quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

II Co 11.1-12.10: O pedido de Paulo que Jesus não respondeu

Ler alguns capítulos das duas cartas de Paulo aos Coríntios é muito difícil. O 11 é um deles. O Apóstolo precisa, novamente, justificar-se e reafirmar as bases sólidas de seu ministério, uma vez que alguns se levantaram contra ele. Sabendo hoje quem é Paulo e conhecendo o seu trabalho, é comum ficarmos indignados. Mas também devemos aceitar que Paulo estava em plena atividade e que, como em qualquer caso, sujeito a levantes de homens gananciosos, invejosos e de más intenções em geral. Por causa deles, lemos estes textos difíceis.

Para resumir bem o capítulo 11, Paulo defende-se das acusações de ser um falso apóstolo, ao que responde que em nada foi inferior aos mais excelentes apóstolos (11.5). Lembra aos coríntios que lhes pregou o evangelho despretensiosamente, não sendo financeiramente sustentado por eles na empreitada missionária, mas por outros irmãos e igrejas (11.8-9). Seus opositores, porém, o acusaram de não receber dos coríntios dinheiro algum porque sua consciência não lhe permitia, pois sabia que não era um apóstolo verdadeiro (pode???). O trecho de 7-21 nos dá um bom panorama de toda essa situação, portanto não detalharei aqui. Até o verso 33, vemos ainda Paulo falando sobre seus sofrimentos e como esses atestam a autenticidade de seu ministério.

No capítulo 12, nos 10 primeiros versos, temos uma fala de Paulo que desemboca num texto muito conhecido, o do "espinho na carne". E aqui, me atenho para a nossa reflexão.

Devido a outra acusação sofrida por Paulo, ele conta o que está escrito nos versos 12.1-6. Era dito que os apóstolos recebiam "revelações especiais" da parte de Deus. Paulo foi tão duramente questionado, que o vemos contando a experiência que teve nesses versos, ainda que contra a sua vontade. Ele não tinha intenção de se gloriar em nenhuma "experiência especial", mas diz preferir gloriar-se na sua fraqueza e ser conhecido apenas por aquilo que os irmãos vêem nele, que é a sua preocupação com a igreja - o que ele vai detalhar a partir do verso 12.11.

Finalmente, chegamos ao texto do espinho na carne. Com todas as experiências que teve, todos os frutos que produziu, toda a conduta que cultivou quando do seu tempo no judaísmo e a excelência que marcou tanto sua vida judaica quanto a cristã, Paulo tinha motivos suficientes para ser tentado a se ensoberbecer. E então, vemos o Apóstolo falar sobre um pedido feito por ele a Deus e que não foi respondido.

Não se sabe o que era o espinho na carne de Paulo, e prefiro nos privar aqui de uma série de especulações.  Fiquemos satisfeitos em interpretá-lo como um problema, ao menos por agora. Paulo diz que orou três vezes ao Senhor, pedindo que o tirasse dele. Nas suas próprias palavras, esse espinho servia como "um mensageiro de Satanás" a esbofeteá-lo, para que não se exaltasse. E o Senhor recusa-se a retirar esse fardo de Paulo, dizendo ao seu servo: "A minha graça te basta, pois o meu poder se aperfeiçoa na fraqueza".

Quando leio este trecho tenho vontade de interromper a leitura, pois fico com vergonha de mim mesmo. O Apóstolo Paulo pediu ao Senhor que o livrasse de um incômodo, um problema, e a resposta do Senhor é que aquele problema lhe servia de fortalecimento. Paulo entende bem e diz que sente "prazer nas fraquezas, injúrias, necessidades, perseguições, angústias por amor de Cristo". Ele diz que quando está fraco, então é que está forte. Por isso, prefere gloriar-se nas fraquezas do que nas experiências ou seja no que for. Pois são as fraquezas e dificuldades que o mantêm na linha e o fortalecem.

Minha vontade de parar a leitura agora converte-se numa vontade de parar de escrever. Paulo cultivava seus tormentos, fortalecendo-se neles. Sua fé era forte, pois ele diz que orou três vezes, apenas três, e teve certeza de que não seria livre daquilo. Ele não passou dias, semanas ou seja lá quanto tempo for orando. Ele pediu, insistiu e o fez novamente, aceitando o não como resposta.

Como me sinto pequeno diante disso! Questiono o que tenho feito diante dos meus problemas. E concluo que, se eu estiver cumprindo a vontade de Deus para mim, de forma que possa afirmar com segurança que ele é meu Senhor e dono, governador da minha vida, assim como Paulo o fazia, mesmo as adversidades são aliadas desse propósito divino para mim.

Quem disse tudo isso e quando disse faz toda a diferença: Paulo, respondendo a questionamentos quanto à honestidade e autenticidade de seu ministério. E sua principal testemunha não é cada uma de suas experiências espirituais ou vitórias, mas as dificuldades que o cercavam.

Concluo que devemos cumprir a vontade do Senhor. Ele não abre mão do controle das nossas vidas e, estando com ele, até os adversários cooperam para o seu objetivo. Que o Senhor me perdoe e a cada um que se encontrar na mesma situação, por olhar para as adversidades com olhos tão maus. Sirvamos e confiemos nele. Tenhamos na consciência a certeza de estar cumprindo nosso dever e andaremos seguros.

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