sexta-feira, 28 de outubro de 2011

Rm 5: Três consequências da nossa justificação

Nos capítulos 3 e 4, Paulo falou sobre a justificação pela fé e a exemplificou com a vida de Abraão. Agora, no capítulo 5, ele trata de dois pontos: primeiro, fala sobre a nova vida em Cristo. Agora, justificados pela fé em Deus, temos algumas consequências na nossa vida; as veremos aqui. E em segundo lugar, ele faz um paralelo bem fácil de entender entre o papel de Adão no pecado da humanidade e o de Cristo em sua redenção. Atente lá para os versos 12-21 deste capítulo. Mas leia mesmo!

Nos primeiros versos, então, de 1-11, vemos o que ocorre com quem começa a caminhar com Cristo. Em primeiro lugar, a justificação nos traz paz com Deus - agora, ao olhar para nós ele não vê nossos pecados, mas vê o seu Filho. Portanto, podemos nos relacionar com ele, ter com ele intimidade a amizade, certos de que nada é capaz de separar-nos dele (Rm 8 vai falar mais sobre isso). Podemos entrar em sua presença tranquilamente, pois fomos reconciliados com Deus por meio de Cristo. Glória a Deus por isso!

Em segundo lugar, meio que infelizmente, nos aguardam tribulações - versos 3-4. Interessante (e confrontador) que as pessoas daquela época sabiam que, caso se tornassem cristãs, o sofrimento por causa do Evangelho fazia parte do pacote. O cristianismo era perseguido pelos políticos, pelos judeus, pelo povo romano, em determinado momento. Isso por que a mensagem de Jesus não era uma fórmula para se adquirir qualquer coisa que se queira, mas eram boas novas genuínas de salvação e tinham relevância contra o sistema da época. O Evangelho de Jesus ao qual os Apóstolos deram continuidade não se conformava com o seu tempo, mas se manifestava contra ele. Já em muitos lugares hoje... Então, tribulações fazem parte da caminhada verdadeira no Evangelho, não se deixe enganar.

E por último, as tribulações gerarão em nós uma esperança alimentada e certificada pelo Espírito Santo. Nasce em nós a esperança certa da vida eterna e, como diz o texto, uma esperança sem confusão, por causa do Espírito Santo que habita em nós (5.5). O texto diz que Jesus morreu por nós sendo nós ainda pecadores. Como, então, não nos livraria Deus no dia da sua ira?

E sobre este último, pensemos no que quer dizer esperança, um tanto o quanto literalmente. O termo traz a ideia de se aguardar algo por acontecer; ter expectativa. Nossa fé está sobre duas bases principais: Jesus morreu por nós e nos livrará do dia da ira, conduzindo-nos justificados à vida eterna. Então, temos por base fatos que exigem de nós duas coisas: fé e esperança. Uma fé sem esperança é manca. A fé no sacrifício de Cristo que não espera pela sua volta não entendeu alguma coisa: ou está mal esclarecida ou mal formada. Se agirmos como Cristo, não nos moldando de acordo com o presente sistema gerido pelo pecado e fizermos como Paulo orienta em Rm mesmo, renovando a nossa mente para experimentarmos a vontade de Deus (Rm 12.1), a esperança estará presente em nós. Se entendermos como este mundo está podre e como não temos lugar nele para viver uma vida com Deus, esperaremos seu retorno.

Só para não perder a oportunidade, lembremo-nos que um dos principais problemas da teologia da prosperidade é matar a esperança da eternidade. Se temos aqui tudo o que queremos, para que esperaremos algo maior? Ela transforma o nosso estado transitório em definitivo, além de motivar em nós apego ao que deveríamos desprezar: o fortalecimento da cultura do acúmulo e a ganância, muitas vezes.

"Sendo, pois, justificados pela fé" (5.1), abracemos genuinamente o que nos está proposto daí por diante.

3 comentários:

Anônimo disse...

Já viu o vídeo do Edir Macedo ensinando os pastores? A humanologia da prosperidade na realidade nem precisa ser ensinada, é aprendida instintivamente. Já viu aquele dvd O Segredo? Será que não é verdade que o Universo conspira a favor da sua vontade? Será que o que Deus quer não é consciência de que somente a vontade d'Ele preenche nosso vazio? Os cristãos hoje usam a fé para buscar tudo que o mundo busca, menos o tesouro que é Jesus... e a esperança da volta de Cristo se torna a mesma esperança da primeira vinda dos judeus. A pessoa passa a achar que a desgraça em que vive é normal, e que quando Jesus voltar Ele vai resolver o problema.

Eu estive lá em uma de suas primeiras pregações na Getsêmani, e lembro que você já tinha essa busca. Cara, quem dera essas pessoas estivessem buscando na Bíblia palavras que aquecem o coração, mas você sabe que é tudo uma corrida para terminar a vida tendo lido um livro o maior número de vezes possível. Tudo que está escrito é uma palavra só, mas aí a pessoa complica para ter alguma sensação de progresso.

Fico pensando se você enxerga aquele lugar como uma faculdade em que você vai na esperança de evangelizar. Porque é tão difícil quanto. Talvez até mais difícil. Ou talvez a impossibilidade seja a mesma.

Simples assim.

Átila Castro disse...

Muito bom seu texto cara! É o que tenho refletido muito ultimamente... De estar mais ligado na eternidade! Não apegar as coisas dessa terra... É difícil, mas deve ser o nosso exercício diário! Sempre com os olhos na eternidade!

Nivton Campos disse...

Grande Mestre Átila!

Obrigado pela visita e volte sempre. Esse pensamento aí também não sai da minha cabeça... Tem contribuído com muitos textos por aqui.

Valeu! Abração pr'ocê!

E caro Anônimo;

Me sinto honrado com as boas referências, de verdade. Li o seu post no dia que escreveu, mas tive um fim-de-semana muito atípico, cheio de imprevistos, não tendo tempo para responder.

De forma não intencional, acabei respondendo um bocado do que você disse no post sobre a reforma. Dê uma olhada lá, por favor. Concordo com suas discordâncias a respeito da igreja de hoje, mas acho que se não formos parte dela não faremos diferença relevante - e não falo só da minha (nossa?) igreja, mas de qualquer uma.

Visite o blog mais vezes. A casa é sua. E fique a vontade p/ comentar, discordar, criticar, etc.

Aquele abraço!