sábado, 26 de novembro de 2011

I Co 14: Por um culto melhor na igreja

Após tratar dos dons espirituais de forma ampla e dizer que o amor é superior a qualquer dom e ainda que valida qualquer boa prática que façamos, Paulo agora explica a razão de o dom de profecias ser superior ao de línguas, e fala sobre como estes dons devem ser usados na igreja para promover edificação em um culto organizado.

No verso 12.28 Paulo fez uma exposição de alguns dons. Entendemos que ele os classificou por ordem de importância. Leiam:

"A uns pôs Deus na igreja, primeiramente apóstolos, em segundo lugar profetas, em terceiro lugar mestres, depois operadores de milagres, depois dons de curar, socorros, governos, variedades de línguas."


A ideia de que eles estão dispostos em ordem de importância é reforçada pelo fato de começar com o ministério apostólico, que é o responsável por iniciar as igrejas e terminar no dom de línguas, que é o único que tem o objetivo de edificação pessoal. A lista começa no coletivo e depois caminha para exercícios de menor coletividade até que chega no pessoal. Experimente fazer uma análise do alcance coletivo de cada dom citado acima e você verá que os grupos alcançados vão diminuindo, até que a lista finaliza em governos/lideranças e no dom de línguas. Entendo que essas lideranças eram as exercidas já no seio da igreja.

E no capítulo 14, Paulo dedica os primeiros 25 versos a defender a superioridade do dom de profecia sobre o de línguas. Ele diz que através da profecia, o incrédulo pode testemunhar da grandeza de Deus (14.24-25), enquanto através do dom de línguas, ele apenas acharia que haviam loucos reunidos na igreja (14.23). Nos últimos versos, então, Paulo fala sobre como esses dons deveriam ser praticados no culto, o que podemos resumir da seguinte forma, para quem gosta de ser sistemático:


  • O dom de línguas só deve ser praticado na igreja se houver quem interprete o que está sendo dito. Caso contrário, aquele que possui o dom deve ficar calado ou falar somente entre ele e Deus. Não é permitido que todos falem em línguas ao mesmo tempo, mas que o façam no máximo dois ou três irmãos simultaneamente, ainda com intérprete. É, isso acaba com muitos cultos que conhecemos ou participamos por aí.
  • Sobre a profecia, também deve ser praticada ordenadamente. Devem falar no culto no máximo dois ou três profetas também, mas não ao mesmo tempo. E nem é válido alguém mais "radical" (nem era a melhor palavra) dizer que "não dá pra controlar quando Deus manda dizer alguma coisa". Os versos 14.31-32 dizem que os profetas devem falar e uns após os outros e que seus espíritos lhes são sujeitos, sendo possível sim, haver ordem.
Enfim, são essas as instruções bíblicas para o uso desses dons no culto. É claro que muitos, de maneira bem descarada, discordam do que está no texto. No texto bíblico, não no meu. Quantos evangélicos não criticaram os católicos noutro tempo, por apegarem-se à religião de seus pais e resistirem a uma mudança, mas agora apegam-se tanto às tradições pentecostais que aprenderam, que não conseguem se imaginar dando ouvidos a tais palavras do texto bíblico? Não conseguem, muitas vezes, imaginar seu culto sem os elementos que aqui são censurados, pois criaram uma "espiritualidade viciada".

Sei que muitos que não concordam com isso buscarão outras referências - que nem consigo imaginar quais seriam coerentes para se usar - e argumentarão de diversas formas. Para esses, entendo, Paulo escreveu os últimos 4 versos do capítulo:

"Saiu dentre vós a palavra de Deus? Ou veio ela somente para vós? Se alguém cuida ser profeta, ou espiritual, reconheça que as coisas que vos escrevo são mandamentos do Senhor. Mas, se alguém ignora isto, será ignorado. Portanto, irmãos, procurai, com zelo, profetizar e não proibais o falar em línguas. Mas faça-se tudo com decência e ordem."

Paulo condena muito qualquer que se portar contra essas ordenanças. E reparem que o falar em línguas recebe uma ênfase no final dizendo para não proibir sua prática, mas permitir desde que seja praticado com ordem. Deve-se procurar profetizar, mas o falar em línguas é considerado como uma permissão. Lembremo-nos do que disse o verso 12.31: "(...) procurai com zelo os melhores dons (...)".

Que o Senhor nos dê prazer em obedecer a sua Palavra. Não nos apeguemos mais a um costume, por mais que seja comum, do que às suas ordenanças para nós. Não ignoremos sua Palavra, mas busquemos obedecê-la, mesmo que isso implique em rever práticas, conceitos e valores.

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