quinta-feira, 17 de novembro de 2011

I Co 6: Um mandamento louco: sofrer prejuízo

Uma coisa que a Bíblia consegue fazer com facilidade, ao meu ver, é nos orientar a ter posturas loucas. E os exemplos são muitos e clássicos, como amar os inimigos, dar para receber, ser o menor para ser o maior, servir ao invés de ser servido, preferir honrar o outro que a si mesmo, etc. E o capítulo 6 de Coríntios dá outra orientação louca dessas: sofrer a injustiça.

O capítulo começa criticando os coríntios por buscarem tribunais comuns, fora da igreja, para resolverem qualquer questão de litígio entre si. Paulo os critica duramente e questiona se não há sequer um sábio entre eles capaz de julgar as coisas dessa vida sem que seja necessário levar tudo perante um juiz secular. De acordo com o Apóstolo, essa prática não é recomendável. Ele não esclarece o motivo, mas podemos inferir que seja um mau testemunho para os de fora. Além de ser uma atitude que dá valor em excesso às "questões dessa vida", como diz o verso 6.3.

A orientação "estranha" de Paulo está no verso 7. Vale a pena transcrevê-lo:

"Na verdade já é realmente uma falta entre vós, terdes demandas uns contra os outros. Por que não sofreis antes a injustiça? Por que não sofreis antes o dano?"


É melhor, segundo o texto, que soframos um prejuízo de algum irmão do que levemos qualquer questão para fora da igreja e assim corramos o risco de envergonhar o nome do Senhor. É óbvio que este texto deve ser lido e deve orientar a prática daquele que já sofreu algum prejuízo e nunca daquele que causou. O que causou o prejuízo, claro, deve fazer de tudo para ressarcir, recompensar aquele que sofreu.

Aliás, é outra crítica presente no texto: ao invés de os irmãos sofrerem a injustiça, eles próprios a cometiam. E então a situação era ainda pior. Paulo diz tudo isso e termina a primeira parte do capítulo 6 dizendo que os injustos e outros tantos tipos de transgressores não herdarão o reino de Deus. E lembra aos coríntios que muitos deles eram tais tipo de transgressores, mas que agora havia sido lavados por Jesus.

Nenhum de nós tem prazer na prática ditada pelo texto. Ou alguém aí gosta de sofrer prejuízo? Mas devemos saber o que é prioridade para o Senhor ao resolvermos nossas questões. É melhor que quem seja lesado? Eu, ou o nome do Senhor? Portanto, que o texto sagrado, mais uma vez, guie nossa vida. Contemos com Deus para nos auxiliar, pelo seu Espírito, a agirmos conforme lhe agrada.

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