sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

Gl 2.15-21: Como merecer o favor de Deus?

Impossível. Se o que você procurava era uma resposta objetiva, pode fechar a página e retomar a atividade anterior. Para entendermos melhor, seguem as próximas linhas.

Outro dia minha esposa, divagando (ou pode-se ler "viajando muito na maionese), disse: "não seria interessante se pudéssemos fazer algo para merecermos o amor de Deus?". A divagação (ou a viagem) continuou seu rumo natural por mais uns poucos segundos e ela percebeu o buraco teológico pelo qual descera. Se, para ganharmos o favor de Deus em qualquer situação, nós tivéssemos que conquistá-lo com o próprio esforço, estaríamos perdidos. Pois pecamos, somos manchados pelo pecado e incapazes de produzir qualquer coisa boa por nós mesmos.

A passagem bíblica à qual o título desse texto se refere diz que a justificação não é pelas obras da lei, mas pela fé em Jesus. Ser justificado, numa definição muito simples, é ser feito justo aos olhos de quem nos poderia condenar. Deus poderia condenar-nos, pois ele é o juiz e contra ele nós pecamos. Mas, ao entregar seu filho para pagar o preço do pecado por nós, nos permitiu crer nele para sermos justificados pelo seu sangue.

Como Deus é santo, justo e bom, e nós, pecadores, injustos e maus, não poderíamos jamais agradá-lo. Porém, quando ele nos olha agora e vê a justiça imputada pelo seu filho na nossa vida, isso o agrada. E sermos assim justificados é o princípio da fé cristã. Sem tal justificação, não haveria uma oração respondida - ou sequer genuinamente feita. Portanto, como dependemos totalmente de Cristo para nos achegarmos a Deus, jamais poderíamos fazer algo bom o suficiente para agradá-lo. Pois qualquer coisa que possa sair de nós e ser por ele aprovada, só é possível por causa de seu Filho, Jesus Cristo.

O texto bíblico refere-se às leis judaicas para dizer que pelas obras da lei ninguém é justificado. Ou seja, ninguém é capaz de cumprir cabalmente a lei  a ponto de ser tido por Deus como justo o suficiente. Apenas Cristo o foi, e morreu injustamente, para nos fazer justos pelo sua morte. Isso me remete a pensar uma prática teológica que às vezes assimilamos sem perceber, e que parte do mesmo buraco que citei no início do texto. Como o irmão mais velho do filho pródigo (Lc 15), achamos que por obedecermos a Deus, ou fazermos de tudo para isso, passamos a ter direitos, a merecermos algo de suas mãos.

Não fosse pela graça de Deus, não fosse seu favor que agiu por nós independente de nosso mérito, estaríamos perdidos. Rubem Alves fala disso de uma forma muito clara, também usando o exemplo do filho pródigo e de seu irmão. Ele diz que quando o filho gastão voltou para casa e quis o perdão do pai, foi como se o pai lhe dissesse: "filho, eu não contabilizo débitos. Está tudo bem!". E do mesmo modo, quando o filho mais velho questiona o fato de o pai nunca ter lhe dado uma festa semelhante à do filho mais moço por causa de sua severa obediência, sua fala seria: "filho, eu não somo créditos".


O que o Senhor fez e faz por nós, é por amor incondicional e inestimável. Não há preço que pague, não há como merecê-lo de forma alguma. Por isso, é graça. E por isso, jamais mereceremos a sua bênção. Não é por entregar o dízimo e as ofertas. Isso deveria ser apenas uma manifestação de gratidão, não uma moeda de troca. Não é por sermos bons cristãos, isso deveria apenas em reconhecimento de tão grande favor. É somente por crermos no sacrifício de Jesus, que nos comprou tal favor do Pai. Graças a Deus!

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