, dando a ele o significado de aceitar incondicionalmente qualquer pessoa em qualquer estado. E até aí tudo bem, pois Deus de fato aceita. O problema está no que foi exposto no penúltimo conjunto de versos acima: aqueles que foram incluídos andavam em seus delitos e pecados, não andam mais. O Senhor nos deu vida, pois estávamos mortos no pecado. Em Cristo, por graça e misericórdia, fomos aceitos, incluídos na aliança de Deus, e passamos a ter vida. A partir daí, somos chamados a viver de acordo com a santidade daquele que nos vivificou.

O Evangelho é biblicamente inclusivo ao respeitar o que diz o último conjunto de versos aqui citados. Ele nos inclui na comunhão da qual não fazíamos parte. E nos dá a responsabilidade de não vivermos mais sob o jugo do qual fomos libertos, o do pecado. Portanto, pensar num evangelho inclusivo que aceita o pecador com o seu pecado não é bíblico. Seja o pecado da prática homossexual, com o qual o termo tratado é mais usado, ou seja com o pecado da mentira, da fofoca, da inveja, que são erros tão comumente desprezados. O Senhor aceita a todos os pecadores, mas não os seus pecados.

Graças a Deus que nos incluiu em seus planos para a nossa salvação. E que nos trouxe uma mensagem suficientemente poderosa para nos tirar da escravidão, do jugo do pecado. Não podemos e não precisamos mais viver escravos do pecado, pois ele nos tirou dessa morte para uma vida plena com ele.

Um comentário:

Fred disse...

"Deus aceita o pecador, não o seu pecado" Resume o texto, muito bacana