terça-feira, 1 de novembro de 2011

Rm 7.15-24 - Não acerto, mas quero muito!

O texto é tão clássico quanto mal interpretado. E o princípio que garante a má interpretação é comum a outros textos também: o de pensar que tudo o que se encontra na Bíblia é direcionado a todo mundo. Já parou pra reparar que as pessoas pensam que todos são alvos das promessas de Deus, por exemplo? O Salmo 23, por exemplo, quase que teria incluído no seu título a qualificação de inter-religioso...

As promessas de bênção das Escrituras são para os discípulos, os servos, aqueles que caminham com o Senhor e o obedecem. Assim como o que Paulo diz no texto referido no título. Resumindo bem, ele diz que há uma lei em seu corpo que obedece ao pecado, ao passo que a lei da sua consciência e vontade se submete a Deus. Portanto, o mal que ele não quer fazer, acaba fazendo, e o bem que muito quer fazer não é alcançado.

Muitos olham para este texto como uma legalidade para se conformar com os próprios pecados. Como se não tivessem que se preocupar com seus erros, uma vez que até o Apóstolo Paulo entendeu que não conseguiria acertar, mas que erraria sempre. O texto não nos dá tal legalidade, graças a Deus.

Percebam comigo que o Apóstolo começa o trecho que tratamos dizendo que seu modo de agir lhe era incompreensível, por fazer o que não quer e não o que quer (7.15). Ele queria tanto acertar, que o processo que conduzia ao erro parecia irracional. Paulo diz neste trecho 6 vezes que sua vontade era fazer o correto e que seu homem interior ou sua mente serviam a Deus. E outras 7 vezes ele diz que o erro não faz parte de sua vontade consciente, mas de uma lei involuntária que reside em seu corpo.

A diferença de Paulo, que compreendia corretamente o que ali pregava e muitos do nosso tempo, é que ele de fato buscava acertar. Seu argumento não é justificativa para seus erros, pelo contrário. Paulo deixa muito claro seu compromisso com o Senhor, que resulta na busca da santidade. E ele não justifica os erros que comete, apenas mostra entender sua origem. Tanto que seu texto termina com um lamento: "pobre homem que sou! Quem me livrará do corpo dessa morte?"

O que nos garante entender esse texto da maneira correta e viver como o Apóstolo vivia, está claro no último verso do capítulo, 7.25:

"Graças a Deus por Jesus Cristo, nosso Senhor. De maneira que eu, de mim mesmo, com a mente, sou escravo da lei de Deus, mas, segundo a carne, da lei do pecado."


Jesus é quem gera em nós, pelo seu Espírito Santo, o desejo de fazer o que é certo. Ele é quem nos leva a sermos escravos da lei de Deus com a nossa mente, para que possamos obedecê-lo em tudo. Paulo estava tranquilo em sua posição e certo de que não havia condenação alguma sobre ele, como diz o próximo verso do livro (8.1). E nós podemos andar assim também, desde que nosso desejo por agradar ao Senhor seja tão grande, sincero e verdadeiro, que o pecado não é um desvio aceitável, mas um erro repugnante.

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