terça-feira, 15 de novembro de 2011

I Co 4: Apóstolos de verdade X Apóstolos de hoje

O título deste texto já anuncia uma fala um tanto ácida, eu sei. E tendo em vista o que foi tratado ontem também no devocional sobre a matéria da Record a respeito do pentecostalismo, já fico vigilante para que os textos aqui não sejam muito críticos, mas mais devocionais mesmo. O de hoje traz também uma crítica devido à clareza e objetividade do texto bíblico a respeito deste tema, mas isso não se tornará regra para nossa leitura aqui, ok? Nosso objetivo é outro.

No terceiro capítulo Paulo fala sobre as divisões que surgiam na igreja por grupos que eram parciais às posições de diferentes de líderes. Também afirma qual era de fato o papel de cada um desses pregadores, que é o de construir sobre o firme fundamento já posto, Cristo. No capítulo quatro, então, Paulo fala sobre o que é exigido dos apóstolos, ainda mais um pouco sobre seu papel e da relação da igreja de Corinto com eles, aplicando principalmente essa relação a Paulo, que era apóstolo, e a Apolo, seu ajudador.

Os apóstolos devem ser considerados como aqueles encarregados de entregar a revelação de Deus em Cristo aos homens, e devem ser achados fiéis nesse exercício (4.1-2). O julgamento de seu trabalho bem como a recompensa por ele não cabe a ninguém, nem mesmo a eles próprios, diz Paulo, mas a Deus e no momento certo (4.3-5). Então, o Apóstolo fala sobre a posição em que se encontravam os apóstolos em relação à igreja de Cristo e à de Corinto, especificamente.

Paulo diz que eles foram colocados por Deus como que por último em questão de prioridade, que foram postos como que condenados à morte por amor e cuidado da igreja de Cristo. Os versos 9-13 deixam isso bem claro. Paulo, que havia fundado a igreja de Corinto e se considera pai deles na fé, diz que ele mesmo é posto como desprezível, enquanto a igreja é considerada ilustre, como louco e eles sábios, como fraco e eles fortes. Diz que os apóstolos eram, ainda pelo zelo com a igreja, injuriados, perseguidos, difamados, vítimas de sofrimento, tratados como lixo e escória do mundo. E de fato, eles eram considerados loucos, levantadores de motins e pregadores de uma falsa religião por muitos. Tanto que todos morreram como mártires, com exceção de João, que sofreu morte natural - enquanto estava preso.

Eu imagino a expressão no rosto de qualquer cristão sincero daquela época, quando o assunto era a vida de qualquer dos 12 apóstolos. Sabe aquela cara de dor que se faz, quando se lembra de alguém que está sofrendo demais? Imagino essa mesma. Ser um apóstolo, ao mesmo tempo que era um privilégio dado a poucos, era também sinônimo de sofrimento, abnegação e entrega. Falar de um apóstolo era falar de alguém que tinha deixado de lado sua própria vida pela causa de Cristo e que por isso era alvo de constantes orações por parte da igreja. Como Paulo disse, as igrejas estavam em posição privilegiada em relação à deles, pois esses sofriam para que ela gozasse de um pouco de conforto.

Se você prestou atenção no que foi escrito até aqui, acho que nem precisava concluir o texto, certo? A diferença entre os Apóstolos que o Senhor instituiu e esses que hoje se dizem portadores do mesmo título, está na lógica inversa em relação à posição deles. Hoje, enquanto a maioria da igreja é pobre, passa necessidades e colabora financeiramente com muito do pouco que tem, aqueles que se dizem apóstolos gozam de privilégios restritos a uma minoria da população não só evangélica, mas brasileira. Enquanto os apóstolos verdadeiros entregavam-se ao sofrimento pela causa, esses gozam do luxo e do conforto proporcionado pelas suas posições.

