domingo, 11 de dezembro de 2011

II Cor 9: O nosso dinheiro na igreja, parte II

Após falar sobre alguns aspectos da contribuição financeira na igreja e dizer que estava enviando Tito e outros irmãos para colherem uma oferta em Corinto para os necessitados de Jerusalém, Paulo começa a dar alguns estímulos para a contribuição daqueles irmãos. Esses, apesar de serem bem simples, são profundos e verdadeiros.

O Apóstolo diz que a oferta do povo deveria expressar generosidade, não avareza (9.5). E entendo perfeitamente que esse ato pode levar consigo as duas mensagens, pois alguns podem contribuir só por que são compelidos a tal, sem terem o coração generoso de fato. Continua fazendo uma comparação com um agricultor; dizendo que aquele que semeia/oferta pouco, assim também colherá pouco, e o que muito, colherá muito (9.6).

Lendo apenas esse último verso, alguém pode pensar que o gazofilácio (só eu acho esse nome horrível?) é o melhor investimento do mundo. Pois se deposito muito ali e colho muito, sem nenhuma vírgula usada por Paulo para dizer isso, é um investimento 100% seguro e potencialmente com 100% de retorno! Mas o próximo verso ajuda a interpretar esse corretamente: diz que a contribuição deve ser feita com alegria e de acordo com a disposição do coração, não sendo por tristeza ou por necessidade. Qualquer motivação que não voluntária e espontânea não é válida. Uma contribuição pragmática não faz sentido.

Os versos de 8-11 são realmente dos mais animadores e com uma lição preciosa. Dizem que Deus abençoa aquele que contribui para que ele possa fazê-lo ainda mais, de forma que tendo abundância em tudo, também abunde em boas obras. O verso 10 diz que "dá semente ao que semeia", continuando com a analogia, e ele aumentará a sementeira deste para que semeie ainda mais e seus frutos apareçam. Por fim, o verso 11 diz que somos enriquecidos em tudo com o propósito de sermos generosos, o que faz com que pessoas abençoadas por nossa generosidade deem graças a Deus.

O capítulo termina com os últimos versos nos ensinando que a oferta colhida supriria a necessidade dos santos e seria motivo para Deus ser glorificado, pois através da provisão feita por ela, muitas orações e graças seriam prestadas a Deus.

O que mais me chama a atenção nos dois capítulos que tratam desse tema, além da importância que a generosidade tem no reino de Deus, é a simplicidade com a qual é tratada, de forma muito diferente de hoje. Não há mística envolvida, fórmulas loucas para se conseguir prosperidade, a contribuição não é motivada pela ganância de receber mais de volta, etc.. Contribuir, nesse ensinamento, é dispor recursos e coração para abençoar outros e fazer crescer o reino de Deus. E nada mais.

Entendo a razão de muitas pessoas terem preconceito com a contribuição na igreja, principalmente na evangélica pentecostal / neo-pentecostal brasileira. Há mesmo muitos abusos. Mas mesmo ao fazer isso, a postura ali escondida é uma super-valorização da vida financeira, pois ela é assim distinta das demais áreas da nossa vida, se é posso "separar" nossa vida em áreas. Tão simples quanto a nossa entrega de tempo, esforço, dedicação, é a nossa entrega financeira. O Senhor não vê a nossa vida compartimentada, mas o nosso coração como um todo. Qualquer simples atitude nossa revela o que está em nosso coração, seja em que "área" for.

Vejamos com simplicidade o ato de contribuir financeiramente para o crescimento do reino de Deus e para abençoar os que precisam em nosso meio. O Senhor se agrada disso, e permitirá que sempre o façamos, como de fato promete sua palavra.

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