terça-feira, 8 de novembro de 2011

Rm 14: A fé do meu próximo: preocupação minha

Como manifestar o amor com os irmãos na fé? O capítulo 14 de Romanos nos conta. Aqui, Paulo toca em dois pontos problemáticos daquela época para os cristãos: o comer ou não de tudo, pelo risco de o vendedor estar vendendo algo consagrado a ídolos; e a observância ou não de dias especiais, como o sábado do judeu.

Havendo divergências entre os cristãos da época sobre qual postura seria a ideal, o Apóstolo tece o seu texto. As carnes que eram vendidas nos açougues comuns eram, muitas vezes, refugos de templos pagãos. Os animais eram sacrificados a outros deuses quaisquer e sua carne era vendida aos açougues, posteriormente. Então, por acharem que não era lícito comer tal tipo de coisa, alguns chegavam a adotar uma dieta vegetariana. Também outro grupo entendia que deveria observar datas como sábado. Para outros ainda, todos os dias eram consagrados ao Senhor, não distinguindo entre um e outro. Então vem a orientação paulina.

Interessante que o Apóstolo não orienta a comunidade a sentar-se e debater as questões até que haja um ponto comum, mas manda que essas questões - menores - sejam deixadas de lado, e que cada um aja da forma como entender ser melhor, desde que não sirva de escândalo (ver texto) para outro. E aqui está o ponto  mais importante do texto: que a manutenção da fé do meu irmão seja tão importante ao meu ver, que se torne capaz de nortear e mudar, se necessário, a minha prática. Minha fé, então, gira em torno da fé do meu irmão. E não é exagero!

Uma sequência de versos deste capítulo, para nos orientar:

"Ora, quanto ao que é fraco na fé, recebei-o, mas não para condená-lo em questões discutíveis"
14.1

"Aquele que faz caso do dia, para o Senhor o faz. E quem come, para o Senhor come, poios dá graças a Deus; e o que não come, para o Senhor não come, e dá graças a Deus"
14.6

"Portanto, não nos julguemos mais uns aos outros. Antes seja o vosso propósito não pôr tropeço ou escândalo ao irmão"
14.13


"Se por causa da comida se entristece o teu irmão, já não andas conforme o amor. Não faças perecer por causa da comida aquele por quem Cristo morreu"
14.15


"Sigamos, pois, as coisas que servem para a paz e para a edificação de uns para com os outros"
14.19

O texto todo, claro, colabora para afirmar este tema central. Os versos acima são apenas alguns destaques que deixam claro a quê o Apóstolo nos chama: a ter a nossa liberdade condicionada à do outro, e nossa prática como já disse acima que deve ser. Hoje não temos problemas da mesma natureza que o daquela igreja de forma tão acentuada, mas conseguimos facilmente praticar esse mandamento em outras situações.

Muitos irmãos que começam a estudar Teologia, por exemplo, passam a ter prazer em trazer para o círculo da igreja discussões que deveriam ficar limitadas ao ambiente acadêmico ou aos mais envolvidos com o tema. Outros, críticos que são (ou que somos), discordam de algumas práticas da igreja e querem manifestar tal indignação. Mas o fazem no momento errado, da forma errada, perto da pessoa errada, e assim correm o risco de causar um mal maior do que aquele que quer combater.

A forma como nos portamos deve abençoar nossos irmãos e comunidade, nunca lhes servir de problema. Ainda que "algo discutível" (14.1) seja muito incômodo para nós, devemos levar isso a quem de fato pode resolver problema: primeiro ao Senhor, depois ao responsável por qualquer que seja a situação incômoda. Não a qualquer um. E se achamos que podemos ou não fazer algo, como ouvir determinados tipos de música, frequentar um certo tipo de lugar, comer ou beber o que quer que seja, que a nossa liberdade seja exercida com temor a Deus, respeito e interesse pelo próximo e por sua fé.

Nenhum comentário: