terça-feira, 20 de dezembro de 2011

II Cor 13: Conclusão da segunda carta mais difícil de Paulo

Terminou a segunda carta mais difícil que entendo ter Paulo escrito. A primeira, na minha opinião, também foi aos coríntios, e é a carta mais dura que ele escreveu, certamente. Sua leitura causou tristeza nos destinatários, tal era o rigor das advertências ali contidas (II Cor 7). A segunda, escrita principalmente para defender o seu ministério, não deve ter sido agradável de se escrever.

Paulo encerra retomando os principais pontos da carta. Reforça que não deixaria de visitar os irmãos coríntios e que trataria do pecado de alguns impenitentes com autoridade, a mesma que ele teve que reivindicar em seu texto. Incentiva os irmãos a examinarem-se e tomarem conhecimento se estão, de fato, perseverantes na fé. Inclusive, acho que essa instrução é única no Novo Testamento, achando um possível paralelo apenas no texto sobre a Ceia do Senhor. Devemos provar a nossa própria fé de tempos em tempos, e a partir do resultado dessa prova agirmos em favor dela.

No verso 11, antepenúltimo da carta,, o Apóstolo faz breves recomendações:

"Quanto ao mais, irmãos, deus. Regozijai-vos, sede perfeitos, sede consolados, sede de um mesmo parecer, vivei em paz. E o Deus de amor e de paz será convosco."


Os próximos dois e últimos versos encerram com uma recomendação para uma saudação calorosa entre os irmãos, reforçando a comunhão, unidade e carinho entre eles, e a bênção que ficou conhecida como bênção apostólica.

As recomendações do verso 13.11 e a consequência de sua observação são uma bela mensagem para um desfecho de carta. Os irmãos são incentivados a se alegrarem, buscarem a perfeição, a consolação - do Espírito Santo, inclusive através dos irmãos, terem um pensamento comum e viverem em paz. Como consequência dessas observâncias, o Deus de amor e de paz seria com eles.

Pense na contramão dessas observações, para as entendermos mais facilmente. Se andarmos entristecidos, reprovados, sem a consolação do Espírito, cheios de discórdia e contenda com os irmãos, o Deus de amor e de paz não estará conosco. Perceba que duas características de Deus têm aqui sua presença em nós vinculadas à uma atitude nossa. Caso ajamos da forma recomendada, teremos o Deus amoroso e cheio de paz conosco. Não é muito verdade que se tivermos uma postura coerente com essas características o próprio Senhor não se agradará e manifestará esses atributos em nossas vidas?

Assim como o "reclamão" parece não conhecer a Deus, pois anula a esperança e a fé com suas murmurações, o que está alegre e confiante testemunha um Deus que tudo pode. Nessa lógica, a postura que temos reflete o Deus que servimos e adoramos. Somos assim chamados à responsabilidade de demonstrarmos a nossa fé através da conduta pessoal, pois também assim o evangelho será pregado.

E dessa forma se encerra a Segunda Carta aos Coríntios. Paulo escreveu esta carta estando ao fim de sua terceira viagem missionária, período estimado entre 55-57 d.C.. O Apóstolo teve no máximo mais 10-12 anos de vida. Pouco tempo depois de escrever esse texto escreveu Romanos, talvez quando presente em Corinto, cumprindo a promessa de sua visita. Também foram compostas depois dessa carta as de Efésios, Colossenses, Filemon e Filipenses, possivelmente nessa ordem.

Foi um texto difícil para o Apóstolo, mas muito precioso para nós. Além de trazer ensinamentos preciosos sobre a vida na igreja, relacionamentos, ministério, a mensagem restauradora de Cristo, trouxe-nos detalhes da vida de Paulo que não saberíamos por outros livros. Graças a Deus por sua palavra e por termos podido ler com calma este livro. Agora, vamos ao próximo: Gálatas. A introdução será publicada no próximo post. Boa leitura para nós!

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