sábado, 3 de dezembro de 2011

II Co 2.5-11: Manifestando a graça com o perdão

Um sujeito havia cometido alguma falta grave na igreja. Sendo em Corinto, quando o texto não deixa claro qual é o seu pecado, fica difícil especular. O pecado mais comum para ser tratado nessa segunda carta é o de rebelião contra o ministério de Paulo, mas não sabemos se é o caso. Já fora tratado ali por Paulo adultério, incesto, individualismo, heresias, dentre muitos outros. Então, o Apóstolo agora orienta aos coríntios sobre como agir com o homem que havia vacilado.

Primeiro, ele diz que o pecado de tal homem causou tristeza a ele, bem como a toda a congregação. E reconhece que já havia tristeza no coração do pecador pelo erro cometido, e que a repreensão que fora feita pela maioria (dos que tomaram conhecimento quando ele cometeu o erro, entendo) já era suficiente, não necessitando que ele, Paulo, nesse caso, intervisse novamente. E recomenda que a igreja deveria perdoar o pecador, consolá-lo e lhe confirmar o amor que tinham para com ele. Alguém disse que seria fácil?

Para ser necessário abordar o tema na carta e também a recomendação de perdão e amor, o erro tinha que ser grave. A orientação de Paulo aos seus é tão difícil quanto coerente. Suponhamos que esse homem tenha levantado um motim contra o ministério de Paulo. Ele já não tinha o exemplo de Pedro, que apesar de ter negado a Jesus no momento mais crucial, era líder da igreja? Sendo um pecado sexual, o Senhor Jesus também não tinha perdoado a adúltera pega em flagrante, e não a condenado?

O perdão é um ensino abundante nas Escrituras e principalmente no exemplo de Jesus. Não houvesse um perdão incondicional da parte de Deus, certamente você não estaria lendo este texto assim como eu não o teria escrito. O perdão é uma das maiores expressões da graça de Deus, pois o ofendemos gravemente com nossos pecados e ainda assim fomos aceitos, perdoados e reconciliados.

Se Paulo precisou citar o pecado desse homem, sua gravidade está atestada. E o fato de ele precisar recomendar amor e perdão, diz o quê? Que a igreja agiria como a maioria de nós hoje, acredito. Seu curso natural seria outro que não o perdão e o amor. Você consegue perceber que falta graça nas nossas atitudes? Mais condenamos que aceitamos, mais falamos mal do que encerramos polêmicas, mais acusamos do que reconciliamos. E o que Cristo fez conosco foi exatamente o contrário.

Philip Yancey, no livro "Maravilhosa Graça", conta que conheceu uma prostituta que vendia seu bebê de colo para favores sexuais. Sua reação foi um misto de sentimentos. Mas ousou fazer uma pergunta simples, que trouxe uma resposta chocante. Perguntou à mulher se ela já havia procurado uma igreja. Ela respondeu questionando uma motivação para isso, pois sua expectativa era de que estando lá, as pessoas a fariam se sentir pior do que ela já era.

Paulo encerra essa recomendação dizendo que, por ser ela muito dura, seria uma prova da obediência fiel daquele povo. E que, agindo ele e a congregação com demonstração sincera de perdão ao ofensor, eles não seriam vencidos por Satanás. Se quisermos viver saudável e plenamente na igreja e com Cristo, o perdão e amor que recebemos deve ser manifestado. A graça ineficaz é a obra prima de uma religião vazia. Mas a graça genuína faz nascer um coração sincero, devoto e perdoador.

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