sábado, 12 de novembro de 2011

I Co 1: Alguns problemas só mudam de século!

O primeiro capítulo desta carta trata de dois temas principais: as divisões que surgiram na igreja de Corinto e a "loucura da cruz", a forma como Deus escolheu uma forma que aos olhos do mundo é estranha, polêmica e aparentemente ineficiente para revelar seu Filho e salvar o homem. Logo após a apresentação e as primeiras saudações, Paulo começa a falar sobre as divisões que ali havia.

Essas divisões eram geradas por alguns grupos que se identificavam exageradamente com aqueles que lhes pregaram o Evangelho, chegando ao ponto de Paulo ter que dizer que não foi ele ou qualquer outro crucificado no lugar dos coríntios, mas Cristo. O verso central e que demonstra claramente esse problema na igreja é o seguinte:

"A respeito de vós, irmãos meus, me foi comunicado pelos da família de Cloé que há contendas entre vós. Quero dizer que cada um de vós diz: Eu sou de Paulo, e eu de Apolo, e eu de Cefas, e eu de Cristo. Está Cristo dividido? Foi Paulo crucificado por vós? Ou foste vós batizados em nome de Paulo?"
I Cor 1.11-12

Não é incrível como certas coisas não mudam ou, também impressionante, como certas coisas parecem existir desde sempre? Eu não consigo ler este texto sem pensar no nosso denominacionalismo e a forma como algumas pessoas insistentemente apegam-se a isso. E apegam-se erroneamente, como os de Corinto faziam com seus pais na fé, valorizando alguma doutrina, costume, método, etc. mais do que ao próprio Evangelho.

Percebemos esse problema podemos tecer tal crítica olhando para a realidade evangélica brasileira como um todo. Mas ainda podemos observar o mesmo em nossas igrejas. Quando há qualquer esboço de confusão nas igrejas e a possibilidade de algum líder/pastor abandonar a congregação surge, quantos de nós nos apressamos para tomar partido e dizer: "eu estou com Fulano!". Contra tudo isso, Paulo escreveu o verso que antecede os que foram transcritos acima:

"Rogo-vos, porém, irmãos, pelo nome de nosso Senhor Jesus Cristo, que digais todos a mesma coisa, e que não haja entre vós divisões, para que sejais unidos no mesmo sentido e no mesmo parecer."
I Cor 1.10

A unidade e a comunhão de objetivos (unidos no mesmo sentido e parecer) são colocados do lado contrário das divisões. Se como corpo de Cristo, igreja realmente madura, irmãos com senso de responsabilidade mútua, conseguirmos olhar sempre para o objetivo comum de sermos e formarmos uma igreja que, no último dia, se apresentará para o Senhor irrepreensível (I Co 1.8), na hora das potenciais divisões, saberemos plantar a unidade.

Se fizéssemos isso realmente em nossa prática, não teríamos sequer a possibilidade de escolhermos lados nas possíveis contendas (que nem deveriam existir) e de super-valorizarmos qualquer outra coisa que não seja a nossa caminhada em unidade. Antes, saberíamos lidar com as diferenças para que pudéssemos conviver juntos. O problema é que nossa prática diz algo vergonhoso: o que eu acho, penso, acredito, busco, quero, almejo, tudo isso ou qualquer desses, é mais importante que a unidade da igreja.

Infelizmente, é o que a prática de muitas (talvez a maioria) das igrejas que conheço e de muitos dos irmãos - inclusive muitos com os quais convivo em minha congregação, diz. Revisemos nossa postura e dediquemo-nos a mudar essa realidade, por amor ao Evangelho verdadeiro. Começando, é claro, por nós.

"Fiel é Deus, pelo qual fostes chamados para comunhão de seu Filho Jesus Cristo nosso Senhor."
I Co 1.9

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