sábado, 19 de novembro de 2011

I Co 7: O valor e as potencialidades do casamento

Este capítulo é tão profundo e completo, que fazer opção por falar apenas sobre um trecho é ser muito injusto com o texto. Para não cometer tal pecado interpretativo, resumo o texto e três pontos principais, que o abraçam todo:

1 - 1.8: O casamento é o instrumento de Deus para que nossa sexualidade permaneça no eixo. A sexualidade do casal deve ser exercitada constantemente, sem que qualquer das partes prive a outra do sexo. Nenhum dos cônjuges é mais, após o casamento, senhor do próprio corpo, mas agora servem ao parceiro com ele.

2 - 9.-23: O casamento não deve ser dissolvido. Uma exceção mostrada aqui é o caso do abandono do cônjuge cristão por parte não cristã. Neste caso, o cristão não está preso ao outro mais. Paulo também recomenda que cada um deve permanecer em Cristo como foi chamado: se converteu-se casado, continue casado, se solteiro, da mesma forma. Mas isso não é mandamento universal, mas recomendação pessoal de Paulo - e do Senhor, claro.

3 - 24-40: O casamento é bênção de Deus para o homem, mas exige dedicação tal que divide aquele que serve a Cristo entre a atenção ao casamento/cônjuge e o cuidado da obra de Deus. O casamento requer uma dedicação tão grande e é tão importante, que Paulo entende que o casado deve "cuidar das coisas do mundo, de como agradar à esposa/marido" (33-34, recorte).

Percebam que o casamento é de tal forma valorizado pelas Escrituras que é a única exceção que nos tira da entrega total à obra de Deus. A Palavra de Deus prevê que o sujeito deve entregar-se ao casamento para fazer o cônjuge feliz, mais do que cuidar das coisas de Deus. Não é uma valorização muito grande da parte do Senhor?

Isso por que a família não tem preço para Deus. O Senhor começou a criação formando uma família: Adão e Eva eram marido e mulher e tiveram filhos que passaram também a relacionar-se com o Senhor e todos conhecem o restante da história. Para ilustrar a relação e o amor de Cristo para com a igreja, o Senhor compara Jesus com o noivo e a igreja com a noiva. Hoje, os dois estariam em clima de casamento, aguardando ansiosamente a oportunidade de se encontrarem e unirem-se definitivamente.

Tendo tudo isso em mente quero propor uma reflexão simples. Quantos nunca havíamos levado a sério o casamento e passamos a fazê-lo ao conhecer a Cristo verdadeiramente? Se isso não aconteceu ainda com alguém, deve ser motivo de preocupação, pois o casamento é uma bênção de Deus. Mas gostaria que observássemos alguns princípios, que vou expor excepcionalmente de forma sistemática para ser mais sucinto:

1 - O casamento é a ferramenta de Deus para colocar limite na nossa sexualidade. Ele é a vazão que encontramos para nossos desejos, sendo o casal responsável pela satisfação sexual mútua. Um casamento sexualmente sadio santifica os cônjuges, pois os limites da sexualidade são ali satisfatórios a ambos.

2 - O casamento, uma vez consumado, não é passível de ser revogado. Casa-se uma vez e dedica-se à tal união durante toda a vida. Por isso, antes de qualquer um realizar o sonho de se casar, deve priorizar o sonho - ou criá-lo - de ser feliz e de completar algum outro. Uma união baseada na auto-satisfação está fadada ao fracasso. Cada cônjuge vive em prol do outro.

3 - Não devemos desprezar que a Bíblia nos antecipa que o casamento nos trará "tribulações", como trata o último trecho do capítulo. E que Paulo nos recomenda a não nos casarmos para dedicarmo-nos ao Senhor. Como nunca conheci alguém que tenha recebido tal dom (esse ninguém busca, né?), entendamos que ao casar, o sujeito aceita as consequências, limitações e problemas que o casamento o trará.

4  e último: Agora, falo um pouco mais pessoalmente. Um casamento construído debaixo dos padrões de Deus é o maior instrumento que eu já vi para fazer alguém realizado, feliz e completo. Assim como a única exceção dada pelas Escrituras que seja digna de dividir a nossa dedicação ao Senhor, vejo que o que o casamento pode proporcionar ao homem também só é comparado ao que o Senhor é capaz de realizar em nós. Tamanha satisfação e completude só encontra semelhança em Cristo.

Valorizemos o casamento como o Senhor o valoriza. Busquemos construí-lo com temor de Deus, sabedoria, paciência e dedicação. Um casamento saudável gera saúde também nos cônjuges. Mas, ainda falando pessoalmente, nunca vi um sujeito mal casado ser feliz. Mas o marido/esposa que achou um cônjuge fiel e ajudador, é mais feliz e completo, e acha forças no outro para passarem juntos por qualquer coisa.

Meu amigo, não despreze o casamento. Não se apresse em construí-lo, mas faça-o com cuidado e cautela. Está namorando e não tem certeza se será capaz de ser feliz e de levar felicidade ao outro? Na dúvida, não se case. Você será mais feliz com a dúvida do que com um casamento ruim. Busque ao Senhor, o que é solteiro, para começar bem. E o casado, como eu, para conservar a saúde do casamento - ou para trazê-la ao relacionamento. O Senhor é o maior e primeiro interessado nisso, e certamente ajudará a cada um.

Um comentário:

Ana Cristina disse...

Lindo texto,pena que em nossas igrejas estamos vendo tanto divórcio sem base bíblica, e o pior,pastores fazendo casamento de pessoas separadas por motivos imbecis,mas sabemos que o único motivo que a Biblia nos permite separar é em caso de adultério ou a pessoa não crente,repudiar a crente.Infelismente estão distorcendo muito a palavra de Deus e a adequando ao seus próprios interesses.Temos continuar lutando pelo verdadeiro evangelho.Continue com estes textos maravilhosos.Vc tem nos abençoado muito.