sexta-feira, 11 de novembro de 2011

I Coríntios: Uma mensagem pura para os impuros


A cidade de Corinto, para a qual Paulo escreve esta carta, era muito importante para o Império Romano, pois sua localização fazia dela um ponto comercial estratégico. Corinto era conhecida como a “ponte dos mares”, pois os navios atracavam a oeste da cidade e descarregavam suas mercadorias que, caso tivessem outro destino que não Corinto, eram transportadas até o porto no extremo leste da cidade, para então seguir viagem. Transportar dessa forma era mais seguro, rápido e menos custoso, o que fazia dessa cidade destino certo de muitos trabalhadores e comerciantes.

Isso fazia com que houvesse muitas pessoas de diferentes culturas em Corinto o tempo todo. E a igreja que ali havia também era formada por uma infinidade de pessoas e culturas: judeus e gentios de várias regiões. E todos tinham algo em comum: vinham e viviam entre toda a depravação característica de Corinto.

A ponte dos mares era também um caminho de perversão, prostituição e valores corrompidos. A miscigenação cultural e religiosa fazia da vida em Corinto um caminho guiado pelos próprios prazeres e satisfação pessoal, independente de valores religiosos ou quaisquer outros. O termo “corintiar” chegou a ser criado para caracterizar o levar uma vida imoral.

Os Coríntios tinham dois deuses principais: Poseidon, deus dos mares, e Afrodite, deusa do amor. A cidade se gabava de ter um templo à deusa Afrodite no qual havia prostitutas à disposição daqueles que quisessem ali “cultuar” à deusa.

Paulo escreve para a igreja que fora fundada por ele mesmo nessa cidade. Seus membros eram vindos desse contexto sujo, e agora entendiam que foram chamados para serem santos, como Paulo diz já na introdução da carta. Mas os desafios do Apóstolo dos gentios não é pequeno... Ele trata na carta de problemas diversos, como costumes imorais, falsos ensinos, legalismo, comportamento inadequado na ceia, dentre outros.

Você já ouviu alguém dizer que deveríamos voltar a ser como a igreja primitiva? Se essa fosse a de Corinto, particularmente, eu não seria seu frequentador. A maior beleza desta carta, em minha opinião, está justamente no amor de Paulo às suas ovelhas mais complicadas. Diante de tantos desafios e até da inobservância de seus ensinos mais simples, o Apóstolo porta-se de forma exemplar diante de uma igreja realmente problemática. Atitude diferente de muitos cristãos hoje, pois ao se depararem com problemas na igreja, passam a agir contra ela.

Além dos problemas – e até por causa deles, Paulo também faz a mais completa exposição bíblica sobre dons espirituais e ainda fala sobre a ressurreição também de forma excepcional. A carta aos Coríntios também nos ensina muito doutrinariamente.

Aprendamos juntos lendo, refletindo e lutando para praticar tudo o que este texto tem a nos dizer. Talvez alguns que aqui leem tem lutado há muito contra determinados pecados. Nesta carta, vemos um dos mais zelosos pastores da história atentando para um povo cheio de pecados e dizendo a eles que há um caminho para eles junto a Cristo. A santidade é ensinada ao pecador, a pureza ao impuro, o ideal para o que tem insistido no erro. Ou mesmo alguns podem estar levando uma vida “coríntia” e aqui podem também achar libertação.

Começamos amanhã com o primeiro capítulo. Que o Senhor fale conosco o que precisamos ouvir também através deste livro. Uma boa leitura, aprendizado e prática para nós!

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