quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Rm 16: Uma lição até no "tchau" de Paulo

Muitos que lerão este post acharão que estou exagerando em algum ponto. Também, tirar lição do "tchau" de Paulo no final da carta é querer demais, né? Parece, mas não é. Vejamos algo bem diferente na despedida de Paulo aos romanos.

O Apóstolo começa o capítulo 16 recomendando que os irmãos de Roma recebam a Febe, irmã cooperadora na Cencréia, cuja fama de boa hospitalidade a precede. Então, a partir do verso 3, Paulo começa a citar nomes de irmãos específicos, falar algo sobre eles e mandar-lhes saudações. Se você está lendo a carta do princípio e não só ela, mas algum comentário bíblico (que seja bom) e/ou os posts daqui do blog, você já leu que Paulo não conhecia a igreja dos Romanos. Falei isso no primeiro post sobre a carta. Então, como ele saúda tanta gente?

Interessante também que Romanos e Colossenses são as únicas duas cartas que possuem saudações pessoais neste nível. Nas outras onze escritas por Paulo, as saudações são muito mais gerais, do tipo "todos os irmãos vos saúdam (...). A graça do Senhor Jesus Cristo seja convosco. O meu amor seja com todos vós em Cristo Jesus. Amém" (I Co 16.20; 23-24). O que há de comum entre as duas cartas que possuem saudações pessoais é que são as únicas duas igrejas que Paulo não conhecia pessoalmente. Estranho, né?

Mas há uma lógica tão simples nisso, que nos surpreende. Conseguimos imaginar que se Paulo tivesse escrito a uma igreja conhecida, como Éfeso, por exemplo, na qual passou mais de dois anos, e tivesse citado nomes de irmãos como o faz aqui, haveria um potencial risco de ciúmes. Alguns poderiam reclamar que não tinham sido citados ou lembrados pelo Apóstolo e um problema poderia surgir. Pessoas poderiam ficar chateadas com Paulo. É, naquela época já tinha gente chata e imatura assim, não é novidade!

Como Roma era o centro do Império, lugar ao qual todas as estradas conduziam, é comum se esperar que o Apóstolo conhecesse muitos irmãos de lá, que poderiam estar de passagem por outras cidades nas quais ele esteve. Ele cita 26 nomes e 5 famílias, para quem envia saudações. Apesar de ser uma lista grande, não poderia abranger todos os conhecidos de determinada cidade na qual ele teria passado um tempo, certamente. Na Carta aos Colossenses, o número é bem menor, mas ainda assim é a única que acompanha Romanos nesse sentido.

Percebem a preocupação de Paulo, nos mínimos detalhes, para abençoar e manter a saúde da igreja? Se ele escrevesse saudações assim à uma igreja conhecida, poderia haver contendas. Mas, escrevendo para um público que não conhecia pessoalmente, quem seria louco o suficiente para ficar enciumado? Nem naquela época havia gente tão maluca! As saudações poderiam tranquilamente ser enviadas àqueles que ele conhecera fora do contexto da cidade, que isso só teria a acrescentar.

Graças a Deus pelo sábio exemplo de Paulo, aqui e em todos os seus escritos. Graças a Deus pela maravilhosa carta aos Romanos, que terminamos de acompanhar hoje. Se conseguirmos levar a cabo tudo o que lemos e aprendemos nesse texto, seremos cristãos excelentes. Que o Senhor nos abençoe e que, como aconteceu comigo nesta leitura, que a cada vez que voltarmos a este texto ele seja um velho conhecido que sempre nos traz coisas novas. Mais uma vez, graças a Deus!

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