quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Rm 3: Justificação pela fé; a doutrina que motivou Lutero

Rm 1.17 diz, citando o profeta Habacuque, que o justo viverá pela fé. Lutero, pai da Reforma Protestante, diz que este texto lhe era mais um problema que qualquer outra coisa. Ele entendia a justiça divina como o processo pelo qual Deus pune o ímpio e recompensa o justo, e nada mais.

Um dia, em sua leitura de Romanos para lecionar sobre este livro em suas aulas de Teologia, Lutero diz entender que a justificação pela fé consiste no processo de pura graça e misericórdia de Deus, através do qual ele imputa justiça ao pecador por meio de Cristo, que morreu por nós sendo justo, e nós pecadores.

O texto acima e este entendimento mudaram a vida de Lutero, juntos formaram uma base da Teologia Reformada. O termo sola fide, um dos cinco solas Reforma, vem daí; significa somente a fé (justifica). Ao compreender isso, a vida de Lutero mudou. Vejam um recorte de uma fala sua:

"Toda a Escritura ganhou novo significado e, ao passo que antes 'a justiça de Deus' me enchia de ódio, agora se me tornava indizivelmente bela e me enchia de maior amor. Esta passagem veio a ser para mim uma porta para o céu."


O capítulo 3 de Romanos começa a aprofundar este tema, dizendo que todos nós pecamos e estamos distantes da glória de Deus (3.10-18; 23). E de modo que não poderíamos quebrar a barreira que há entre ele e nós por causa dos nossos pecados. Então, entra a justiça de Deus. O verso 3.24 diz que somos justificados gratuitamente pela sua graça. Não merecemos isso, mas Deus é suficientemente gracioso para nos tornar justos, através da justiça de Cristo.

Os versos 3.21-22 dizem que Cristo é a justiça de Deus manifestada para a justificação de todos os que creem. E Paulo faz questão de deixar claro que ninguém é justificado pelos próprios feitos, mas única e exclusivamente por meio de Cristo e de sua justiça (3.20-24; 28). Lembro-me de Isaías, que diz:

"Todos nós somos como o imundo, e todos os nossos atos de justiça como trapos de imundícia; todos nós caímos como a folha, e os nossos pecados como um vento nos arrebatam".


A nossa justiça própria diante de Deus é como os trapos do qual falou o profeta. Trapos de imundícia eram os panos usados no curativo do leproso. Somos tão cheios de pecados, que se dissermos que nossa justiça vale alguma coisa, ela é vista por Deus dessa forma.

Ainda assim, há quem se glorie por ser mais santos que outros. Há quem bata no peito para dizer "nunca cometi tal pecado", considerando-se melhor que alguém. A lei do Senhor, também tema central de Paulo em Romanos, não pode ser apenas parcialmente obedecida ou não. Se disséssemos que cumprimos a lei, deveria ser sobre toda ela; caso contrário, somos transgressores como todos. E o somos.

Portanto, devemos dar graças a Deus pela justiça perfeita e bondosa de Cristo, aceitarmos nossa condição de pecador e nos alegrarmos com a salvação que recebemos. Sem julgar ninguém, pois todos somos alvos da mesma justiça divina e estamos debaixo da mesma condenação da lei. Graças a Deus por Jesus Cristo!

Sola Fide!

2 comentários:

Ana Cristina disse...

Como é bom,quando entendemos isso.Que Deus continue te inspirando a escrever estas devocionais que acrescentam muito para todos nós.As igrejas estão precisando ler mais a palavra de Deus para não ficarem,falando amém a qualquer heresia proclamada no púlpito.Continue assim e saiba que Jesus está feliz com vc.Ana (conselheira)

Nivton Campos disse...

Olá, Ana!

Sempre fico feliz com sua frequência aqui. Graças a Deus por tudo, por o devocional estar abençoando alguns. Pode ter certeza que eu sou o primeiro a receber por isso. Tem sido muito bom para mim mesmo escrever; meio que aprendo de novo na hora de escrever e então passo para vocês.

Obrigado pelo carinho e incentivo. Que Deus te abençoe também. Abração!