quarta-feira, 16 de novembro de 2011

I Co 5: O pecado não pode ser tolerado

Os treze versos do quinto capítulo de I Coríntios ensinam-nos sem a mínima necessidade de explicação ou interpretação criteriosa, ao menos para nos passar o principal. O texto é muito simples e direto, dada a seriedade do assunto que Paulo trata ali.

Ele escreve recomendando à igreja que expulse de seu meio um irmão imoral, que havia abusado sexualmente da mulher de seu próprio pai. Paulo diz que tal sujeito deveria ser "entregue a Satanás para destruição da carne, para que o espírito se salvasse no dia do Senhor Jesus".  O que não poderia ser de maneira alguma tolerada era a soberba dos Coríntios, que aparentemente estavam considerando a si mesmos uma igreja madura, mas que provava o contrário tolerando pecado em tal nível.

Paulo justifica a dureza de sua recomendação (ou ordem) dizendo que um pouco de fermento seria suficiente para levedar a massa toda, portanto, para não contaminar o restante da igreja, o irmão de comportamento indevido deveria ser retirado do convívio da comunidade. A dureza de Paulo é totalmente compreensível. Ele não estava sendo duro com alguém que cometeu um pecado por acidente, mas sim contra alguém que, voluntariamente, deu lugar a carne a ponto de abrir mão de seus principais princípios, valores e família. Contra alguém para quem nada mais importava, mas ainda assim insistia em ser tratado na igreja como um igual.

Já quase no final do capítulo, o Apóstolo ainda complementa sua observação, dizendo que os irmãos não deveriam associar-se com aqueles que, dizendo-se da fé, fossem devassos, avarentos, idólatras, maldizentes, beberrões ou ladrões. Paulo diz que com esses não devemos sequer fazer uma refeição. E temos que concordar, pois aquele que se julga cristão, representante da verdade do Evangelho e adepto de uma prática baseada nos mandamentos de Deus, deve demonstrar isso principalmente com suas atitudes.

Paulo demonstra um misto de dois sentimentos: cuidado pela igreja e intolerância ao pecado. O irmão seria retirado para preservar o restante do corpo, como se faz com uma fruta podre na caixa. E mesmo sua exclusão tinha o objetivo de salva-lo no final, ou seja, não era punitiva, mas corretiva em último grau. Esta atitude de Paulo é a mais grave demonstrada no Novo Testamento para reagir ao pecado de um um membro da igreja. Assim, a exclusão deste irmão demonstrava o cuidado de Paulo com a igreja, inclusive com o irmão. E tudo se daria dessa forma por que o pecado não pode ser tolerado, tanto em nossa vida pessoal como no seio da igreja.

É muito comum muitos de nós agirmos ao contrário do que Paulo recomendou e, ao invés de mortificarmos nossa carne para o pecado, ficarmos como zumbis espirituais dentro da igreja: não estamos mortos (para o pecado) e nem vivos para Cristo. Não decidimos de verdade entre o caminho perfeito e de santidade pregado por Jesus e a satisfação das nossas vontades. Queremos ser salvos no último dia? Matemos a nossa carne. Crucifiquemo-nos com Cristo, e assim com ele também viveremos. Que nosso zelo com a igreja, exemplar em Paulo, comece com o zelo pela nossa santificação e salvação.

Um comentário:

Tiago disse...
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