Um apóstolo genuíno é alguém que caminhou com o Senhor encarnado ou no mínimo esteve em contato com o Cristo ressurreto, no nível que Paulo teve (At 9). Os "apóstolos" contemporâneos não têm base bíblica para se intitularem dessa forma, e aqui só não vou questionar se de fato alguns tiveram um encontro com verdadeiro com Cristo para me guardar da própria advertência de Paulo sobre o julgamento.

Se entregar-se ao Evangelho é viver uma vida luxuosa como a que essa "entrega" proporciona a determinados sujeitos, tenho que achar um outro livro sagrado que desminta o que chegou em minhas mãos. Pois esse me mostra um Jesus sofredor que compartilhou desse sofrimento com seus seguidores. Me mostra líderes que deram sua vida pelo rebanho como Cristo deu a sua, e não que viviam às custas do rebanho. Me mostra um Apóstolo Paulo, que escreveu mais da metade do Novo Testamento, fez três viagens missionárias por grande parte do mundo conhecido da época - o trabalho de uma vida inteira, foi preso, açoitado e por fim decapitado por amor de Cristo e da igreja.

A Bíblia nos mostra líderes que abriram mão de sua vida terrena para ganharem a eterna, e cujo exemplo nos incentiva a fazermos o mesmo. A esses apóstolos eu quero copiar, pois prefiro a recompensa que vem do Senhor que aquela que posso garantir aqui a preço do suor de muitos e da minha própria dignidade. É nesse capítulo da Carta aos Coríntios, no verso 16, que Paulo diz que a igreja deveria ser sua imitadora. Em todos os sofrimentos, angústia e entrega, mas também em receber toda a consolação do Espírito Santo.

Que Deus nos ajude, pois a caminhada da fé genuína é desafiadora, muito diferente da que vemos em tantos "exemplos" do nosso tempo. Que imitemos a fé genuína dos apóstolos genuínos.

Um comentário:

Apóstolo Tito Berry disse...

Meu amado Irmão: Em consonância com a sua ética aqui, apenas desejo agregar algo. Sou apóstolo genuinamente, desde o ano de 1971, quer dizer, muito antes dessa onda de falsos apóstolos. Hoje, os sofrimentos de um apóstolo como disse Paulo em Colossenses 2. 24 não se correspondem com os deles pela igreja. Hoje, e lhe fala quem vem sofrendo cruelmente desde aquele ano até hoje, os maiores sofrimentos genuinamente pela igreja são a indiferença da própria igreja, a mornidão e desrespeito para com o verdadeiro apóstolo, engolindo camelos, e a crueldade com a que nos tratam sem saber que estão perdendo o melhor de Deus para as suas vidas, e se condenando e condenando ao inferno a muitos "irmãos" incautos. em quanto a que "hoje não há base bíblica para nos entitular apóstolos", por um lado, o título nada diz. Segundo. Por 1900 anos os pastores se entitularam pastores e se apropriaram da igreja não reconhecendo a mais ninguém, pisando e desrespeitando ignominiosamente Efésios 4. 11-16, e você esquece este fato, pois, quem o tiver em conta não pode afirmar tal conceito absolutamente antibíblico. Posso dar pelo menos um mes de aula na Bíblia, sem parar, desvendando o apostolado bíblico sempre e hoje. Uma pergunta: Porque se incomodam com a opulência dos falsos apóstolos quando talvez o 80 % dos pastores do Brasil vivem o mesmo já por décadas? No meu caso, vivo completamente pela fé, sem mendicidade e sem manipulação alguma para sobreviver e fazer a obra, pregando por 49 anos sem parar e sendo ungido pastor desde há 39 anos. Não tenho casa, nem móveis, nem carro, nem dinheiro, e permaneço no meu apostolado de grande influência sobre muitos, embora não seja famoso. Para finalizar, a sua exegese bíblica pareceu-me boa e edificante, porém, me agradaria agregar valor a elas por meio da amizade e a comunhão no Senhor Jesus. Agradecido e fique na paz!