terça-feira, 29 de novembro de 2011

I Co 16 - Dois bons exemplos: o pastor e o rebanho

Terminou a primeira carta à igreja mais "complicada" do Novo Testamento. O Apóstolo Paulo encerra seu texto solicitando aos irmãos que separem uma oferta, que ele levaria à igreja de Jerusalém. E ele pede para que o façam com excelência, inclusive, orientando que cada um separasse o que pudesse no primeiro dia de semana, para que ele já encontrasse tudo pronto em sua visita. Então, faz alguns pedidos pessoais, que envolviam receber bem um irmão, enviar (financeiramente) outro para se encontrar com ele, e se despede. Uma despedida sucinta, bem diferente da de Romanos.

A pessoalidade da carta, o envolvimento emocional e relacional de Paulo com seus discípulos de Corinto, a dureza com a qual trata dos seus problemas e o amor demonstrado em todo o texto e em sua despedida, revela um ministério pastoral, de cuidado, extremamente maduro. Paulo tinha liberdade suficiente para exortar, chamar à atenção, elogiar, repreender, e tudo de forma que continuava a ser respeitado e querido pelos seus.

Faço duas reflexões ao terminar a leitura dessa carta tão dura e com tanto zelo demonstrado. Primeira, qual seria a minha reação se eu fosse uma ovelha/discípulo de Paulo, e fosse tão duramente repreendido? Já vi pessoas para quem bastou uma única repreensão do pastor para abandonarem o rebanho. A Bíblia condena duramente o homem que, repreendido, não cede. Diz que em determinado momento, esse homem será quebrantado sem que haja cura (Pv 29.1). Ovelhas de verdade sabem ser cuidadas, e a repreensão só existe onde há cuidado.

A segunda reflexão é sobre o papel do pastor. Se eu fosse pastor da igreja de Corinto, como reagiria ao seu comportamento? Se tomasse conhecimento de um relacionamento sexual abusivo de um jovem com a sua madrasta? Se o individualismo demonstrado no convívio comunitário anulasse a mensagem de amor do evangelho, como acontecia com eles na ceia? Se a igreja questionasse, sem razões plausíveis, meu ministério, dando ouvidos a qualquer outro que lhe contasse heresias? Possivelmente as ovelhas de Paulo lhe davam ouvidos por que ele sabia ser um bom pastor. A despeito de tantos problemas e desvios, Paulo os pastoreou com amor e paciência.

A carta desse pastor exemplar às suas ovelhas em tratamento termina com Paulo ministrando seu amor aos coríntios. "O meu amor seja com todos vós em Cristo Jesus", ele diz. E tudo termina mesmo bem, tanto que Paulo ainda escreve uma outra carta posteriormente, a qual começaremos a ler e aprender sobre no próximo post. Que sigamos os dois bons ensinamentos aqui: de sabermos ser cuidados e de sermos cuidadores / pastores responsáveis e dedicados.

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