quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Rm 4: Justificação pela fé II - a graça clara

O autor de Romanos começa a falar sobre a justificação pela fé no capítulo 3, e usa todo o quarto capítulo para exemplificar o conceito que ele acabou de introduzir no capítulo anterior. Para isso, ele usa o exemplo de Abraão, que tem muito mesmo a nos dizer.

Há um conceito polêmico no texto de Paulo aos Romanos, mas que é muito coerente e merece uma análise cada vez mais cuidadosa de nossa parte: a soberania de Deus. Veremos isso com mais cuidado nos capítulos seguintes, principalmente no nove, mas já aqui começamos a entender um pouco sobre isso.

Paulo explica em 4.4.-12 como a justiça divina alcançou Abraão quando ele ainda estava na incircuncisão, ou seja, quando não havia nada nele que fosse de acordo com a vontade de Deus. Usa também uma fala de Davi para exemplificar, que diz que o homem a quem Deus não imputa o pecado é bem aventurado. Assim foi com Abraão: certamente pecador, fora da circuncisão, e sua fé lhe é imputada como justiça. Não por ele ter feito absolutamente nada, mas por Deus tê-lo escolhido e resolvido revelar-lhe seu nome e sua graça.

No último capítulo e no último texto vimos um paralelo entre a justiça de Deus e a nossa própria justiça. Entendemos que a de Deus é baseada na justiça de Cristo, que cumpriu toda a lei em nosso lugar e ainda morreu como um pecador, injustamente, para que fôssemos justificados por sua morte. Já a nossa justiça, é totalmente inválida e desprezível, pois não consegue ser de fato justa, uma vez que não somos capazes de cumprir a lei que nos condena.

Aqui, Paulo está reforçando este argumento e dizendo que a justiça divina que alcançou Abraão por meio da graça também nos alcança. O que aconteceu com Abraão no tempo da lei, de ser justificado pela fé naquele que é poderoso para fazer isso, é o que acontece hoje conosco, porém de forma completa em Cristo. O último verso do capítulo 4 resume todo o evangelho e sela essa mensgem: "Ele foi entregue pelos nossos pecados, e ressurgiu para a nossa justificação".

Quando entendemos verdadeiramente que fomos justificados sem que merecêssemos tal dádiva; que Jesus morreu por nós sem precisar fazê-lo, mas o fez por amor, misericórdia e graça, somos levados a uma fé mais genuína e entregue. Se pensarmos que somos parte determinante da obra de Cristo em nós, estamos tirando-lhe o mérito por seu sacrifício. Se reconhecemos que somos injustos, vistos como justos apenas por crer naquele que nos justificou por meio de sua entrega; que somos justos apenas por crer naquele que justifica o ímpio, Deus através de Cristo, damos a ele a devida glória e mérito, e construímos certo a nossa fé.

Ele fez tudo por nós. Cientes disso, somos levados a nos entregarmos ainda mais a ele, por gratidão. Mais uma vez, encerramos esta reflexão levados a agradecer a Deus por Jesus Cristo. Pois somente através dele temos acesso ao Pai. Somente por causa dele, o pai olha para nós e vê algo de bom, que é a justiça de seu próprio filho imputada a nós. Graças a Deus por isso!

Soli Deo Glória!

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