quarta-feira, 23 de novembro de 2011

I Co 11: Por que a Ceia do Senhor estava errada?

Se você é cristão evangélico, principalmente, já viu seu pastor lendo o texto de I Co 11, a partir do verso 17 ou do 24 no dia da Ceia do Senhor. É texto áureo para este ritual, e é interessante saber que ele foi escrito para dar forma à uma exortação. A igreja de Corinto estava errando ao celebrar essa ocasião, pois havia algumas práticas estranhas no meio deles.

Primeiramente, Paulo já faz uma crítica dura no verso 20. Ele diz que quando os coríntios se reúnem "não é para celebrar a Ceia do Senhor, pois quando comem, cada um se apressa a tomar a sua própria ceia. Assim um tem fome e outro se embriaga".

A Ceia era celebrada diferentemente de como o fazemos hoje. Cada um levava um alimento e todos deveriam repartir do que levavam, confraternizando-se. Porém, como havia naquela igreja muitas pessoas de classes sociais diferentes, acontecia de uma pessoa com maiores recursos levar uma quantidade mais generosa de alimento, enquanto outra com menos levava pouco ou nada. Então, cada um comia o que havia levado, havendo quem se fartasse e quem voltasse para casa com fome. A repreensão se Paulo nos versos seguintes é dura.

As desigualdades sociais, infelizmente, sempre existirão. Jesus mesmo disse que sempre teríamos os pobres conosco, sempre haveria a quem pudéssemos ajudar. E vemos como isso é verdadeiro. Mas no momento da ceia, e podemos até entender que no contexto geral de convivência da igreja, essas desigualdades não deveriam se sobressair. Assim como todos somos iguais aos olhos do Senhor, deveríamos ser também perante a congregação e perante os que olham para dentro da igreja. A primeira carta de João diz que seríamos reconhecidos como filhos de Deus por causa do amor que temos uns pelos outros. E se os de fora virem em nós ao invés de amor, discriminações na nossa própria liturgia?

O livro de Atos diz que a igreja daquela época, nesse caso especificamente a de Jerusalém, tinha todas as coisas em comum, de forma que ninguém considerava propriamente sua coisa alguma. E não havia necessitados no meio da igreja (At 4.32-37). Esse deve ser um objetivo para alcançarmos em comunidade. Há poucos dias celebramos a Ceia do Senhor na Missão Getsêmani Pedro Leopoldo. Eu sabia que havia uma família passando necessidades, que havia chegado à congregação há pouco. Oramos, mantendo a discrição, durante a própria ceia por aquela família. E o auxílio para ela já estava sendo providenciado.

A nossa congregação - aqui no sentido mais literal do termo, não pode promover a desigualdade em sua prática. O mundo já faz esse papel com excelência, não precisa de reforços. O problema é que não estamos, na maioria das vezes, dispostos a abrir mão do que consideramos nosso. E aí está a nossa diferença daquela igreja que, até aquele momento na narrativa, era mostrada como uma igreja padrão (At 1-4). Consideramos sim, por direito, cada conquista material, cada centavo suado, nosso por direito. E que ninguém diga o contrário, pois "foi o Senhor quem deu"!

A ceia na igreja de Corinto foi reprovada por promover a desigualdade. O modelo ideal, portanto, deve promover o contrário. O modelo ideal é aquele que, ao celebrar o corpo e o sangue de Cristo, faz lembrar que na cruz ele pagou pelos pecados de todos, colocando-nos, sem exceções no mesmo lugar: de pecadores carentes de graça e alvos de seu imerecido amor.

Que nossa ceia, nossos cultos, reuniões de oração e toda a nossa liturgia e prática de vida anuncie o contrário do que o mundo anuncia. Aceite esse desafio como um objetivo de vida. Se a Bíblia nos orienta a tal, o Senhor se agradará e estará conosco. Anuncie com sua própria vida, entrega e desapego o que o Senhor comprou com sangue na cruz. Que promovamos seu amor na prática.

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