segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Rm 12.9-21: Aborrecendo o mal, não o maldoso

O texto de Rm 12.9-21 tem estrutura e temas bem semelhantes ao sermão do monte. Possivelmente Paulo tinha acesso à comunicação oral desse sermão e foi influenciado por ele para escrever essa parte da carta. Ainda não havia dado tempo de os evangelhos escritos serem conhecidos, mas o ensino já era passado oralmente.

Um princípio que nos leva a uma prática mais justa e semelhante à de Jesus da Palavra de Deus nos salta aos olhos no texto. O verso 12.9 diz:

"O amor seja não fingido. Aborrecei o mal, e apegai-vos ao bem."


Agora, veja outros versos do mesmo trecho:

"Abençoai aos que vos perseguem; abençoai, e não amaldiçoeis." (12.14)

"A ninguém torneis mal por mal. Procurai as coisas honestas perante todos os homens" (12.17)

"Não vos vingueis a vós mesmos, amados, mas dai lugar à ira, pois está escrito:Minha é a vingança; eu retribuirei, diz o Senhor" (12.19)

"Portanto, se o teu inimigo tiver fome, dá-lhe de comer, se tiver sede, dá-lhe de beber (...)" ('12.20)

"Não te deixes vencer do mal, mas vence o mal com o bem" (12.21)

Como em tantas outras ocasiões nas Escrituras, vemos o Senhor invertendo a lógica e a previsibilidade das nossas ações pecaminosas para nos transmitir o ideal de acordo com o seu padrão. Em suma, o texto nos diz que devemos fazer o bem àqueles que nos fazem mal, confiando a vingança, caso ela necessite acontecer, ao Senhor. Não parte do Senhor aquela mentalidade que dita a regra do "toma-lá-dá-cá", que diz que o Senhor fará justiça aos seus e que qualquer que tocar em um de seus cabelos será "punido" por isso.

Se seguirmos a orientação do Senhor em relação àqueles que nos perseguem, corremos o sério risco de ganharmos o nosso inimigo para o Senhor e, ao invés de levar-lhe punição, comunicar-lhe a graça de Deus. Pois não foi exatamente isso que o Senhor fez conosco? Não merecíamos o pior, por termos pecado contra ele, virado-lhe as costas e crucificado o Senhor? No entanto, estamos salvos e com o Espírito Santo fazendo morada em nós. Ele foi o primeiro a pagar o mal com o bem: ao invés de nos consumir, pagou nosso mal com seu sangue.

Devemos aborrecer a maldade, como Senhor o faz. E assim como ele foi capaz de amar alguém mal como nós, somos chamados a fazer o mesmo com nossos adversários, comunicando o mesmo amor que recebemos em troca de nossos pecados. Isso, claro, se de fato recebemos o amor de Deus. Então somos capazes de tal ato de amor. Se não conseguimos fazer isso, precisamos rever o quanto entendemos e recebemos a mensagem e a obra da graça de Deus em nós.

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