sexta-feira, 25 de novembro de 2011

I Co13: O capítulo sobre o qual eu não queria escrever

Sinceramente não queria mesmo escrever sobre este capítulo. Isso por que não me acho digno de fazê-lo. Tantas mentes brilhantes já lançaram seus olhos, coração e mente sobre este texto, que só de tentar já me parece ser um bocado arrogante. Portanto, o que escrevo aqui são apenas impressões que tentam, com muito custo, extrair e expor algo não-óbvio deste texto tão conhecido, profundo e explorado.

Gosto da divisão que Paulo faz do capítulo. Nos três primeiros versos, ele fala sobre algumas coisas muito nobres que poderiam ser feitas por ele, mas que se fossem feitas sem amor não teriam a mínima nobreza. Entendo com isso que a falta de amor pode fazer muitas coisas, mas que não valerão nada. Porém, o sujeito que ama de verdade não está desobrigado de agir, pelo contrário. O que ama se esforçará para ser entendido pelos homens e pelos anjos. O que ama buscará conhecer os mistérios e a ciência, e ainda uma fé relevante. O que ama terá os seus bens não como posses intocáveis, mas como instrumentos abençoadores em suas mãos. A presença do amor não anula a responsabilidade de agir, mas valida a ação.

Os próximos três versos, de 4 a 7, o Apóstolo fala sobre como é o amor. Você já buscou os antônimos das características do amor neste texto? Pois aí vão, como evidência da falta de amor na vida de alguém: impaciência, maldade, ciúmes, auto-estima supervalorizada, soberba, inconveniência (não é legal esse?), egoísmo, fácil irritaç ão, fácil chateação por causa do erro do outro (ou do mal cometido por outro), conformidade com a injustiça. Ainda, incredulidade, ausência de esperança e pouca capacidade de apoiar. Quantas características dessa longa lista fazem parte do nosso comportamento e/ou consequente do nosso caráter? Elas atestam que falta um bocado de amor em nós.

Nos últimos seis versos - quase a metade do capítulo, Paulo argumenta que o amor durará mesmo após as coisas que podemos considerar mais fascinantes. Imagine como era novo e importante para os cristãos daquele tempo (especialmente os de Corinto) os dons de línguas e de profecia. E ainda como era valorizado o conhecimento, pois Corinto era extremamente influenciada pela filosofia grega. E Paulo diz que tudo isso passará, mas ainda permanecerá o amor.

E conclui dizendo que permanecem na nossa vida três coisas: fé, esperança e amor. Não sem intenção, são as três últimas características que ele disse fazer parte do amor. Confira lá no final do verso 7 e no penúltimo parágrafo acima. Essas três coisas importantes e fundamentais têm uma que carrega maior importância, que é o amor. A fé, um dia, alcançará o seu propósito. Pois não está a nossa fé no Filho de Deus, e no fato de que viveremos com ele eternamente? Pois um dia isso se cumprirá e a fé não mais será necessária. Não precisamos esperar com paciência até que esse dia chegue, suportando as dificuldades do nosso tempo e fortalecendo diariamente nossa esperança? pois um ela será satisfeita, também quanto estivermos com ele, e não precisaremos mais esperar por nada.

Mas o amor, ainda que tudo se cumpra, continuará sendo a base do nosso relacionamento com Deus, da nossa vida eterna, do nosso relacionamento com os irmãos que também viverão eternamente conosco. É o amor que nos conduzirá à eternidade, e esse amor será demonstrado até aquele dia através do nosso amor para com os irmãos. O amor motivou o sacrifício de Cristo e nos motiva a perseverar na caminhada. O amor dá sentido à nossa vida, pois se não amarmos ninguém nos tornaremos pessoas amargas. O amor é o vínculo, o elo da perfeição: sem ele jamais seremos perfeitos.

Viver uma vida de amor nada mais é do que reconhecer e buscar retribuir com esse sentimento - que começa com uma decisão racional de escolha, o que Deus fez por nós. Amemos de verdade!

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