domingo, 27 de novembro de 2011

I Co 15: A importância da doutrina correta

Praticamente o último assunto da primeira carta de Paulo a esta igreja. Após isso, ele apenas pede uma oferta para a igreja de Jerusalém e se despede. Aqui, ele trata de uma problema doutrinário que havia surgido em Corinto, quanto à ressurreição dos mortos e, consequentemente, da ressurreição de Cristo. Querendo aliar a doutrina cristã à filosofia grega, que negava ser possível que mortos ressuscitassem, os coríntios queriam acreditar que somente Jesus havia ressuscitado, mas que o mesmo não aconteceria conosco.

Paulo resiste a eles duramente. A mesma dureza no discurso que encerrou o capítulo 14 prevalece aqui, e não é sem motivo. Paulo argumenta logicamente que, se Jesus ressuscitou é por que existe ressurreição e pronto. Se quisessem apegar-se à filosofia grega, que se apegassem então à lógica aristotélica, que tornaria incoerente o pensamento excepcional sobre a ressurreição de Cristo.

A argumentação de Paulo é claríssima e diz que se Cristo não ressuscitou dos mortos a nossa fé é vã. E ainda que nós também ressuscitaremos, pois o corpo manchado pela corrupção do pecado não pode herdar a eternidade, que é incorruptível. Portanto, na ressurreição receberemos um novo corpo, sem mancha do pecado, para herdarmos a vida eterna com Deus. Os demais detalhes, exemplos e argumentos são mesmo claros no texto, dispensando maiores detalhes aqui. Mas quero ater-nos a outro ponto.

Este é o maior capítulo da carta. Nenhum outro assunto tomou tanto a atenção de Paulo, mesmo tendo ele tratado de questões graves e importantes também anteriormente. O caso do homem que abusou sexualmente da mulher de seu pai no capítulo 5, por exemplo, é um caso grave. A doutrina e os conselhos sobre o casamento no capítulo 7 e as orientações sobre as coisas sacrificadas aos ídolos nos capítulos 7 e 10, muito importantes. Mas nenhuma dessas questões foi tão tratada pelo Apóstolo quanto o problema da ressurreição.

Entendo que Paulo tinha em mente a gravidade de se ter uma doutrina corrompida de qualquer forma. Ele dedica tanto argumento e espaço no seu texto a esse problema por ele se tornar chave para a fé dos coríntios, pois caso eles cressem erroneamente, sua fé teria sido inútil. Uma fé verdadeira é baseada também numa compreensão correta da doutrina cristã, entende-se (15.14; 17). E aqui teço uma crítica a nós.

Como está o nosso conhecimento bíblico e doutrinário? Imaginei um gráfico outro dia e sei que o resultado surpreenderia a muitos. Qual a relação entre o seu tempo de conversão e o seu conhecimento bíblico/doutrinário? Ou entre o tempo que você frequenta alguma igreja e o seu conhecimento? Pois entendo pelo que posso ver das nossas igrejas hoje, que a doutrina não é tão valorizada quanto no exemplo de Paulo com a igreja de Corinto e no restante do Novo Testamento. Na primeira carta de João, por exemplo, um dos três pré-requisitos para se reconhecer a salvação na vida do crente é uma compreensão correta da pessoa de Cristo. E como está essa nossa compreensão?

Já disse isso aqui em outra ocasião, mas reforço: podemos estar sendo mais crentes do que cristãos, por nos faltar uma boa doutrina. Lembre-se das últimas mensagens que você ouviu ou ministrou, e identifique o que havia de doutrinário nelas. Se a resposta te for repreensível, repense seus valores  e referenciais, e avalie melhor o que você tem ouvido. Pois uma mensagem dita cristã vazia de doutrina não é uma mensagem cristã. Pode chamá-la de qualquer outra coisa, como auto-ajuda, confissão positiva, etc. Mas não mensagem cristã.

Quer uma fé madura e firme? Doutrine-se. Leia a Bíblia e a valorize. Não perca tempo com falatórios, mas ocupe-se da verdade de Cristo, como fazia Paulo. E que o Senhor nos acrescente a cada dia.

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