domingo, 13 de novembro de 2011

I Cor 2: Sábio ou sabedor?

"Todavia, falamos sabedoria entre os perfeitos, mas não a sabedoria deste mundo, nem dos poderosos deste mundo, que se aniquilam. Não, falamos a sabedoria de Deus oculta em mistério, a qual Deus ordenou antes dos séculos para nossa glória. Nenhum dos poderosos deste mundo a conheceu, pois se a tivessem conhecido, jamais teriam crucificado o Senhor da glória."
I Co 2.6-8

Os três versos acima resumem para nós o conteúdo do segundo capítulo desta carta que estudamos. Paulo está falando sobre a essência da mensagem com a qual ele evangelizou os coríntios e sobre a diferença entre a sabedoria do mundo e a sabedoria de Deus. A do mundo, como diz o verso 6, chega a ser auto-destrutiva para o homem. Já a sabedoria de Deus, revela e confirma em nosso coração que Jesus é o Senhor e que sua graça manifesta-se no seu sacrifício (2.6, 12).

Lendo estes versos, lembro-me dos que se encontram em situação de cegueira espiritual. Olham para Jesus e dizem que ele é sim, Deus, filho de Deus, que tem poder e soberania. Mas ainda são escravos do pecado e não conseguem entender isso com seu coração e integral e praticamente em suas vidas. E ainda olho para os que já conhecem, entendem e vivem o senhorio de Cristo, e percebo o quanto não somos responsáveis ou possuímos mérito algum sobre nossa fé: ela nos é dada pelo Espírito de Deus e é ele quem nos dá olhos e entendimento espirituais para compreendermos essas verdades.

Tudo isso diz pelo menos duas coisas a nós: primeira, que aqueles que ainda não vivem de forma a considerarem a soberania de Deus em suas vidas, precisam da ação do Espírito Santo para fazê-lo. Estes podem ter conhecimento largo da Palavra de Deus, mas não passa de um conhecimento como de quem conhece um texto qualquer. A Bíblia é o único livro que carrega essa propriedade: ela pode ser lida e entendida por qualquer um, ao menos as informações históricas e intenções básicas dos escritores, mas só pode ser vivida  por aquele que o buscar com a ajuda do Espírito de Deus. É o único livro que não pode ser compreendido sem a ajuda e a presença do seu autor.

A segunda, que nós não temos mérito algum em nossa fé. Se é o Espírito Santo quem gera em nós o conhecimento de Cristo e o reconhecimento de seu sacrifício; se é ele quem nos revela o "mistério" da salvação (2.7), que estava em Deus desde o princípio, não temos do que nos orgulhar, mas apenas a agradecer a Deus. Pois aqueles que conhecem a Cristo de verdade não apenas são sabedores do texto sagrado, mas o interpretam espiritualmente, como ele deve ser interpretado (2.14-15). Os que conhecem e entendem a mensagem do Evangelho, são sábios diante e por causa de Deus.

Portanto, devemos assimilar essas verdades para que elas possam nortear nossa pregação e também nosso estudo da Palavra de Deus. Na pregação, devemos estar cientes da nossa total dependência do Espírito Santo para que a mensagem pregada encontre lugar e seja compreendida por quem ouve. E para nós, devemos também ter ciência de que se o Senhor tirasse de nós o Santo Espírito, a Bíblia Sagrada e outra literatura qualquer não teriam diferença alguma. Ler um bom jornal seria, nesse caso, até mais proveitoso.

Mas glória a Deus por sua graça para com todos. Lembremo-nos do que diz Tito 2.11: "a graça de Deus se manifestou salvadora a todos os homens". Tenhamos em mente que o Senhor quer revelar-se a todos, e assim como usou a Paulo para levar essa excelente mensagem aos coríntios, quer nos usar para fazê-lo com os que estiverem ao nosso alcance. E para isso, como o Apóstolo, devemos reconhecer nossa dependência dele bem como sua graça sobre nós. Vivamos e preguemos a mensagem do Evangelho, com a ajuda do seu melhor intérprete e professor: o Espírito de Deus.

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