quinta-feira, 24 de novembro de 2011

I Co 12: Sobre os dons espirituais

Outro capítulo tão prático e tão cheio de orientações que fica difícil comentá-lo. Vou fazer uma opção um tanto rara e sistematizar alguns princípios que aprendo nele. 

1 - 12.1: A ação do Espírito começa quando ele encontra liberdade para dirigir a vida do crente. Ninguém receberá dons espirituais antes que o Espírito tenha domínio á sobre a nossa vontade carnal.

2 - 12.2-3: Ainda antes dos dons espirituais, o Espírito leva-nos a reconhecer o senhorio de Cristo e nos conduz a adorá-lo por isso. Se temos em nós a capacidade para as duas atitudes citadas, ela vem do Espírito Santo.

3 - 12.4-7: Os dons espirituais são distribuídos de diferentes formas, de maneira não-lógica, conforme a vontade do Espírito. Ele os distribui conforme sua vontade e para o uso na edificação da igreja; cada um recebe o dom que lhe puder ser útil nesse objetivo.

4 - 12.8-11: Há dons diversos, todos concedidos pelo mesmo Espírito. No texto em referência, entendemos que Paulo os coloca, inclusive em ordem de importância. Uma passagem mais adiante, que também será citada, e o capítulo 14, dentre outras referências fora de I Coríntios, nos fazem entender isso.

5 - 12.12-26: O Espírito unifica a igreja, fazendo de cada membro parte do corpo de Cristo, significando que todos têm sua importância em sua devida função. O exercício dos dons reflete também a funcionalidade de cada parte do corpo nessa analogia de Paulo. Cada cristão deve entender que pertence ao corpo de Cristo, sendo co-responsável pela saúde e integridade de todo o corpo, independente de qual membro represente nesse conjunto.

6 - 12.27-31: É esta a passagem que se refere à importância dos dons espirituais. No capítulo 14, Paulo falará especificamente da superioridade do dom de profecia em relação ao dom de línguas. E aqui ele nos orienta no verso 12.31 a buscarmos cuidadosamente os melhores dons. A ordem de importância parece ser determinada de acordo com a intensidade com a qual o dom beneficia o próximo: a lista começa com o apostolado (dom encerrado, visto que biblicamente não podemos ordenar/consagrar/chamar a nenhum outro assim), passando pela profecia e pelo dom de ensino, até chegar no dom de línguas e de interpretação dessas, os quais Paulo colocará em posição de menor importância logo a frente.

A razão de tão longa e detalhada explicação era mais um problema coríntio: uso desordenado dos dons na igreja, em especial na hora do culto. Isso será tratado com detalhes adiante, mas aqui Paulo faz uma introdução ao tema com tais explicações.

Observemos que uma característica importantíssima permeia toda a explicação paulina: o Espírito promove a unidade, como fez em Pentecostes, unificando as línguas (At 2), e edifica a igreja através da atividade de cada membro. E os dons são distribuídos de acordo com o interesse do Espírito em usar a cada um para cumprir estes propósitos. Não há ou não deve haver vaidade no exercício dos dons espirituais, pelo contrário. Cada um é usado por Deus ao praticá-los, estando apenas no papel de servo ao fazê-lo..

Como orientou o Apóstolo, busquemos com zelo os melhores dons. Eles são recursos de Deus para nós o servirmos e à igreja de forma mais excelente. Mais interessado, certamente, é o Senhor em nos conceder tais dons do que somos genuinamente interessados em obtê-los. Que o Senhor ache liberdade em nós para conceder-nos tais dons e usar-nos conforme sua soberania.

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