domingo, 4 de dezembro de 2011

II Co 3: A letra mata

Ler e escrever sobre esse texto me remete a um tempo do início da minha caminhada cristã. Um tempo em que  eu aprendia muito mais do que aprendo hoje, pois tudo era novidade. Inclusive, tenho a impressão de que quanto mais se aprende, menos se aprende. Entenderam, né? Como antes era tudo novo, todo dia aprendia com facilidade alguma coisa. Hoje, não que saiba muito, porque não sei, mas para achar algo novo é preciso ir mais fundo.

À época que me remeto, lembro-me que acreditava de bom coração na maioria das coisas que ouvia do altar sem questionar. Seja o altar da minha igreja ou de outra, mas principalmente no início da minha conversão, a figura do pastor era quase digna de crédito ilimitado. Tempos bons, confesso. Mas o senso crítico teve que ganhar espaço em mim, o que trouxe benefícios e problemas, alívios e fardos. Mas é uma das melhores coisas que nos podem acontecer: questionar, para então ter certeza.

Lembro-me dessa época e dou essa volta para começar o assunto do texto bíblico por causa de uma passagem desse capítulo que, ouvindo-a isoladamente, entendia ser uma coisa, mas que na verdade era outra. É o verso 3.6, especialmente a segunda parte dele:

"Ele nos fez também capazes de ser ministros de uma nova aliança, não da letra, mas do Espírito; pois a letra mata, mas o Espírito vivifica."


E eu tinha plena certeza, por ter ouvido uma interpretação manca desse texto uma vez, que a letra era a leitura simples da Bíblia, que não podia ser feita sem a ajuda do Espírito Santo, que dava vida àquelas palavras. Bonitinho, não é mesmo? Mas não é o que o texto diz. Esse princípio gera algo perigoso, inclusive, que é desmotivar o estudo e exame das Escrituras, pregando uma interpretação suficiente através do Espírito, que vivifica a letra.

Hoje, sabemos que não é disso que se trata o verso ou o capítulo 3 de II Co, como um todo. O que ele está dizendo é que a lei, "gravada com letras em pedras" (3.7), serviu para a nossa condenação, uma vez que não fomos capazes de cumpri-la. Esse "ministério da condenação", pela lei, é muito inferior ao "ministério do Espírito e da justiça" (3.8-9), pelo Espírito Santo, através da graça de Deus, que nos torna justos perante a lei. Pelo sangue de Cristo, somos justificados. Por que a lei nos condenava, trazendo a morte, mas agora, por causa de Jesus, o Espirito nos traz vida. E dessa forma sim, entendemos que letra/lei mata, mas o Espírito/graça vivifica.

O texto desse capítulo está dizendo que, se o ministério que trouxe a morte foi capaz de fazer com o que o rosto de Moisés brilhasse de tal forma, que os israelitas sequer podiam olhá-lo diretamente, muito mais fará o ministério da justiça por meio de Cristo. Paulo está explicando a superioridade da graça de Cristo para a nossa salvação em detrimento da lei, que nos condenava. Graças a Deus, Jesus foi justo, cumprindo toda a lei. E, como justo, morreu no lugar de injustos, como nós.

Então hoje, quando me lembro daquele tempo, vejo como é importante interpretarmos as Escrituras de forma correta, com temor e critério. Pois aquele mesmo exemplo poderia ter gerado morte em mim, uma vez que não entenderia as Escrituras, que são para nós mensagem de vida. Graças a Deus também, porque a Bíblia nos diz que a lei mata, mas o Espírito que nos dá vida está conosco para nos ensinar o que precisamos aprender, e através das Escrituras. Que, aliás, nos trazem vida.

Nenhum comentário: