segunda-feira, 21 de novembro de 2011

I Co 9: Dedicação integral ao ministério - o exemplo de Paulo

Este capítulo de I Coríntios contém uma das advertências mais difíceis que Paulo precisou fazer, na minha opinião. Devido a alguns questionamentos surgidos na igreja, Paulo precisa lembrar às suas ovelhas sobre o direito que ele e os demais apóstolos tinham por viverem em dedicação total ao ministério. É como um pai que precisa lembrar ao filho quem manda em casa, como se isso não fosse óbvio. E o Apóstolo não precisou fazer isso uma única vez. Em outras cartas ele tem que reforçar também sua autoridade e direitos. E estamos falando do Apóstolo Paulo...

Podemos dividir o capítulo em 3 partes: na primeira, ele expõe quais são os direitos dos apóstolos (9.1-11); na segunda, fala sobre sua postura em relação a esses direitos (9.12-17) e na terceira, sobre sua determinação, disciplina, responsabilidade e entendido dever de pregar o Evangelho.

O ponto que mais me chama a atenção é o segundo. Conseguiria imaginar facilmente muitos ministros de hoje reproduzindo a primeira parte do discurso e talvez a terceira, mas a segunda seria algo muito inusitado. O exemplo de Paulo é o de alguém que, tendo muitos direitos por exercer o ministério que exercia, abria mão de todos. Conscientizava sua comunidade desses direitos, pois outras pessoas seriamente dedicadas usufruíam deles, mas não fazia uso dos mesmos. Veja o que dizem os versos 8.14-15:

"Assim ordenou também o Senhor aos que anunciam o evangelho, que vivam do evangelho. Mas eu de nenhuma dessas coisas usei. E não escrevi isto para que assim se faça comigo. Melhor me fora morrer, do que alguém fazer vã esta minha glória."


O que vemos hoje são pessoas que fazem muita questão desse direito e que, as vezes, até têm por objetivo ministerial alcançar legalidade para usá-lo. Vejo isso acontecer, por exemplo, com os que muitos chamam de "ministros de louvor", o que sinceramente, no caso que cito aqui, não reconheço como tais. Posso chamá-los de artistas do mercado evangélico, mas não mais isso. Ou você consegue achar justo que alguém receba, no Brasil, uma "oferta" de R$ 25.000,00 por uma "ministração" de louvor? Num contexto de desigualdade social como o nosso, o ministro não deveria colaborar com essa situação, mas sim lutar para erradicá-la.

O nosso país se orgulha de ter atingido em 2010 um PIB per capita de US$ 10.000,00 (anuais). E sabemos que isso não reflete a renda da maioria da população, pois trata-se de uma média do país todo. Mas parece que os ministros foram, em algum momento da história, cegados para a consciência de que a igualdade de direitos deve ser objetivada e propagada, mesmo num contexto capitalista. Mas vejo que é querer demais, por algum motivo que desconheço ou que prefiro não reconhecer.

Paulo trabalhava com as próprias mãos para sustentar seu ministério. Ele fabricava tendas e com isso não era financeiramente pesado para igreja alguma. E eu não acredito que essa postura prejudicou sua dedicação. Paulo viajou naquela época, pregando o evangelho, mais do que a maioria de nós hoje, com muito mais facilidades de transporte, viajaremos em toda a vida. A diferença é que Paulo tinha a pregação do evangelho como total prioridade, para a qual não deveria limitar nenhum recurso ou esforço.

Se queremos nos dedicar ministerialmente, por que não tomamos como exemplo o ministério de Paulo? Que o Senhor nos ajude a, assim como o Apóstolo, sermos dedicados, sinceros, coerentes e honestos.

3 comentários:

Rafael Valentim disse...

Imagino q este vá para o Top 5 de acessos! rsrs
Esta semana li um texto falando q sociedade hj idolatra as ideologias. Ai vem oq o salmista diz em Salmos 135:18: Semelhantes a eles se tornem os que os fazem, e todos os que confiam neles. Qnto mais respostas buscamos no capitalismo, mais iguais a ele nós ficamos.
Viva la revolucion! haehahehahea #zuera

Bruno Adolfo disse...

O que me da mais raiva e que o “ministro de louvor” ou as “bandas” falm que e para DEUS! Só se for o Deus do bolso deles! E tem gente que idolatra e faz tudo para comprar CD ir ao Show e o bolso da pessoa sem nenhum dinheiro mais já o do “ministro de louvor” ne!! Mem se fala batendo de carro de 350 mil a VA..Acorda gente!!!!!
Excelente texto Nivton

Ana Cristina disse...

Muito bom!!!!