terça-feira, 13 de dezembro de 2011

II Cor 10: A segurança do líder que age corretamente

Sabe quando um texto se revela muito mais precioso do que você imaginava? Confesso que li esse capítulo umas 5 vezes e precisei consultar algumas outras bibliografias antes de entendê-lo como o fiz agora, mas com todo esse processo, ele se tornou muito valioso. Nem é um texto tão difícil de se entender, essencialmente, mas me deparei com algumas dificuldades na interpretação que acabaram por torná-lo mais prático no final.

Paulo retoma a temática acerca de seu ministério nesse capítulo, mas agora com um novo tom: o Apóstolo está bem mais duro que nos capítulos anteriores. Alguns irmãos, que eram líderes e ministros em Corinto, começaram a difamar a imagem de Paulo. Acusaram-no de ser carnal (10.2) e de ter um relacionamento com Cristo mais superficial do que o de seus acusadores (10.6-9). Disseram ainda que Paulo era falso, pois fazia-se de rígido nas suas cartas, mas quando estava fisicamente presente, não trazia a mesma autoridade e ousadia, tendo sua presença classificada como "desprezível" por aqueles que o acusavam.

Levantaram contra Paulo uma série de calúnias. Talvez por motivos gananciosos, talvez por inveja ou ambição da sua autoridade sobre aquela igreja, não sei ao certo. Mas buscaram manchar a sua imagem e denegrir seu ministério. Pessoas de má intenção se levantaram contra ele para o derrubar.

Paulo era um obreiro irrepreensível. Entendo que ele, pessoalmente, já era alguém excelente. Em muitas referências ele mesmo diz como era rigoroso ao observar as leis judaicas quando fariseu (At 26.5; Gl 1.14; Fp 3.5-6). Paulo sabia hebraico, aramaico e grego, e seus estudos lhe garantiram uma excelente oratória e retórica. Sua postura era a de alguém que sabia fazer as coisas da melhor maneira. Era um sujeito dedicado, responsável, esforçado por si só. E sua postura ministerial não era diferente. Tanto que ele foi fundador de várias igrejas na sua época, inclusive a de Corinto; escreveu mais da metade do Novo Testamento, 13 cartas; e fez 3 viagens missionárias que demandaram o trabalho de uma vida. Paulo sabia fazer com excelência o que lhe estava proposto.

Quando inimigos do ministério de Paulo se levantam, sua postura continua exemplar e a vemos com clareza nesse capítulo. Ele usa de um tom mais severo para tratar do assunto, tal é o absurdo que se tornou digno de menção na carta, e que inclusive foi uma das motivações para que fosse escrita. Mas notem o que ele diz nos versos 12-18. Paulo não se rebaixa ao ponto de comparar seu ministério com o de seus acusadores, pois a segurança de sua consciência não o permite fazer isso.

Paulo havia fundado aquela igreja, como já disse. E aquilo que os outros faziam em Corinto e do que se gloriavam, só era possível porque Paulo havia feito ali o seu trabalho. Todo esforço ministerial de qualquer um naquele lugar era como uma construção lançada sobre o fundamento que Paulo lançou. E ele, seguro disso, não responde aos seus acusadores. Ele reforça que foi ele mesmo que lançou tais fundamentos sobre os quais outros intentavam construir, diz que não tem motivos para agradar a outros que não o próprio Senhor, e fecha este trecho.

Podemos seguir o exemplo de Paulo. Na excelência, primeiramente. Devemos dar o nosso melhor no serviço ao Senhor, pois isso o agradará e também nos trará segurança. E devemos ter sabedoria, como o Apóstolo, que não se rebaixou a ponto de levantar uma discussão, polêmica, etc. Paulo não postou sua discussão com esses líderes em seu site e não gastou horários na TV respondendo aos seus acusadores, pois tinha objetivos e preocupações mais nobres: edificar a igreja e continuar pregando o Evangelho.

Se agirmos como Paulo, teremos um trabalho excelente e uma mente segura. Não nos daremos ao trabalho de responder àquilo que nossa própria obra e o Senhor já falam por nós. E nossos esforços continuarão no rumo certo. Que Deus tenha misericórdia e nos ajude. A nós, a nossos líderes, aos pastores do Brasil que têm certo reconhecimento. Trabalhemos em prol do Evangelho de Cristo, nada mais.

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