sábado, 10 de dezembro de 2011

II Cor 8: Nosso dinheiro na igreja, parte I

Eu poderia trazer aqui tantas reflexões, vindas de tantos ângulos diferentes, sobre esse texto, que fica difícil fazer uma opção. Mas preciso arriscar uma, para não ser superficial demais, então aqui vai.

Os capítulos 8 e 9 dessa carta são unicamente dedicados a tratar sobre a oferta que Paulo, através de Tito e de outros cooperadores, recolheriam na igreja de Corinto para enviar aos irmãos necessitados de Jerusalém. Quando lemos o livro de Atos, vemos que os irmãos de Jerusalém eram bastante liberais financeiramente, pois vendiam suas posses e repartiam tudo o que tinham com quem tivesse necessidade. Mas uma fome assolou aquela região, e mesmo aqueles que ainda tinham algo se viram empobrecidos. Então agora, as demais igrejas prestavam assistência à essa que tinha necessidade.

E neste capítulo Paulo orienta sobre como deveria ser essa contribuição. Reparem que nos versos 1-4 o Apóstolo louva a contribuição sacrificial, custosa, e voluntária. Os versos 5-9 nos mostram que nossa vida financeira não é separada da nossa devoção espiritual, pois os coríntios são incentivados a, assim como têm abundância na fé, na palavra, na ciência, no zelo e no amor, tenham também na contribuição financeira. Os versos 10-15 nos ensinam dois princípios: a contribuição é segundo a condição de cada um, não sendo valorizada a quantia, mas a liberalidade dentro das próprias possibilidades. E uma segunda muito preciosa, que permeia os dois capítulos desse tema: a contribuição visava a igualdade. Paulo diz que a abundância de um supria a falta de outro e, como as coisas sempre mudam, em outro momento a abundância daquele que naquele momento tinha falta, poderia vir a suprir a necessidade de quem ali gozava de fartura.

Por último, para focarmos num trecho mais específico, o restante do capítulo 8, de 16-24, vemos como a administração da oferta era feita de forma responsável. Paulo mesmo não se envolveria diretamente com o dinheiro, mas confiou irmãos dignos de tal tarefa para fazê-lo. Os versos 17-18, 22-23 nos mostram claramente a responsabilidade e crédito que precediam a fama dos irmãos encarregados de tal tarefa.

Enfim, eis aí um dos principais textos do Novo Testamento sobre a contribuição financeira na igreja. Você notou a existência, de alguma forma, de uma obrigatoriedade? Está estipulado um valor mínimo/máximo ou trata-se de uma contribuição feita com base e em coerência com uma devoção pessoal? Foi prometido algo em troca àqueles que ofertariam? Não é justo interpretar esse texto sem o capítulo 9, pois ele nos traz alguns incentivos de Paulo para que os irmãos contribuíssem e um deles é o fato de o Senhor se agradar disso e aumentar os recursos de quem é abençoador para que o faça ainda mais. Mas isso não é visto como uma negociação, mas como graça de Deus sobre uma ação voluntária e sincera.

Como é tudo tão diferente desse modelo ideal! Se você ligar a TV e assistir alguns programas de instituições que se dizem igrejas cristãs, verá uma choradeira só por contribuições. E por outro lado, se você abrir os jornais de vez em quando, verá que aqueles que tem administrado essas contribuições encontram-se em situações constrangedoras... Em muitos desses casos, o dinheiro não é usado para a igualdade, para abençoar o necessitado ou para qualquer motivação válida como as da igreja primitiva. Antes, é voltado para a manutenção de um império religioso que cresce diariamente às custas de sacrifícios pessoais de pessoas inocentes e sinceras. Características diferentes de muitos de seus incentivadores, julgo com temor.

Aprendamos com o bom exemplo e deixemos o mau de lado. Contribuamos sim, uma vez que estejamos num lugar onde essas contribuições são justamente aplicadas. Sim, te incentivo a contribuir somente se souber que essa contribuição é bem usada onde é depositada. Caso contrário, procure outro lugar para semear. Se você não confia no seu pastor, por exemplo, busque a fundo. Converse com ele pessoalmente, tire suas dúvidas, esclareça e tenha certeza e segurança. Mas não deixe de contribuir, pois aprendemos aqui que faz parte da nossa entrega e devoção a Deus esse ato.

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