sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Rm 10.9-10: Oração de salvação?

O tipo de oração ao qual o título do texto se refere é muito comum em nossas igrejas, não? E normalmente é baseada no texto também ali referido. Quero refletir com você sobre ele por um outro lado. Lembre-se do texto comigo:

"Se com a tua boca confessares a Jesus como Senhor, e em teu coração creres que Deus o ressuscitou dentre os mortos, serás salvo. Pois com o coração se crê para a justiça, e com a boca se faz confissão para a salvação"


É muito comum este texto ser a base para qualquer grupo de evangelismo, principalmente de evangelismo de rua, como alguns dos quais já fiz parte. Íamos a hospitais, praças públicas, parques, onde quer que houvesse alguém que pudesse ouvir a Palavra de Deus e ali pregávamos. Se a pessoa ouvisse e aceitasse a mensagem, pedíamos que ela repetisse uma oração que usava estes dois versos como base. Simples! Voltávamos felizes, pois mais um havia aceitado a Cristo.

Outro dia, porém, pregando para cerca de 80 jovens numa igreja, perguntei quem havia se convertido num desses evangelismos. Ninguém se manifestou. Então, perguntei quem havia se convertido através de algum programa de televisão evangélico; uma vez que há tantos e eles existem para evangelizar (?????), seria comum encontrar algum fruto deles. Nenhum. Então, perguntei quem se converteu através de algum amigo ou parente, que lhe pregara o evangelho e começara a caminhar com ele. Todos os que não haviam nascido em um lar cristão se manifestaram.

Então, o evangelismo de rua não é válido? Não digo isso de forma alguma. Mas precisamos questionar apenas o que nos tem servido de base e o que temos entendido como sucesso nessas incursões evangelísticas. O grande problema dessa prática é que ela tem como vitória o fato de "x" pessoas repetirem uma oração de confissão. Depois, conta-se o "testemunho" do número de conversões - o que quase nunca corresponde de fato ao número de pessoas que realmente se converteram.

A ideia de confessar com a boca e crer com o coração do texto e Romanos certamente não é coisa de um momento único. Mas diz respeito à fé com a qual cremos "para a justiça", como diz o texto, que é uma fé madura e consciente, que precisa ser trabalhada. A confissão deve ser uma confissão constante também, pois certamente nãos serei salvo se agora confessar que Jesus é o Senhor mas, daí a pouco, entregar-me novamente ao pecado.

Uma pesquisa feita em algumas mega-igrejas nos EUA constatou que 12% dos membros dessas igrejas foram até elas por conta própria, enquanto que 7% foram influenciados por alguma forma de media e os restantes 82% foram conduzidos por algum amigo, colega de trabalho ou familiar (confira a pesquisa aqui, caso se interesse). Esse dado reforça o seguinte argumento: o discipulado é bem superior ao evangelismo - inclusive em eficácia.

Muitos evangelismos preocupam-se apenas com os números dos que são alcançados, enquanto um discipulado verdadeiro ocupa-se da mudança real de vida e perseverança na fé do recém-convertido. Finalizo reforçando: não sou contra o evangelismo. Mas a ordem de Jesus para nós foi para fazermos discípulos e não somente orações de confissão. Sou a favor do evangelismo, desde que ele não substitua o "fazei discípulos" que segue o "Ide por todo o mundo".

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