quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Gl 5.1-15: Por uma fé coerente e baseada na graça

Uma das principais características da heresia legalista judaizante que assolava a igreja da Galácia dizia respeito à circuncisão. Alguns andavam pregando que, para se tornar cristão, era necessário primeiro circuncidar-se. Assim, supunha-se, passava-se a fazer parte da aliança de Deus com Israel para depois fazer parte da aliança de Cristo. Os três primeiros versos do capítulo 5 de Gálatas esclarecem isso:

"Cristo nos libertou para que sejamos de fato livres. Estai, pois, firmes e não torneis a colocar-vos debaixo do jugo da escravidão. Escutai! Eu, Paulo, vos digo que, se vos deixardes circuncidar, Cristo de nada vos aproveitará. De novo testifico a todo homem que se deixa circuncidar, que está obrigado a guardar toda a lei. "


O Apóstolo é duro em sua exortação. E nos traz com isso uma mensagem que clama por coerência na fé. Não podemos ter "áreas" na nossa vida em que nos portamos considerando a lei e outras nas quais consideramos a graça. E se temos uma fé bíblica, isso implica em ler todos os textos com o mesmo peso, método e pressupostos. Por exemplo, se creio que é pecado preocupar-me com minha aparência exterior ao ler I Pedro 3, devo também crer que sou obrigado a cortar minhas mãos ou furar meus olhos quando pecar por eles, ao ler Mateus 6. E ainda, que as mulheres devem ficar totalmente caladas na igreja, além de precisarem usar o véu, conforme diz I Co 11.

Um exemplo um pouco mais prático? Parte do que disse no post anterior: é incoerente apregoar que fui salvo pela graça e que todo os favores que recebo de Deus são imerecidos mesmo, e crer que posso comprar o favor de Deus com meus dízimos e ofertas, ou com qualquer outro ato, boa ação, etc.. Se sou salvo pela graça, é também por ela que Deus exerce seu cuidado comigo, não por qualquer merecimento ou atitude minha.

Paulo pega muito pesado com os que influenciavam os Gálatas nesse sentido. Ele chega a ser irônico (e talvez você já tenha lido esse texto e perdido a oportunidade de rir desse verso):

"Quanto aos que vos andam inquietando, oxalá se mutilassem."


Ou, na (minha) linguagem de hoje: "Quanto aos que dizem que se deve circuncidar, quem dera que cortassem fora seus genitais ao fazerem tal coisa".

Meu Deus! Como minha linguagem de hoje é gentil!

Uma fé legalista anula a graça. Uma fé legalista é pura religiosidade. Deus não se prende a métodos ou age por meio deles, mas é livre e soberano, não podendo ser convencido de nada ou manipulado por ninguém. Paulo diz que a fé legalista pára a caminhada cristã (5.7), anula a mensagem da cruz (5.10) e é carnal (5.13). Uma fé coerente e baseada na graça considera a essência verdadeira da lei, não seus pormenores irrelevantes: resume-se em amar ao próximo como a si mesmo (5.14).

Uma fé legalista nos isola do próximo, pois nos diz que somos melhores que os que não a seguem. Enquanto a fé baseada na graça nos aproxima deles, levando-nos a servi-lo com a mesma graça que recebemos.

Graças a Deus pela carta de Paulo aos Gálatas. A cada trecho, uma lição sobre graça e sobre a fé verdadeira. Sejamos sinceros  e livres, dedicando nossa obediência a Cristo por amor e fé, não por uma inútil obrigação da lei.

Um comentário:

Bruno Adolfo disse...

Muito bom o texto!!Deus te abençoe!