quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

II Co 6: O famoso jugo desigual

"Não vos prendais a um jugo desigual com os incrédulos; pois que sociedade tem a justiça com a injustiça? ou que comunhão tem a luz com as trevas? Que harmonia há entre Cristo e Belial? ou que parte tem o crente com o incrédulo? E que consenso tem o santuário de Deus com ídolos? Pois nós somos santuário de Deus vivo, como Deus disse: Neles habitarei, e entre eles andarei; e eu serei o seu Deus e eles serão o meu povo.
Pelo que, saí vós do meio deles e separai-vos, diz o Senhor; e não toqueis coisa imunda, e eu vos receberei; e eu serei para vós Pai, e vós sereis para mim filhos e filhas, diz o Senhor Todo-Poderoso."


Quem é cristão já ouviu muito a expressão título deste texto e presente no texto bíblico acima transcrito. E você sabe o que é um jugo? É a parte do carro do boi que prende um boi ao outro. Imaginou? Aquele pedaço de madeira que, juntando os dois bois a si, é ligado também ao carro, para que seja puxado por eles. Estar associado às trevas é comparado a submeter-se a um jugo de bois desigual. A consequência é uma força maior para puxar o carro, tornando a tarefa quase impossível. O carro de bois com o jugo desigual teria o efeito semelhante a um carro desalinhado, mas com consequências mais desastrosas.

Uma vez entendida a analogia, não há mais nenhum segredo no texto, não é mesmo? Ele é muito claro. Apenas para refletirmos sobre mais um detalhe, você já pensou sobre o que seria associar-se? Entendo associação como estabelecimento de aliança ou contrato. Uma relação na qual se compartilha objetivos e divide-se ganhos e perdas. Relacionamentos, sociedades em empresas, amizades verdadeiras. Associações.

No texto, da mesma forma que não há comunhão entre luz e trevas, não deve haver tentativas de associação entre os que são da luz e os que não são. E percebamos bem, que o texto não diz ser difícil associar-se com alguém que não partilha de valores cristãos, ela diz que é impossível, tanto quanto misturar luz e escuridão. Qualquer tentativa de fazê-lo seria frustrada.

Pense numa amizade, por exemplo. Podemos pensar ser possível ser verdadeiramente amigo de alguém não cristão, e talvez até o sejamos. Eu mesmo tenho amigos preciosos que não professam a mesma fé que eu. Mas o nível de comunhão, a associação plena que me é possível com amigos cristãos não é atingível com os que não são. Um amigo não-cristão não poderá orar por mim num momento de aflição, por exemplo. Outro exemplo claro, se me associo num negócio com alguém de valores diferentes, jamais vou conseguir fazer com que meu negócio faça investimentos missionários. A associação, mais uma vez, não seria completa.

Se de fato somos da luz, não nos associamos às trevas. Isso não quer dizer separatismo, discriminação de um ou outro grupo, ou qualquer sentimento de superioridade. O próprio Jesus disse, em João 17, que nós não somos do mundo, mas estamos nele e não nos é possível sermos dele tirados. Somos enviados ao mundo para sermos sal e luz, para levarmos sabor àqueles que precisam, não para nos tornarmos como ele.

Vejo uma linha muito tênue entre a consciência da missão no mundo e também a consciência de que não somos superiores, mas servos daqueles que precisam ser alcançados pelo evangelho. Não confundamos a orientação para não nos associarmos com a ideia errada de não nos misturarmos. Façamos a diferença onde ela é necessária, no mundo. E preservemo-nos puros nele.

Um comentário:

Anônimo disse...

O versículo fala em "...não toqueis coisa imunda...".
Muitos cristãos tem se contaminado visitando obras de faraó, obras do reinado papista e considerando-as grandes feitos.