quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

Gl 1 - 2: Exercendo o ministério com segurança

Comece a leitura de Gálatas e repare como o texto de Paulo é organizado.Primeiro a saudação e destinação comuns às cartas da época. Depois, o cumprimento de Paulo que se tornou obrigação no meio cristão: "graça de Deus e paz do Senhor" (Veja sobre isso aqui). No quarto e quinto versos, o Senhor é caracterizado como aquele que se entregou segundo a vontade do Pai por causa do nosso pecado. E até aqui, o Apóstolo já fez um esboço de toda a carta: nela, ele defende o seu ministério apostólico, fala sobre a verdadeira mensagem do evangelho e combate uma postura legalista, além de fazer recomendações para a vida cristã correta, que implicam em afastar-se da carne e do mundo, abraçando a vida no Espírito que traz a santidade.

O primeiro ponto a ser tratado na carta é justamente a autoridade apostólica de Paulo. Como de costume, ele começou a carta afirmando que seu chamado não veio da parte de homem algum, mas da parte de Jesus, que o chamou. E então faz uma exposição que inclui detalhes do que há em seu coração sobre o seu propósito ministerial e sobre o seu chamado, vindo de Cristo, para pregar o evangelho aos gentios. Alguns versos específicos demonstram claramente como Paulo era seguro do que dizia, como de fato cria no que pregava. Veja:

"Paulo, apóstolo (não da parte de homens, nem por homem algum, mas por Jesus Cristo, e por Deus Pai, que o ressuscitou dentre os mortos)" - 1.1

"Não recebi (o evangelho que prego), nem aprendi de homem algum, mas pela revelação de Jesus Cristo" - 1.12

"(...) Aprouve a Deus, que desde o ventre da minha mãe me separou, e me chamou pela sua graça, revelar seu filho em mim, para que o pregasse entre os gentios (...)" - 1.15-16

"Pois Deus, que operou eficazmente em Pedro para o apostolado da circuncisão, operou também em mim com eficácia para com os gentios" - 2.8

Paulo tinha certeza de que era o Senhor quem o tinha chamado. E se olharmos para os versos acima, na ordem mesmo em que estão dispostos, vemos um pouco do que dava razão à essa segurança do Apóstolo. Ele sabia que era Deus quem o havia chamado e que sua mensagem não veio de ninguém menos que do próprio Senhor. Sabia também que seu chamado fora especificamente para o grupo para o qual pregava, tendo a segurança de fazer o certo da melhor maneira. E o fazia com excelência e dedicação, o que aumentava sua segurança.

Vejo aqui um padrão que nos serve de referência. Baseados nessa segurança de Paulo, podemos formular questões sobre nosso exercício ministerial cujas respostas nos darão a razão de nossa segurança ou da falta dela. Perguntas como:

Tenho certeza de que faço o que o Senhor tem pra mim, ou estou no ministério por conveniência, apenas por  que me envolvi com alguém dele ou outro motivo qualquer?

O que faço, é especificamente o que Deus tem pra mim? Nesse exercício ministerial, o que tenho de melhor é colocado em uso para o crescimento do reino?

Estou certo de que estou fazendo o que faço para o Senhor, não pela igreja ou pelo pastor que me pediu para fazê-lo?

O evangelho de Cristo foi de fato eficaz na minha vida? Estou firmado com Jesus a ponto de não cogitar voltar atrás? E eu entendi de fato a mensagem, de forma a poder pregá-la com excelência e suficiência a todos?

Paulo tinha uma resposta positiva a cada uma dessas questões. Sua autoridade e segurança eram tão grandes, que nos versos 2.11-14, o vemos censurando a Pedro, a quem ele mesmo reconheceu como coluna da igreja (2.9), por ter um comportamento dissimulado. E ainda, o fato de Paulo ter se entregado totalmente, com a sua vida mesmo, ao evangelho, lhe aumentava a segurança. Um dito famoso seu está aqui no capítulo 2:

"Estou crucificado com Cristo, e já não vivo, mas Cristo vive em mim. A vida que agora vivo na carne, vivo-a na fé do Filho de Deus, que me amou e a si mesmo se entregou por mim" - 2.20

Como andar seguro no ministério? Tendo a certeza de ter sido comissionado por Deus, como o Apóstolo, e dando o seu melhor, seu tudo, como ele também o fez. Daremos passos firmes e seguros agindo assim. Se não tivermos clareza quanto a esses pontos, busquemos ao Senhor, que certamente nos responderá. Deus não nos chamou apenas para sermos membros de uma igreja. Ele nos chamou para servi-lo e nos direcionará a fazê-lo da melhor forma.

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