domingo, 20 de novembro de 2011

I Co 8: Conhecimento, liberdade de consciência e a fé do próximo

Paulo começa este capítulo com uma fala que merece destaque, antes de aprofundarmos no tema geral do texto. Diz:

"Ora, no tocante às coisas sacrificadas aos ídolos, sabemos que todos temos ciência. A ciência incha, mas o amor edifica."


Ora, Paulo vai tratar sobre a postura que os coríntios deveriam ter a respeito de um tipo de alimento que alguns consideravam impuro. Ele começa dizendo que a todos sabiam do que era correto, mas que só isso não bastava. A ciência, o conhecimento, incham, mas só o amor edifica. E o que é um inchaço no corpo? É uma retenção anormal de líquido entre os vasos sanguíneos e o tecido da pele/células, que dá ao local atingido um volume que ele normalmente não tem. Nesse sentido, entendo, Paulo usa essa analogia: o conhecimento faz alguém parecer ter importância, se destacar, ser maior que os demais. Mas não passa de um inchaço... Só o amor constrói algo relevante, verdadeiro.

Continuando com o tema do texto...

Na época que Paulo escreveu esta carta, era comum os açougues venderem carnes que eram refugos dos templos pagãos. Os animais eram sacrificados nos cultos e as carnes que ainda poderiam ser consumidas eram repassadas à população. Em I Co 10.22-33 o Apóstolo retoma esse tema e diz que deveria se comer de tudo o que era vendido no açougue sem questionar a sua origem, para não contaminar a consciência (10.25).

No capítulo 8, Paulo reconhece que está escrevendo para pessoas que ele entende terem uma consciência e fé maduras, que entendem que o ídolo não é nada no mundo (8.4). E que diferença faz um ídolo? Um de madeira, por exemplo, é somente um pedaço de madeira, sem poder espiritual, relevância para a fé ou poder de influência algum. Não é nada. Mas nem todos tinham esse conhecimento (8.7), e ao lidarem com as coisas que antes foram sacrificadas aos ídolos contaminavam sua consciência.

A recomendação do Apóstolo, então, é que a liberdade de quem tem o conhecimento e a consciência tranquila para comer de tudo não fira a fé de quem não tem. Não é a primeira e nem a última vez que ele faz uma recomendação como essa. Paulo tinha a inabalável certeza de que fazer tropeçar a fé do seu próximo era desagradar diretamente a Deus (8.12). Ele termina o texto dizendo que se comer carne fizer tropeçar o seu irmão, ele nunca mais comeria.

Conseguimos aplicar essa situação muito facilmente ao nosso contexto. Quantas vezes eu não vi pessoas que julgavam ter um conhecimento maior que outro e por isso, ao invés de submeter-se à fé do mais fraco (ou daquele a quem o sujeito julgava ser mais fraco que ele), subjugava-o? Alguns consideram diferentemente questões como guardar um dia específico da semana para o Senhor, ouvir determinadas músicas, comer alimentos específicos, fazer ou não fazer isso ou aquilo.

Percebem que, perto da importância que tem uma fé sincera e uma entrega verdadeira a Cristo, qualquer questão de "pode ou não pode" ou deve-se ou não fazer alguma coisa, é muito pequena? Não passam, na maioria das vezes, de um fútil legalismo, cujo fim é dizer que quem faz ou deixa de fazer tal coisa é melhor ou pior do que outro. E Cristo nos faz todos iguais, por causa de sua graça, e o somos também por causa do nosso pecado. Portanto, criar padrões de comportamento que acabam nos diferindo dos demais é anular a graça de Deus e reconhecer um mérito que não temos. Ô, legalismo problemático!

Submetemo-nos a Deus e tenhamos uma fé sincera, que considera a fé do próximo em alta estima. Essa é baseada no amor que edifica e não no conhecimento que incha. E certamente agrada a Deus.

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