sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

II Co 1: Sendo abençoados com propósito

É interessante como o molde do primeiro capítulo parece nortear toda a carta. Paulo inicia seu texto identificando-se como apóstolo de Cristo por vontade de Deus (já reparou que todas as cartas ele começa assim, praticamente?), ministrando a paz de Deus e de Cristo aos corações de seus leitores. Então, leva um ensinamento, sobre a consolação de Deus, enquanto transmite uma mensagem a eles. E encerra o capítulo justificando uma postura sua, reconhecendo nela a soberania e a bênção de Deus sobre suas atitudes e ministério em geral. Temos ali ministração de bênçãos, doxologia (google it!), ensinamento e reforço da sua autoridade apostólica, que é o principal motivo pelo qual a carta foi escrita.

Uma vez que alguns andavam dizendo em Corinto que Paulo agia de forma incoerente, havendo prometido ver os Coríntios, mas demorando a fazê-lo, Paulo precisa justificar sua postura, e o faz com excelência nos versos 1.12-24. Sua saudação encontra-se em 1.1-2 e o trecho ao qual gostaria que nos prendêssemos um pouco mais, está entre 1.3-11, onde Paulo fala sobre a consolação de Deus.

Paulo e seus companheiros, como Timóteo, Barnabé, Silas e outros, tiveram uma vida nada fácil. Sofreram perseguições e resistências do povo por pregarem o evangelho; sofreram perseguições políticas e de autoridades locais; padeceram açoites e prisões, sobreviveram a naufrágios, Paulo foi picado por uma cobra e sobreviveu. Sua caminhada era rica em resultados, mas a equação que conduzia a eles... Não era nada fácil.

Paulo vai dizer que Deus é quem os consola em suas tribulações, que na mesma medida que as aflições de Jesus lhes transbordam, através de Jesus também transborda a consolação. E diz que se ele e seus companheiros sofrem tribulação é para que aqueles que são por eles cuidados recebam consolo e salvação. Enfim, os sofrimentos de Paulo e dos seus companheiros de caminhada finaliza em bênçãos para o seu rebanho. Mais uma vez, vemos um exemplo do que é ser um pastor verdadeiro, alguém que coloca-se à frente de qualquer pelo seu rebanho, que preocupa-se em servi-lo, muito mais do que ser servido por ele.

E o ponto principal que reflito aqui com vocês: Paulo diz que essa consolação, que tão graciosamente se manifesta a ele e aos seus, tem um propósito: fazer com que aqueles que são consolados na tribulação tornem-se capazes de consolar a outros, com a mesma consolação que tem recebido. Isso não revela um padrão interessante?

A vida cristã é vida em comunidade. Vemos as Escrituras gritando isso para nós em todo o tempo e de várias formas. Para citar um único e grande exemplo, o próprio Deus já existe em comunidade: mesmo sendo um, é três pessoas distintas, que se relacionam. E esse exemplo de comunidade estende-se a toda a fé cristã. O propósito das bênçãos que recebemos cumprir-se ao abençoar outros, como no caso dessa consolação da qual o Apóstolo fala, reforça essa lógica.

Somos consolados para que consolemos, abençoados para que abençoemos, acrescentados de qualquer forma para que possamos também acrescentar a outros. Deus nos ama sem medida, mas não faz nada por nós isoladamente; tudo sempre abençoará a todo o corpo de Cristo, toda a igreja. Buscar bênçãos que terminam em nós mesmos não é parte do ensinamento bíblico. Antes, é egoísmo e falta de conhecimento dos princípios de Deus, que nos vê como parte do seu corpo.

O povo de Corinto sofria juntamente com Paulo, seu pai na fé, suas aflições. E Paulo diz que sua esperança está em que também eles participem da consolação, que lhes é tão ricamente ministrada. Essa mensagem e reflexão tão simples, faz-nos questionar o que temos feito com o que recebemos de Deus. Talvez tenhamos recebido privilégios - ou coisas que pensamos ser privilégios - e não fizemos nada pelo nosso próximo com isso. Podemos ter a dádiva de uma situação financeira confortável, por exemplo, mas não ministrarmos esse conforto a ninguém. Termos recebido uma maturidade na alma, da parte de Deus, de não sofrermos tanto com problemas severos, mas não consolarmos os nossos irmãos da mesma forma que somos.

O Senhor sempre nos abençoará. Mas esse princípio de unidade visto nas suas bênçãos nos traz a responsabilidade de sermos abençoadores à medida que somos abençoados. Deus é tão bom, que nos permite trabalhar junto com ele como instrumentos de sua consolação àqueles que dela precisam. Glória a Deus por isso. E que o Senhor ache em nós corações gratos e gratos na prática, de forma que ofereçamos e transmitamos a outros o que tão graciosamente dele recebemos.

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